quarta-feira, 26 de novembro de 2008

CRI$E


Belo Horizonte - Dias 28 e 29 de novembro de 2008


Seminário Estadual


A crise econômica mundial

PROGRAMAÇÃO
Dia 28 de novembro
18h - Mesa 1
Elementos estruturantes da crise mundial. Natureza da crise.

João Antônio de Paula
Doutor em História da Economia e Professor da UFMG

Luiz Figueiras
Doutor em Economia e professor da UFBA

29 de novembro
09h - Mesa 2
Consequências Econômicas, Sociais e Políticas para o Brasil e a América Latina

Reinaldo Carcanholo
Professor do Mestrado em Políticas Sociais da UFES

Lécio Morais
Mestre em Ciências Políticas , Economista e Assessor Parlamentar

Laura Tavares
Doutora em Economia e professora da UFRJ

12:30 - Mesa 3
O quê fazer diante da crise - quais as saídas?

Mauro IASI
Doutor em Sociologia e Professor da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo

Ronald Rocha
Sociológo e Coordenador do Instituto 25 de março

José Welmowipk
Sociólogo e Editor da Revista Marxismo Vivo

Local: Faculdade Promove
Rua Timbiras, 1514 - Lourdes - Belo Horizonte/MG


Organização:
MST, Via Campesina, MAB, AP, Sindicato dos Jornalistas, Instituto Caio Prado Jr, Instituto 25 de março, Brigadas Populares, Marcha Mundial das Mulheres, Intersindical, Conlutas, CUT, UEE, UBES, UCMG, UJC, JS/PDT, AMES, JR, IMLB, FAMEMG, SENGE - Sindicato dos Empregados no Comércio de BH, Corrente Sindical Unidade Classista

Apoio: PSOL, PCB, PSTU, PCR, PCdo B, PT, RC, CP, PDT/BH

sábado, 22 de novembro de 2008

PROLETÁRIOS DE TODO O MUNDO, UNI-VOS!

Pronunciamento de Ivan Pinheiro, Secretário Geral do PCB, em nome do Partido, no X Encontro Mundial de Partidos Comunistas e Operários

Camaradas:

O PCB, o mais antigo partido político brasileiro, fundado em 1922, saúda os comunistas do mundo todo.

Estamos em casa. Não por estarmos no Brasil. Nosso país é o mundo. Estamos em casa, porque o lugar do Partido Comunista Brasileiro é o movimento comunista internacional. Fundado sob a influência da Revolução Russa, o PCB se orgulha de ter sido solidário ao Partido Comunista da União Soviética - em que pesem algumas diferenças e críticas - até a derrocada das experiências de construção do socialismo no leste europeu. Há 50 anos nos solidarizamos com a gloriosa Revolução Cubana. Custe o que custar, o movimento comunista internacional contou e conta com o nosso Partido, nas vitórias e derrotas, nos erros e acertos.

Este Encontro não poderia ocorrer em momento mais oportuno: a mais grave crise da história do capitalismo bate às portas da humanidade, anunciando várias conseqüências negativas para o proletariado.

Para tentar sair da crise, o capital não pensa duas vezes ao saquear os cofres públicos para salvar banqueiros e oligopólios; não vacilará um minuto em atacar ainda mais os salários, os direitos sociais e trabalhistas, além de diminuir a qualidade de serviços públicos; não tergiversará um só instante ao aprofundar a exploração e a barbárie, sem se importar com o agravamento da fome e da miséria; não titubeará em recorrer a mais guerras e agressões militares nem em recrudescer a criminalização e a repressão aos movimentos sociais e às organizações populares e revolucionárias.


Esta crise, apesar de seus elementos estruturais, não é necessariamente, por si só, a crise final do capitalismo, que não cairá de podre. Mas, dialeticamente, poderá criar as condições - com o provável acirramento da luta de classes em âmbito mundial – para colocar em relevo o protagonismo do proletariado e, a depender de certos fatores, influenciar positivamente a correlação de forças, abrindo possibilidades para o avanço da luta pela superação do capitalismo, na perspectiva do socialismo.

O papel dos comunistas e o grau de sua unidade de ação e de inserção nos movimentos de massa serão decisivos, nessa difícil conjuntura que vamos enfrentar.

A crise enterra as ilusões dos que pretenderam humanizar o capitalismo. Não há mais espaço também, no capitalismo cada vez mais globalizado, para ilusões nacional-desenvolvimentistas, baseadas em alianças dos trabalhadores com as chamadas burguesias nacionais.

Cada vez mais se acentuará no mundo a contradição entre o capital e o trabalho. Não apenas nos países desenvolvidos ou emergentes, como é o caso do Brasil, que é parte subordinada do imperialismo. É só olhar para países pouco desenvolvidos, como a Bolívia e a Venezuela, para entender a ilusão de alianças com as burguesias nacionais. Vejam a violência da burguesia boliviana, diante de uma revolução que não é socialista, mas ainda democrática e cultural, e o ódio que nutre a burguesia venezuelana frente à revolução bolivariana.

No estágio atual do capitalismo, e sobretudo em decorrência de sua profunda crise, se evidenciará cada vez mais a centralidade do trabalho. Estão sendo jogados no lixo da história todos os mitos construídos pelo
neoliberalismo, como o "estado mínimo", o "livre-mercado" e o "fim da classe operária".

Ao contrário do que dizem os profetas do fim da história e os reformistas, o proletariado aumenta no mundo, em quantidade e qualidade. Nos países desenvolvidos, apesar da atual fragilidade e fragmentação do movimento operário e sindical, há grandes possibilidades de a luta de classes se intensificar.

Isto não significa subestimar as lutas dos povos de países periféricos. A América Latina, por exemplo, continuará sendo um importante palco de luta contra o capital, onde processos importantes de mudanças sociais procuram articular-se em torno da ALBA, em contraposição às frações imperialistas que disputam a hegemonia de mercados e riquezas naturais da região, inclusive setores monopolistas da burguesia brasileira.

Na América Latina, há uma questão que deve merecer a atenção solidária dos comunistas do mundo todo: a derrota do estado paramilitar e terrorista da Colômbia é parte da luta para fortalecer a defesa de Cuba Socialista e aprofundar os processos mudancistas na Venezuela, no Equador, na Bolívia e, possivelmente, no Paraguai e em outros países.

Na Colômbia, nossos esforços devem estar concentrados na busca de uma paz democrática, com justiça social e econômica, como acaba de conceituar o XX Congresso do Partido Comunista Colombiano. Além de nossa solidariedade irrestrita a este heróico Partido - que enfrenta de peito aberto a violência do terrorismo de Estado - não podemos colaborar, por omissão, com a satanização e criminalização de organizações políticas insurgentes, como as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Até porque não temos o direito de escolher as formas de luta de cada povo.


O mesmo vale para organizações insurgentes de outros países. O imperialismo precisa derrotá-las, para que não sirvam de exemplo. Não podemos esquecer que não são convencionais, mas insurgentes, as forças que resistem ao imperialismo na Palestina, no Iraque e no Afeganistão. Dependendo dos desdobramentos da crise do capitalismo, nenhuma forma de luta poderá ser descartada.

Propomos que nos somemos aos esforços que vêm sendo feitos pela intelectualidade colombiana e o Secretariado das FARC, através de cartas públicas. Pensamos que a nova carta que está sendo preparada pelos intelectuais, em resposta à sinalização construtiva da organização insurgente, não deve ter como destinatários apenas o povo e os atores locais.

Para forçar o governo fascista de Uribe a reconhecer o conteúdo político, econômico e social do conflito colombiano, devemos lutar para que a UNASUR chame para si a iniciativa de viabilizar o início de um processo de negociação política, como fez para evitar o acirramento do conflito boliviano, que também tem características de violência política. Uribe não poderá desconhecer o papel da UNASUR na solução de conflitos, nem alegar ingerência, pois compareceu pessoalmente à reunião deste organismo, em Santiago, para tratar da Bolívia.

Finalmente, camaradas, o PCB considera que, mesmo expressando a vontade majoritária do povo estadunidense por mudanças, o advento do governo Obama não mudará a essência do imperialismo ianque, sobretudo na política externa. O imperialismo se valerá desta mudança de fachada para iludir os povos e tentar afastá-los da necessária luta para enfrentar os efeitos da crise do capitalismo e para construir o socialismo.


Camaradas:

Mais cedo do que imaginamos e do que desejavam nossos inimigos, nossos Partidos estão voltando a ter vigência e atualidade.

Este Encontro precisa dar passos seguros para estreitar os laços entre nossos Partidos e a unidade de ação dos revolucionários, no âmbito mundial. A nossa responsabilidade aumenta, a partir de agora.


Vivam os Partidos Comunistas e Operários!

Viva o internacionalismo proletário!

Proletários de todo o mundo, uni-vos!

São Paulo, 22 de novembro de 2008

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O Petróleo é nosso!

Em defesa do petróleo brasileiro:Manifestantes ocupam hotel sede de seminário para empresários sobre pré-sal Fonte: Agência Petroleira de NotíciasVeja vídeo e fotografias do ato em www.apn.org.brDepois de hoje, os empresários estrangeiros e nacionais que estão de olho no pré-sal brasileiro ganharam uma grande preocupação. Por volta das 13 horas dessa terça, 18 de novembro, os integrantes do comitê Rio do Fórum contra a Privatização do Petróleo e Gás ocuparam por alguns minutos o saguão do Guanabara Palace. No luxuoso hotel da Avenida Presidente Vargas, Centro do Rio, acontecia o Seminário "Pré-Sal – desafios e oportunidades", em que a inscrição custava a bagatela de R$ 1.970,00, valor que define o público alvo do evento.
Nem o reforço da Polícia Militar foi capaz de segurar o ânimo dos manifestantes que avançaram para dentro do hotel com gritos pela re-estatização da Petrobrás e cobrando a não realização da 10ª rodada de leilões das áreas promissoras de petróleo e gás, marcada para 18 de dezembro. Depois de cerca de dez minutos lá dentro e algumas palavras de ordem, a coordenação orientou a saída pacífica e continuação da manifestação do lado de fora do Guanabara Palace."Os mesmos que já roubaram nosso ouro no passado, agora querem levar nosso petróleo. Não vamos deixar isso acontecer. Esses empresários que hoje se reúnem para negociar o nosso pré-sal podem ter certeza que estão tratando de uma moeda podre, pois ninguém vai levar o nosso petróleo e gás" – conclamou Emanuel Cancella, coordenador geral do Sindipetro-RJ e integrante do Fórum Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás.Além do Sindipetro-RJ, estavam presentes o Sindipetro-RS, a Frente Nacional dos Petroleiros, a CUT, a Conlutas, a Intersindical, o MST, o MTD, a FIST, dentre outras importantes organizações sociais. A concentração começou por volta das 11 horas, na Candelária, com um grande balão de gás, carro de som e faixas com a chamada da campanha "O Petróleo tem que ser nosso"! O diretor do Sindipetro Hélio Cunha coordenou esse momento inicial, chamando a população a participar dessa luta e do abaixo-assinado que pede o fim dos leilões e que a Petrobrás seja 100% estatal. Cunha ainda chamou a atenção das pessoas que passavam, alertando para o fato de que a privatização do petróleo pode aumentar o preço da gasolina, do gás de cozinha e até das passagens de ônibus.
"É errado vender o nosso petróleo. A luta que vocês estão fazendo aqui é justa, mas o povo ainda não acredita que pode vencer. Mas não podemos desistir. Temos que lutar como essa turma está fazendo aqui" – comentou Jorge Luis, 40 anos, morador de Duque de Caxias, que vende água e refrigerante pelo centro da cidade.Os coordenadores do Fórum Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás prometem que até 18 de dezembro vai ter muito movimento no Brasil inteiro para impedir a realização de mais essa rodada de leilões. Essa terça já sinaliza o que vem por aí.
É permitida (e recomendável) a reprodução desta matéria, desde que citada a fonte.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Obama foi eleito para defender os interesses dos Estados Unidos!


Nota da Comissão Política Nacional do PCB:

Após oito anos de domínio republicano, o povo norte-americano realizou um feito inédito: elegeu pela primeira em sua história um presidente negro, filho de pai africano e nascido fora do território continental dos Estados Unidos. Trata-se de um fato realmente histórico, levando-se em consideração que até meio século atrás o racismo era praticado nos Estados Unidos de modo muito semelhante ao que era realizado na África do Sul. Portanto, a eleição de Obama contém um simbolismo especial e representa um enorme desejo de mudanças por parte do povo dos Estados Unidos.

Nesse sentido, é natural que a eleição de um presidente negro num país racista desperte simpatia em todo o mundo. Nos Estados Unidos, com a possibilidade de derrotar o setor mais reacionário, belicista e parasitário do País, a eleição despertou enormes contingentes para a política e uma mobilização expressiva, especialmente dos jovens. O comparecimento às urnas, que variava desde a década de 70 até a última eleição entre 49% e 56%, desta vez aumentou para 64,1%, o maior índice de todos os tempos na história norte-americana. Era visível na população o desejo de mudança, mas também era claro que o sistema precisava de algo diferente para se legitimar, especialmente nestes tempos de crise.

Em todo o mundo, a grande maioria da opinião pública mundial, inclusive parte da esquerda, imagina que o novo presidente norte-americano representa uma mudança efetiva para os Estados Unidos e o mundo, fato que é estimulado pela euforia da mídia. Não está aqui em jogo a figura pessoal de Barack Obama ou suas convicções: o que as pessoas não devem se esquecer é que Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos para defender os interesses norte-americanos, é parte da institucionalidade bipartidária e do sistema imperial do grande capital e não terá liberdade para se contrapor aos interesses desse sistema.

Poderá realizar algumas mudanças tópicas internas; afinal, não é preciso fazer grande coisa para se diferenciar de um governo tão desastroso como o de Bush. Mas Obama manterá a essência do sistema imperialista. Vale lembrar que Obama fez a campanha mais cara da história dos EUA, gastando US$ 650 milhões, teve o apoio maciço das grandes corporações e da grande mídia norte-americana, sem o que não poderia ter arrecadado tanto dinheiro. Não terá liberdade para realizar um programa de mudanças e, com certeza, passada a euforia inicial, virá a decepção para o povo norte-americano e para todos os que hoje reproduzem a euforia da mídia.

É necessário enfatizar ainda que o staff da campanha do novo presidente é composto pela fina flor do sionismo e do capital financeiro, inclusive estes últimos responsáveis pela implantação das políticas monetaristas e neoliberais no passado, tais como Paul Volcker, ex-presidente do FED, nos anos Carter e Reagan; Jamie Dimon, presidente do Banco de Investimentos J. P. Morgan; Timothy Geithner, ex-gerente do FMI e presidente do FED de Nova York; Laurence Summers e Robert Rubin, ex-secretários do Tesouro de Clinton e, especialmente, Warren Buffett, o maior especulador do cassino financeiro mundial em bancarrota e Rahn Emanuel, futuro chefe da Casa Civil e sionista fundamentalista, que serviu no Exército e na Inteligência de Israel.

Só os ingênuos poderiam acreditar que com gente desse naipe haverá mudanças de fundo nos Estados e no mundo. Vale lembrar ainda que a cor da pessoa não quer dizer nada, em termos políticos. A principal figura do governo Bush é negra e ultradireitista, Condolezza Rice. Quem comandou a invasão ao Iraque e mentiu sobre as armas de destruição em massa era também um negro, o secretário de Defesa Colin Powell, que por sinal apoiou Obama nestas eleições. Além disso, a burguesia que explora os trabalhadores na África é quase toda negra. Portanto, não é a cor da pele ou a etnia que definem a posição política das pessoas.

O PCB acredita que não é hora de vender ilusões para os trabalhadores ou tentar mascarar a realidade: Obama não vai realizar um governo com os sindicatos, os movimentos sociais, com os negros, os latino-americanos ou com os oprimidos em geral. Ele foi eleito em circunstâncias muito especiais, quando o sistema necessitava de um político que desse a impressão de um capitalismo com rosto humano. Mas será obrigado a defender essencialmente os interesses do sistema que o elegeu. Deverá cumprir papel semelhante ao que o líder operário Lula está cumprindo no Brasil. Aliás, é importante para o sistema ter alguém, neste momento, com capacidade de conter a indignação popular e o movimento de massas que vai emergir da crise, uma vez que os republicanos estavam completamente desmoralizados.

O novo presidente dos Estados Unidos deverá seguir com a mesma postura que caracterizou o seu mandato como senador. O próprio programa eleitoral de Obama não se difere substancialmente dos republicanos, não apresenta propostas no sentido de uma reestruturação da economia norte-americana para servir ao povo. Em seus discursos, Obama sempre procurou se colocar acima das classes; sua bandeira é a "América" e todos os valores que vêm com ela. Para os ingênuos, nunca é tarde lembrar que o novo presidente norte-americano representa o negro da classe média integrado ao sistema, muito longe das tradições de um Malcom X ou Luther King.

Por último, vale lembrar que a condição de democrata não significa um mundo de paz para a comunidade internacional. A tradição democrata é belicista, desde Woodrow Wilson, que invadiu o México, Panamá, República Dominicana e Haiti. Truman lançou as bombas atômicas contra Hiroshima e Nagasaki e Kennedy invadiu Cuba. Lyndon Johnson ampliou a guerra do Vietnã, invadiu o Cambodja e o Laos. Bill Clinton, apesar de fazer o estilo simpático, fez a primeira invasão do Iraque e o próprio Obama apoiou a fascista "Lei Patriótica" do governo Bush. Todas essas atrocidades foram cometidas nos períodos de governos democratas. Quem garante que Obama não seguirá o mesmo caminho?

Para os comunistas, Obama venceu as eleições com expressiva votação, mas os trabalhadores dos Estados Unidos, representados pelos brancos, negros, latinos, asiáticos terão que lutar muito para conquistar suas reivindicações, pois as estruturas do sistema de poder continuarão brecando qualquer mudança de fundo na sociedade estadunidense. E os povos do mundo terão que continuar resistindo à agressividade do imperialismo, que pode inclusive recrudescer, com a crise do capitalismo.

PCB – Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional
novembro de 2008

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Obama venceu, o povo estadunidense não


Texto de Rodrigo Lima, sociológo e Secretário de Relações Internacionais da UJC
O dia 4 de novembro certamente entrará para a história. O país mais racista do mundo, que construiu toda a sua historia sobre a hipocrisia de um falso discurso democrático e de liberdade para os seus cidadãos, elege o primeiro presidente negro da sua história.A importância da data será muito mais lembrada pelo simbolismo que carrega esta vitória do que propriamente pelas "mudanças" que virão com ela. Obama é o presidente mais caro da história americana, nunca um candidato arrecadou e gastou tantos dólares em uma campanha presidencial quanto ele. E de onde saiu este dinheiro? De contribuições espontâneas de cidadãos comuns ávidos por mudanças em seu país, ou dos cofres das grandes corporações que, desde sempre, comandam o rumo que a política estadunidense irá tomar?
Obama vai responder aos interesses do sistema que o elegeu, e não aos interesses reais dos setores oprimidos dos EUA. É o rosto suave do capitalismo agressivo e selvagem que seguirá sendo produzido pelo imperialismo.A pintura de "progressista" como alguns comentaristas políticos tentam pintar não esconde o que vem atrás da máscara. Em seu programa de governo existem temas como a retirada das tropas ianques do Iraque, mas o que não é dito é que Obama vai manter e aumentar o contingente das tropas presentes no Afeganistão, que é hoje a frente de batalha onde os EUA mais sofrem baixas e onde não conseguiram dobrar a resistência talebã. É o cobertor curto, mata-se menos no Iraque, multiplicam-se as mortes no Afeganistão e dentro em breve possivelmente no Paquistão, país que está na mira de Obama, que declarou atacará caso o governo paquistanês não siga atuando em conjunto com os EUA na ocupação do território afegão.No cenário interno Obama fala em universalizar o sistema de saúde. Hoje nos EUA 40 milhões de pessoas não tem nenhum acesso ao sistema de saúde, já que no país mais rico do mundo, somente usufrui de cuidados médicos quem tem dinheiro para pagar por eles. Obama vai romper com a lógica mercantil vigente no seu país? Dificilmente o futuro presidente vai mexer com os interesses das grandes corporações ligadas ao mercado da saúde.O novo presidente vai enfrentar a maior crise que os Estados Unidos já viveram depois de 1929. A crise vivida pelo capital, não será superada em favor da classe trabalhadora com o "mini" new deal de Obama. Até porque o setor a ser privilegiado por Obama seguirá sendo a burguesia financeira, estendendo algumas concessões à classe média e deixando de fora os setores mais desfavorecidos da população, inclusive a classe trabalhadora.O novo presidente dos Estados Unidos seguirá muito provavelmente com a mesma postura conservadora que o caracterizou em seu mandato como senador. O próprio programa eleitoral de Obama não se difere substancialmente do programa republicano, não apresenta proposta no sentido de um controle sobre o sistema financeiro, ou de uma reestruturação da economia estadunidense.
Obama, com um apoio midiatico e com uma campanha que apelou para a comoção nacional é a resposta que o sistema produziu para uma "mudança" que mantenha as coisas no seu devido lugar. Os republicanos não tinham essa capacidade, visto que os oito anos da era Bush minaram qualquer possibilidade de continuidade deste partido no comando da Casa Branca.Em seus discursos, Obama, sempre se coloca como acima das classes, sua bandeira é a "América" e a defesa de todos os valores que vem com ela. Obama está muito mais para uma Condolezza Rice, do que para um Huey Newton. Representa o negro de classe média integrado ao sistema, muito longe da tradição de luta dos negros por ampliação de direitos, como foi o caso de Luther King, Malcom X ou os Panteras Negras.A ilusão criada em torno do nome de Obama não esconde os rumos que serão adotados nos próximos quatro anos. Para que realmente haja uma mudança, Obama deve "desprivatizar" os sistemas de saúde e educação dos EUA, distribuir renda, controlar o sistema financeiro, no plano interno. Parar com as ocupações estadunidenses em qualquer parte do mundo, acabar com o plano Colômbia, derrubar o nefasto bloqueio contra Cuba, não assinar nenhum novo TLC, eliminar a repressão conjunta com Israel ao povo palestino, no plano internacional.Estas transformações não virão com Obama. As estruturas e amarras do sistema seguirão bem sólidas, a mudança que traz a vitória de Obama é simbólica, não é política.Obama venceu, com uma expressiva votação. Mas o povo dos Estados Unidos, representado pelos membros da classe trabalhadora, brancos, negros, hispânicos, asiáticos, não.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

DEBATE

PCB (PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO)
CONVIDA:

DEBATE:

A CRISE FINANCEIRA E OS TRABALHADORES.

PALESTRANTES:

IGOR GRABÓIS ECONOMISTA (COMITÊ CENTRAL)
FÁBIO BEZERRA PROF: FILOSOFIA (COMITÊ CENTRAL)

LOCAL: RUA CARIJÓS Nº 244, 6º ANDAR- UNSP.
EDIFÍCIO WALMAP.
QARTEIRÃO DA PRAÇA SETE.

DIA 07 DE NOVEMBRO ÀS 19:00 HORAS

Programas Futebol e Política do Canal do Jornal O Poder Popular.

Programas Futebol e Política do Canal do Jornal O Poder Popular.  Camaradas; Segue os links dos Programas Futebol e Política do Can...