terça-feira, 27 de novembro de 2012
FALECIMENTO DO SÉRGIO MIRANDA
Sérgio Miranda (Direita) e Fábio Bezerra (esquerda) durante a campanha eleitoral de 2008
Hoje pela manhã o ex- deputado federal
pelo Estado de Minas Gerais, Sérgio Miranda, faleceu em Brasília por
decorrência de uma pancreatite aguda.
Sérgio Miranda foi deputado federal por
quatro mandatos seguidos, exercendo com afinco e compromisso de classe
um mandato a serviço das lutas populares e dos interesses da classe
trabalhadora.
Sempre cotado entre os 10 melhores
parlamentares nos períodos em que esteve no Congresso, sendo referência
nacional em questões relativas à Previdência Pública, Miranda foi figura
de destaque nas batalhas contra os processos de privatizações dos
Governos FHC e não se esquivou em denunciar as traições políticas do
Governo Lula durante a Reforma da Previdência em 2005 e a consecutiva
perda de direitos ao funcionalismo.
Ainda nesse mesmo ano entrou em rota de
coalizão contra o CC de seu ex-partido ( PCdoB) quando do debate do
reajuste do salário mínimo, estando ao lado das posições que defendiam
um aumento maior e possível, ao que o Ministério da Economia propunha.
Ao longo de mais de 40 anos de vida
política, Miranda esteve comprometido com a construção da democracia e
da defesa do patrimônio público e dos direitos trabalhistas, além de sua
reconhecida militância internacionalista e de solidariedade aos povos
em luta.
Foi fundador da Associação Cultural José
Marti nos anos 80 e liderou os atos contra as privatizações do sistema
siderúrgico no período do governo Itamar.
Militante comunista desde os anos 60, figurou com destaque entre aqueles que lutaram contra a Ditadura Militar.
Após sua ruptura com o PCdoB, Sérgio
Miranda participou da articulação e da presidência do Fórum de Unidade
Comunista, ao qual o PCB além da Refundação Comunista e da Corrente
Comunista Luis Carlos Prestes, também participaram.
O PCB solidariza com seus familiares e
presta em nota todas as homenagens a esse grande camarada e homem
público que por tantas vezes prestou relevantes serviços aos
trabalhadores, à solidariedade internacional e a luta pela construção do
socialismo no Brasil.
Camarada Sérgio Miranda, Presente!
terça-feira, 20 de novembro de 2012
I Congresso Nacional da Corrente Sindical UNIDADE CLASSISTA
A Unidade Classista homenageia um militante comunista na resistência operária
No enfrentamento à ditadura burguesa sob
a forma militar, o PCB construiu uma alternativa de luta que orientava
suas bases e informava a frente democrática, para as mais amplas ações
de massa e articulações políticas, como forma de reagir ao regime de
exceção que se estabeleceu no Brasil, em 1º de abril de 1964.
Essa política de frente única dava
sinais de firmeza em 1973 e se consolidou em 1974. A ditadura,
percebendo o avanço dessas formulações na atuação da oposição e dos
movimentos de resistência, organizou a “operação radar” para liquidar o
PCB. O aparelho de repressão partiu para cima do Partido em todo o
Brasil. De 1973 a 1976, dirigiu o grosso dos seus esforços para o
inimigo número 1 da ditadura naquele momento: foram milhares de prisões,
centenas de militantes torturados, dezenas de exilados e 39 militantes e
dirigentes assassinados sob tortura. A desarticulação do PCB era a
condição da ditadura para transitar o seu projeto de “abertura lenta e
gradual”.
Dentro da política de enfrentamento ao
regime fascista, o PCB deliberou por uma ação que movimentasse a classe
operária para um papel protagonista diante da conjuntura de desgaste da
ditadura. As formas de luta eram as reivindicações salariais, a luta por
melhores condições de trabalho, a denúncia dos crimes da ditadura e a
organização do Partido entre os trabalhadores.
Para cumprir esse último papel, a
direção do PCB em São Paulo designou um operário comunista experiente,
temperado nas lutas da nossa classe e convicto do nosso papel: Manoel
Fiel Filho, nascido em 7 de janeiro de 1927, em Alagoas. Esse camarada
ficou responsável pela distribuição do jornal A Voz Operária nas
fábricas da Mooca e pelo trabalho de organização do Partido entre os
operários daquela região fabril.
No dia 16 de janeiro de 1976, agentes do
DOI-CODI prenderam Manoel Fiel Filho na fábrica onde trabalhava, a
Metal Arte, na Mooca. Dois agentes da repressão levaram o líder operário
por volta de meio-dia. No dia seguinte, 17 de janeiro, a repressão
armava um teatro para dizer que o operário comunista havia se matado,
por enforcamento, nas dependências do II Exército. Trata-se de mais uma
armação, Manoel Fiel Filho tinha marcas de tortura na cabeça, pescoço e
punhos. Tinha sido barbaramente torturado e não resistiu, morrendo nas
dependências do Exército, o que criou uma crise política no governo
autoritário.
O camarada Manoel foi Fiel até o seu
último momento à luta pela emancipação dos trabalhadores. Lutou com seu
Partido, ao lado da nossa classe, para derrotar a ditadura.
Por determinação da repressão seu corpo
foi enterrado rapidamente no dia 18, no cemitério da IV Parada, em São
Paulo. Era o medo da ditadura diante da sombra de liberdade que começava
a cobrir vastos segmentos populares na luta pela democracia.
A repressão continuaria perseguindo os
familiares do operário comunista para que eles nada fizessem. As roupas
com as quais havia sido preso foram jogadas na porta da sua casa, pelos
agentes da repressão, quando do aviso de sua morte.
O movimento operário avançou, mostrou-se
forte nas lutas de classe do final da década de setenta, do século
passado. A ditadura foi derrotada e novas batalhas se colocam para os
trabalhadores. A classe operária marcha para fazer a luta política
diante da crise do capital, os comunistas estão construindo a sua
organização para avançar no enfrentamento à burguesia. O camarada Manoel
Fiel Filho é um símbolo dessa luta. Tombou em defesa da nossa classe e
do nosso Partido. Aqui reunidos reafirmamos a sua presença entre nós.
Seu exemplo e a sua lição de luta marcarão os passos da Unidade
Classista, vanguarda dos trabalhadores na luta pela sociedade
socialista.
Mas, neste momento de reorganizar a
nossa luta, queremos afirmar: por nossos mortos nem um minuto de
silêncio, toda uma vida de luta e combates.
Camarada Manoel Fiel Filho, Presente!
Viva o Partido Comunista Brasileiro!
Viva a Unidade Classista!
I Congresso da Unidade Classista
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