segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Libertação dos heróis cubanos, uma vitória de todos os revolucionários

(Nota Política do PCB)
A Comissão Política Nacional do Partido Comunista Brasileiro (PCB) se associa a todos os revolucionários do mundo em sua alegria e felicidade pela libertação dos três heróis cubanos encarcerados há 16 anos nas masmorras do império norte-americano, em condições desumanas (outros dois já tinham sido libertados anteriormente). A libertação de Gerardo Hernández, Antonio Guerrero y Ramón Labaniño representa uma vitória do povo cubano contra o imperialismo norte-americano, além de uma vitória dos movimentos de solidariedade em todo o mundo, que cumpriram um papel fundamental para a libertação.
A prisão desses heróis cubanos há mais de uma década e meia representa também a dupla moral do imperialismo. Esses camaradas estavam nos Estados Unidos cumprindo uma tarefa humanitária de evitar com que os terroristas gusanos, sediados em Miami, realizassem atentados contra alvos civis em Cuba, como aconteceu em diversas oportunidades, inclusive com a morte de um cidadão italiano. Enquanto prendiam os nossos heróis, deixavam livres Luis Posadas Carrilles, um terrorista profissional que colocou uma bomba em um avião civil cubano matando 73 pessoas em pleno vôo.
A luta pela libertação dos cinco camaradas representou um marco histórico e ficará na memória de todos os revolucionários como um exemplo de firmeza de um povo que, apesar das difíceis condições econômicas, fruto de um bloqueio criminoso que já dura mais de 50 anos, manteve alta sua moral revolucionária e foi capaz de despertar um movimento de solidariedade em todo o mundo, cujo resultado é a libertação dos três últimos heróis encarcerados nas masmorras do império.
Comemoremos essa vitória, mas sem esquecermos um só minuto de que nossa tarefa é dar continuidade à campanha pelo encerramento de vez desse bloqueio criminoso, que o próprio presidente dos Estados Unidos foi obrigado a reconhecer que não foi capaz de dobrar a moral revolucionária do povo cubano. Além do fim do bloqueio, os imperialistas devem devolver a Cuba seu território de Guantanamo, até hoje ocupado pelos Estados Unidos, e que tem servido de base para uma das mais abjetas prisões e práticas de tortura do mundo.
Viva o internacionalismo proletário!
Viva a liberdade dos heróis cubanos!
Comissão Política Nacional do PCB

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

80 anos do camarada José Francisco Neres "Pinheiro"!

Comunista, sindicalista, revolucionário, jogador de futebol, tecelão, vereador, dirigente, aposentado, músico e líder revolucionário José Francisco Neres “Pinheiro” é um camarada imprescindível na luta pelo socialismo na perspectiva do comunismo no Brasil.
Nas atividades sindicais e partidárias “Pinheiro” se destacou não apenas pelas funções que desempenhava e desempenha até hoje, mas sim pelo seu jeito de ser e viver. O poeta angolano Agostinho Neto dizia em sua memorável poesia que “Não basta que seja bela e pura a nossa causa é necessário que o sentimento de honestidade e justiça esteja dentro de nós” este “imprescindível” camarada nas palavras de Bertolt Brecht merece ser homenageado na data de seu octogésimo aniversário.
 A vida de José Francisco Neres se funde e mistura com a História do Partido Comunista Brasileiro em Minas Gerais. Militante do PCB desde o final dos anos cinqüenta Neres foi responsável por diversas tarefas e articulações dos comunistas no terreno político institucional e principalmente na luta do movimento operário sindical.
Neres trabalho como tecelão, foi jogador de futebol. Participou da comissão de fábrica da Marzagânia, onde atuou em várias greves. Foi vereador e teve seu mandato cassado, na cidade histórica de Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte. Participou do Comando Estadual dos Trabalhadores, das mobilizações pelas reformas de base no Governo João Goulart. Apoiou a Greve dos Metalúrgicos de 1968 em Contagem. Atuou na clandestinidade na reorganização do PCB nos anos 70. As retenções e prisões políticas não intimidaram a luta corajosa empreendida pelos comunistas pela liberdade e pelo socialismo. Neres foi o último preso político a sair dos porões da ditadura militar em Minas Gerais. Atualmente participa das atividades da Frente Independente pela Verdade, Memória e Justiça de Minas Gerais e apóia os trabalhos da Comissão da Verdade em Minas Gerais.
Celebramos hoje o aniversário de um camarada que por muito pouco não sucumbiu diante do ódio de classe perpetrado pela fúria fascista da ditadura burgo-militar. Não se trata de um culto a personalidade, Neres nunca foi personalista, nem individualismo. A construção coletiva do PCB sempre foi seu principal objetivo. Comemoramos sim, e estamos felizes em poder comemorar o aniversário do camarada e dizer que conseguimos reconstruir o PCB em Minas Gerais. Falta muita coisa para fazer, mas estamos no caminho certo, daquela caminhada começada por poucos em 1922 e seguida por Neres desde os anos 50 do século XX. Seguimos na luta pelo socialismo no século XXI! . Hoje, como integrante da célula da velha guarda, membro do Comitê Estadual e Secretário Político do PCB na capital, o camarada permanece firme na luta e através de seu humilde exemplo de dedicação e afinco na reconstrução revolucionária do Partido inspira vários militantes do PCB a persistirem na luta pelo comunismo.
É força, ação, Neres é Partidão!
Viva o Partido Comunista Brasileiro – PCB!
Comitê Estadual do PCB - Minas Gerais
Belo Horizonte, Minas Gerais – 04 de dezembro de 2014.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Nota de Repúdio PCB e Unidade Classista Ipatinga/MG... Contra a demissão do camarada Elias Cabelo


O Massacre na Usiminas continua... Em 07 de outubro de 1963 ocorreu um dos mais graves massacres contra a vida de dezenas de trabalhadores da referida fábrica. Os operários da Usiminas reivindicavam melhores condições de trabalho, alimentação e salários dignos e foram metralhados na portaria da fábrica pela Polícia Militar com a autorização do então Governador de Minas Gerais o fascista Magalhães Pinto, sendo para muitos um ensaio da repressão da Ditadura Empresarial-Militar no Brasil que viria um ano depois.
Hoje em pleno século XXI o Massacre na Usiminas se evidencia de várias formas, exaustivas horas de trabalho, áreas insalubres, demissões em massa, operários executando atividades além de sua capacidade física e a clara e evidente perseguição política. Esta última se confirma com a demissão na última sexta-feira, 07/11/2014 do camarada Elias Fernandes Valadares, militante PCB e da Unidade Classista, casado, pai de uma filha, morador do Bairro Bom Jardim em Ipatinga/MG.
Elias Cabelo como é conhecido, é um operário dinâmico e bem aceito pela grande maioria dos proletários da fábrica, consegue expor suas opiniões com muta facilidade e após passar a militar no PCB, especificamente na Campanha Movimento Contínuo de 2014, na qual levava o nome do Camarada Daniel Cristiano pra Deputado Estadual, cinco militantes PCB de Ipatinga/MG pra Deputado Federal, Professor Pablo Lima pra Senador, Professor Túlio Lopes pra Governador e o Professor Mauro Iasi pra Presidência da República... A partir da decisão do camarada Cabelo em entrar pro movimento, que luta realmente pela classe operária, alguns superiores ligados aos sindicalistas que já dirigiram o SINDIPA passaram a persegui-lo e o ameaçar A PONTO DO MESMO SER PROIBIDO DE PANFLETAR A FAVOR DO PCB NA PORTARIA DA FÁBRICA.

O PCB, juntamente com a Unidade Classista Ipatinga vem repudiar esta atitude covarde da empresa CONVAÇO - CONSTRUTORA VALE DO AÇO, que de forma arbitrária caracterizou a perseguição política, veio a demitir o operário Elias Fernanes Valadares (Cabelo). Salientamos ainda mais o repúdio, pois não levaram em consideração os 17 anos de excelentes atividades desenvolvidas pelo metalúrgico Cabelo, que é considerado destaque no setor que trabalhava (Montador de Fabricação do Pátio de Sucatas da Aciaria), não respeitaram também a data base da categoria que iniciada em 01/11/2014, ou seja, uma demissão completamente arbitrária e de cunho de repressão ideológica.

Sendo assim, nós que fazemos parte da militância PCB Ipatinga viemos através desta nota de repúdio reafirmar o nosso compromisso com a Construção do Poder Popular, com nenhum direito a menos e com a perspectiva de avançar nas conquistas!!!
Apesar de vivenciarmos que o Massacre na Usiminas continua!!! Desejamos Força, Fé e Ação ao camarada Cabelo e a todos os camaradas e as camaradas que sofrerem qualquer tipo de repressão seja ela física, psicológica ou de liberdade de expressão!!!
PCB, Unidade Classista - UC, União da Juventude Comunista - UJC, Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro e Coletivo Minervino de Oliveira de Ipatinga/MG.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O sexto turno

14.10.15_Mauro Iasi_O sexto turnoPor Mauro Iasi. 
“Os presidentes são eleitos pela televisão, como sabonetes,
e os poetas cumprem função decorativa. Não há maior magia
que a magia do mercado, nem heróis maiores que os banqueiros.
A democracia é um luxo do Norte. Ao Sul é permitido o espetáculo”.Eduardo Galeano, O livro dos abraços
Uma vez mais o jogo previsível encontra seu desfecho esperado. Circunscrita pelo poder econômico e midiático, as candidaturas da ordem se encontrarão, mais uma vez, em um segundo turno. Um dos elementos de garantia da ordem pode ser encontrado nos mecanismos de segurança que limita as alternativas e depois as apresenta como liberdade de escolha.
No campo político isso foi descrito por Gramsci como “americanismo” e se expressa classicamente na alternância entre um Partido Democrático e outro Republicano nos EUA, num jogo de imagens no qual nem um é democrático, nem o outro é de fato republicano. Ao sul do equador tal fenômeno pode ser visto historicamente na suposta alternância entre liberais e conservadores, na maldição já descrita na expressão “nada mais conservador que um liberal no poder”, ou na famosa ironia de que no ato de posse o programa conservador é transferido para o partido de oposição, que entrega o programa liberal para quem sai do governo.
Carlos Nelson Coutinho costuma chamar a versão brasileira desta “democracia” de americanalhamento. A expressão parece pertinente.
A instituição do segundo turno no Brasil tem servido a este propósito. No sistema norte americano todo mundo pode ser candidato, mas os filtros vão se dando nas eleições dos convencionais (que de fato elegem o presidente numa eleição indireta e absurdamente antidemocrática), até que só chegam à disputa de fato os dois partidos oficiais citados. No Brasil não é necessário tal engenharia política. Os filtros de segurança começam pelas clausulas de barreira que impedem a organização partidária, depois a legislação eleitoral absolutamente desigual e inconstitucional (mas isso nunca foi problema em nosso país segundo o TSE), passa pelo financiamento privado de campanha e chega na cobertura desigual da imprensa monopólica.
Não podemos esquecer o mecanismo que decide o voto antes da eleição pelo controle dos cofres públicos, dos governos estaduais, prefeituras e cabos eleitorais numa verdadeira chantagem de verbas, financiamentos e facilidades que controlam regiões inteiras sem a necessidade de uma único debate de programas ou ideias.
Como diz Galeano no texto que nos serve de epígrafe, a democracia é um luxo reservado ao Norte, ao Sul cabe o espetáculo que não é negado a ninguém, afinal, diz o autor uruguaio, “ninguém se incomoda muito, que a política seja democrática, desde que a economia não o seja”. Quando as urnas se fecham, prevalece a lei do mais forte, a lei do dinheiro.
Mas, é essencial ao espetáculo que você sinta a sensação de estar decidindo. É neste campo que se inscreve o chamado voto útil.
A máquina eleitoral burguesa não pode impedir movimentos de opinião, que se expressam no primeiro turno e, mesmo, no segundo. É perfeitamente compreensível que muitas pessoas pensem na lógica do mal menor, numa análise comparativa entre as alternativas que restaram. Como sempre há diferenças entre elas, convencionou-se que a esquerda deve votar no mais progressista e evitar o risco da direita.
Analisemos mais detidamente as alternativas que o poder econômico, a legislação restritiva e os meios de comunicação monopolizados selecionaram.
De um lado Aécio Neves do PSDB, legenda conhecida pelos mandatos de FHC e do próprio político mineiro em seu estado, assim como a longa dinastia paulista. Neste caso não há dúvida sobre seu programa conservador, seu compromisso com o mercado e os grandes grupos monopolistas, sua lógica privatista e sua subserviência ao imperialismo. Trata-se de uma legenda que nada tem de social democrata e tornou-se o centro aglutinador da direita representada na aliança com o DEM, o PPS e outras que compuseram sua base de governabilidade quando no governo, como o sempre presente PMDB, PTB e outros.
De outro, o PT, partido que tem sua origem nos movimentos sociais e sindicais dos anos 1970 e 1980, e que chegou à presidência em 2002 com a eleição de Lula para aderir ao pacto e ao presidencialismo de coalizão tornando-se o centro de um bloco do qual participam o PCdoB e o PSB, garantindo sua governabilidade com o PMDB, o PTB, PP, PSC, e outras siglas no mercado do fisiologismo político próprio do americanalhamento citado. Difere do PSDB na medida em que defende uma maior presença do Estado para garantir a economia de mercado, sustentando seu pacto de classes através de medidas de cooptação e apassivamento, tais como a garantia do nível de emprego e políticas sociais focalizadas e compensatórias de combate aos efeitos mais agudos da miséria absoluta.
A mera comparação justifica a tendência do voto em Dilma de grande parte dos que temem um governo do PSDB como expressão mais clara da política conservadora.
Coloquemos, entretanto, as coisas numa perspectiva histórica. Este não é um mero segundo turno, é o sexto turno. É a terceira vez que tal situação se apresenta. Nas duas primeiras, em 2006 e 2010, o PCB, por exemplo, indicou o voto crítico no candidato do PT, ou priorizou o combate à direita no momento eleitoral, ainda que sempre se mantendo na oposição. Não seria o caso agora?
Lembremos quais os discursos que acompanharam este processo. Quando da passagem para o segundo mandato do Lula o discurso é que o primeiro mandato havia sido para acertar a casa, mas agora viria uma guinada em favor das demandas populares, o governo Lula estaria em disputa. Quando da passagem para o mandato de Dilma o discurso é que, agora viria a guinada na forma de uma opção pelo mítico “neodesenvolvimentismo”.
No entanto, o que vimos nas duas oportunidades não foi uma reversão do rumo do pacto social e das medidas conservadoras, pelo contrário. O fato é que cada governo subsequente foi sendo mais à direita que o anterior. Os governos eleitos para “evitar a volta da direita”, a perda de direitos para os trabalhadores, o aprofundamento das privatizações, a criminalização dos movimentos sociais, o abandono da reforma agrária, acabaram por impor um crescimento das privatizações, uma precarização do trabalho, o ataque aos direitos dos trabalhadores (eufemisticamente chamado de “flexibilização”) e o aprofundamento da criminalização dos movimentos sociais. Reforma da previdência, privatização do campo de Libra, imposição da EBSERH, rendição do Plano Nacional de Educação à lógica dos empresários e do sistema S, prioridade para o agronegócio, a farra da Copa, as remoções, o aumento da violência urbana e a política genocida das polícias militares contra a população jovem, pobre e negra, a não demarcação das terras indígenas, as concessões ao fundamentalismo religioso que impede a legalização do aborto, a criminalização da homofobia…
Talvez a área mais emblemática seja a luta pela terra. Não apenas reduz-se a cada mandato o número de famílias assentadas, como cada vez mais assentamentos são abandonados à sua própria sorte, e os pequenos produtores considerados “economicamente irrelevantes” (nas palavras de um representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário em resposta às demandas do MPA). Ao mesmo tempo dirige-se toda a política agrária para a prioridade ao agronegócio, tornando aliado central na governabilidade e na direção da política econômica, como mostram os apoios, ainda no primeiro turno, de Kátia Abreu e Eraí Maggi (o rei da soja).
Algo estranho ocorre por aqui. Primeiro, trata-se de fazer reformas possíveis no lugar da revolução necessária. Para tanto, um pacto social que leva o governo, que deveria ser reformista de esquerda, para um perfil de centro-esquerda – ou nos termos de André Singer, de um reformismo de alta intensidade apoiado na classe trabalhadora para um reformismo de baixa intensidade apoiado nas camadas mais pobres. Em seguida trata-se de tomar medidas de um governo de centro-direita para enfrentar a crise do capital com massivas doses de apoio ao capital por parte do Estado para garantir a manutenção de um crescimento com emprego e geração de renda. E agora uma clara composição de direita apoiada nos grandes bancos, nos setores monopolistas, nas empreiteiras, no agronegócio, numa situação parlamentar ainda mais conservadora que empurrará qualquer governo eleito para posição ainda mais conservadoras para realizar os “ajustes necessários” para enfrentar a crise que já se apresenta no horizonte.
O que é forçoso constatar é que a política do acumulo de forças não acumulou forças. Pelo contrario, desarmou a classe trabalhadora e abriu espaço para o crescimento da direita. O que era uma estratégia para evitar a direita pode ter se tornado o caminho pelo qual pôde se garantir sua “volta”. De fato, ela nunca teve seus interesses ameaçados – porque nos referimos a interesses de classe e não das legendas políticas que representam seguimentos e facções das classes dominantes. A classe dominante apoia as duas alternativas, fato que fica evidente na distribuição dos financiamentos de campanha.
O tão falado crescimento da direita, ou a “onda conservadora”, não se dá por acidente, mas é o resultado previsível dos governos de pacto social e da profunda despolitização que resulta de doze anos de governos petistas. Como disse Ruy Braga em artigo recente, que a burguesia e a classe média sejam conservadoras é perfeitamente compreensível, mas o que precisa ser explicado é porque o conservadorismo tomou a consciência de setores da classe trabalhadora. A candidata do PT perdeu no ABC paulista, somando os votos de Aécio e Marina, perdeu em São Paulo, Rio, Minas e Rio Grande do Sul.
Parte da classe trabalhadora, equivocadamente, aposta em candidaturas conservadoras que são contra seus interesses de classe. Veja, ao invés de infantilmente culpar a esquerda, os governistas deviam se perguntar por que isso ocorreu. Parte da classe quer o fim do ciclo do PT e não há discurso da esquerda que possa convencer este segmento que o governo atual é que lhe representa, pelo simples fato que a sequência de medidas que descrevemos indicam claramente outra coisa.
O que está acontecendo é que os meios de apassivamento e cooptação são insuficientes para continuar mantendo o governo do PT com a aparência de esquerda enquanto opera uma política de direita. Mantêm-se o nível de emprego, mas os precariza, garante acesso ao crédito para manter o consumo, mas gera endividamento das famílias, garante acesso precário às universidades privadas ou através de uma expansão que não garante a permanência e a qualidade necessária no setor público, tira-se as pessoas da miséria absoluta para colocá-las na miséria.
A explosão do ano passado foi didaticamente um alerta, mas as forças políticas, governistas ou de oposição no campo da ordem, literalmente ignoraram as demandas que ali surgiram. Nenhuma demanda foi considerada, desde a questão do transporte urbano, os gastos do Estado priorizando as empreiteiras e bancos e não educação e saúde, a violência policial e os limites da democracia de representação. Silencio total.
A esquerda – aquela que resistiu a este caminho suicida, foi estigmatizada, atacada, criminalizada e excluída do centro do jogo político – no seu conjunto não chegou aos 2% dos votos, e mesmo o voto nulo e a abstenção ficaram nos níveis históricos das últimas eleições. Não pode, portanto ser culpabilizada por uma eventual derrota do PT. A insatisfação de 2013 se apresenta nas eleições como caldo de cultura da necessidade de uma mudança e é atraída pelo canto da sereia da direita que numa eventual vitória governará com a mesma base de sustentação do governo atual.
Alguns afirmam que o que há de diverso agora é que o PT terá que vencer o PSDB enfrentando-o pela esquerda. Não é o que parece, nem o que o cenário político anuncia com a composição do novo Congresso Nacional. Ao que parece, Dilma investe em se apresentar como ainda mais confiável ao grande capital e seus atuais aliados prioritários, ignorando solenemente as demandas populares para recompor seu governo à esquerda. Respondam rapidamente: quantas vezes, nos últimos debates, a presidente tocou no tema da Reforma Agrária?
Mais uma vez, compreendo e respeito aqueles que votarão em Dilma para evitar o governo do PSDB. Apenas preocupa-me que pouco se analisa do que consiste o conteúdo desta suposta alternativa. Talvez algumas perguntas, na linha da nota do PCB, ajudem na reflexão:
  1. O eventual segundo mandato de Dilma reverterá a prioridade do agronegócio e avançará na linha de uma reforma agrária popular tal como proposta pelo MST e uma política agrícola que considere os interesses dos pequenos camponeses como preconiza o documento do MPA?
  2. Romperá com a política de superávits primários, de responsabilidade fiscal e de reforma do Estado que tem imposto a prioridade ao pagamento da dívida que consome cerca de 42% do orçamento?
  3. Demarcará as terras indígenas se chocando com os interesses do agronegócio e dos madeireiros?
  4. Romperá com a dependência em relação à bancada evangélica avançando nas questões relativas ao aborto, ao combate à homofobia e a política retrograda de combate às drogas?
  5. Alterará o rumo da política de segurança fincada no tripé: endurecimento penal, repressão e encarceramento?
  6. Vai administrar a crise do capital revertendo a tendência à precarização das condições de trabalho e ataque aos direitos dos trabalhadores?
  7. Vai mudar a lógica de criminalização dos movimentos sociais na linha da Portaria Normativa do Ministério da Defesa que iguala manifestante a membro de quadrilha e traficante, ou estenderá o fundamento desta política de garantia da Lei e da Ordem na forma de uma Lei de Segurança Nacional que torna permanente a presença das Forças Armadas como instrumento de garantia da ordem?
  8. Vai alterar a linha geral do Plano Nacional de Educação que institucionaliza a transferência do recurso público para educação privada, se entrega à concepção empresarial de ONGs e outras instituições empresariais e adia por vinte anos a meta dos 10% para educação?
  9. Vai fazer uma reforma política nos termos indicados pelo plebiscito que reuniu 7 milhões de assinaturas, ou aplicará o acordo com o PMDB que produziu um texto conservador e ainda mais concentrador de poder nas atuais siglas do Congresso Nacional tornando mais eficiente o presidencialismo de coalizão?
Nós que podemos interferir pouco no resultado eleitoral só podemos alertar que quem votar em Dilma não estará apenas evitando a vitória de uma opção mais conservadora – objetivo louvável – mas, também, referendando os atos que vierem a ser aplicados. O próximo governo Dilma, se ganhar, não responderá positivamente, na perspectiva da classe trabalhadora, a nenhuma destas nove questões. Por isso o PCB não pode empenhar seu apoio, mais uma vez, nem que seja crítico, pois os governos petistas já responderam a estas questões com doze anos de governo.
E se perder? Neste cenário, que não depende de nós e nem pode ser atribuído à esquerda, que não é desejável, mas possível, o PT teria que voltar à oposição. Neste caso temos a dizer que aqui a situação está muito difícil. A criminalização se intensifica, a polícia militar e as UPPs matam pobre todo dia. O Estado Burguês se armou, graças aos últimos governos, de todo um arcabouço jurídico e repressivo para nos combater, os assentamentos da reforma agrária estão abandonados, os serviços públicos foram direta ou indiretamente precarizados através de parcerias públicos privadas, as Universidades estão sendo mercantilizadas e sucateadas, o governo prefere negociar com sindicatos domesticados do que com as organizações de classe, os meios de comunicação reinam incontestes e impõem um real que nos torna invisíveis, reina o preconceito, a violência, a homofobia e a transfobia, parte da classe trabalhadora vivencia uma inflexão conservadora na sua consciência de classe e ataca o marxismo e o pensamento de esquerda como seu inimigo, imperando a ofensiva irracional da pós-modernidade que se revela cada vez mais fascista nos levando para a barbárie.
Bom, mas isso vocês sabem, não é? Talvez só não saibam de onde veio este retrocesso. Bom, procurem nos seis turnos, naquilo que foi anunciado e no que foi posto em prática… é uma boa pista.
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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Nem Aécio nem Dilma: PCB seguirá na luta pelo Poder Popular e pelo Socialismo

(Nota Política do PCB)
1. O PCB disputou o primeiro turno destas eleições denunciando o jogo marcado da democracia burguesa e deixando claro que é impossível reformar e humanizar o capitalismo. A revolução socialista é o único caminho para os trabalha
dores acabarem com a exploração.
2. O resultado das eleições para presidente confirmou os prognósticos feitos pelo PCB, de que se repetiria o roteiro elaborado pelas classes dominantes. Valendo-se de sua hegemonia política e econômica e dos limites impostos pela legislação, a eleição foi levada para o segundo turno, com duas candidaturas ligadas aos seus interesses. A classe trabalhadora foi derrotada nestas eleições e deverá continuar em luta, qualquer que seja o futuro presidente.
3. Nas eleições burguesas, os candidatos da ordem são escolhidos previamente, entre aqueles que certamente garantirão o poder burguês e o crescimento da economia capitalista. O financiamento privado e os espaços na mídia variam em função das possibilidades de vitória e das garantias de satisfação dos interesses dos diversos setores do capital, com a manutenção dos fundamentos econômicos que prevalecem desde Collor e que vêm se aprofundando nos últimos governos: superavit primário, responsabilidade fiscal, autonomia do Banco Central, renúncias fiscais, desonerações da folha de pagamento, ou seja, o Estado e suas instituições a serviço do capital, tudo dentro da estratégia de inserir cada vez mais o capitalismo brasileiro no sistema imperialista.
4. O capital financeiro, as grandes corporações, o agronegócio e as empreiteiras são os campeões de doações às campanhas dos candidatos da ordem e continuarão influenciando diretamente as diretrizes do futuro governo. O bloco dominante burguês, portanto, apesar das disputas entre as frações que o compõem e que se tornam mais evidentes durante o processo eleitoral, mantém a hegemonia conservadora sobre a sociedade brasileira, assegurando a reprodução do capitalismo em sua fase de plena internacionalização.
5. Historicamente, a burguesia sempre contou com a ação do Estado para estimular o desenvolvimento do mercado e da propriedade privada, buscando abafar a luta de classes, sob o argumento falacioso de que somente o crescimento capitalista resolveria os problemas sociais e aumentaria os salários dos trabalhadores.
6. Nos anos 1990, o ciclo de mercado puro projetado a partir das práticas neoliberais trouxe, como consequência, a resistência aberta dos trabalhadores organizados em partidos, sindicatos e movimentos sociais. No entanto, as forças sociais e políticas, nascidas das lutas das classes trabalhadoras, acabaram por aderir à ordem capitalista e burguesa, operando um pacto com as classes dominantes em nome dos trabalhadores.
7. Antes mesmo da posse de Lula, em 2003, o PT amoldou-se à lógica do crescimento capitalista através da “Carta aos Brasileiros”, abandonando seu moderado programa de reformas, para garantir a ampla reprodução do capital, concedendo aos trabalhadores mais e piores empregos, o controle relativo da inflação e o acesso ao consumo pela via do endividamento. À população que vivia abaixo da linha da pobreza, foi oferecida a saída da miséria absoluta para continuar na condição de miséria.
8. A opção pelo crescimento capitalista com maior ênfase no papel desempenhado pelo Estado não modificou, essencialmente, o quadro de extremas desigualdades que sempre imperou no Brasil. Pelo contrário, o PT atuou como eficaz operador da contrarreforma social em favor do grande capital, transferindo recursos públicos para o crescimento capitalista (isenções, subsídios, infraestrutura, logística, juros baixos subsidiados na hora de emprestar e altos para garantir a lucratividade dos bancos).
9. No campo, a aliança com o agronegócio garantiu o avanço do capitalismo monopolista, a precarização das condições de trabalho e a paralisação da reforma agrária. Nas cidades, o governo Dilma permitiu o crescimento da criminalização dos movimentos sociais, ao aprovar legislação que dá às Forças Armadas poderes para reprimir as manifestações populares.
10. No plano internacional, a estratégia principal do estado burguês continuou sendo a adoção de políticas visando à expansão das grandes empresas capitalistas brasileiras no exterior, conduzindo uma ação de fato imperialista em países latino-americanos e africanos e buscando consolidar a liderança da integração regional, sob a lógica do desenvolvimento capitalista. Além disso, mantém o objetivo de afirmar o Brasil como potência internacional, através da obsessão histórica de conquistar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Para tal, faz concessões ao imperialismo, mantendo tropas militares no Haiti e estreitando relações comerciais com o Estado sionista de Israel.
11. Por outro lado, a candidatura de Aécio Neves cresce na onda conservadora inflada durante os governos de pacto social implementado pelo PT. O PSDB é uma opção nefasta à classe trabalhadora, pois aposta no aprofundamento das privatizações, no arrocho salarial, na criminalização dos movimentos sociais e da pobreza, privilegiando o Estado máximo para o capital e mínimo para os trabalhadores. Representa a aceleração de pautas ultraconservadoras, como o combate às causas LGBT, redução da maioridade penal, a privatização do sistema carcerário e a criminalização do aborto.
12. Mas as diferenças entre os dois polos da disputa política no campo da ordem (PT e PSDB) são cada vez mais secundárias, de forma e não de conteúdo. As nuances estão no “como fazer”: com mais liberdade para o mercado e a livre iniciativa com o apoio do Estado, segundo os tucanos; com mais apoio do Estado para que o mercado funcione livremente, conforme dizem os petistas.
13. Independentemente do governo de plantão, com o agravamento da crise mundial do capitalismo, o estado burguês reprimirá ainda mais os trabalhadores e as lutas populares, porque precisará tentar retirar ou diminuir direitos sociais e trabalhistas, acirrando a luta de classes. Como em outros países, a sociedade se torna mais conservadora, ampliando a hegemonia do capital no aparelho de estado, na mídia, no parlamento, na justiça.
14. Diante de tudo isso e na certeza de que a vitória de um ou outro candidato no segundo turno não vai representar alteração do quadro atual, o PCB se posiciona em favor do voto nulo. O apoio dos comunistas à candidata do PT seria contribuir para iludir os trabalhadores e desmobilizá-los nas suas cada vez mais duras e necessárias lutas.
15. Respeitamos aqueles companheiros de esquerda que consideram que as diferenças entre o PSDB e o PT ainda são relevantes e que votarão em Dilma como um “mal menor”. Contamos com esses companheiros nas acirradas lutas que se aproximam. Nas eleições anteriores, o PCB recomendou o voto crítico no PT no segundo turno e, no entanto, os governos de Lula e Dilma mantiveram as políticas neoliberais e ainda aprofundaram as privatizações e o ataque aos direitos dos trabalhadores.
16. Esse voto útil tem sido trabalhado por aqueles que ressuscitam os fantasmas do golpe de direita, como se a burguesia precisasse derrubar um governo que serve fundamentalmente aos interesses do capital. Caso a atual Presidente seja derrotada, a responsabilidade será exclusivamente do PT e de sua política de pacto social, de cooptação e apassivamento da classe trabalhadora, que despolitizou o processo político brasileiro tornando menos nítidas as diferenças e os interesses de classe em disputa em nossa sociedade.
17. A posição do PCB tem um critério classista, uma opção pela construção do Poder Popular, no rumo da revolução socialista e não pela reforma. Os reformistas e socialdemocratas iludem e apassivam os trabalhadores e cooptam suas organizações. Não podemos indicar o voto no PT pelos seguintes motivos:
a) Não assume a reforma agrária e nem a demarcação das terras indígenas, porque está comprometido com o agronegócio e o desenvolvimento do capitalismo no campo;
b) Não supera a política de superavits primários e a sangria de recursos para os bancos, porque é financiado pelos banqueiros;
c) Não pode assumir a defesa da legalização do aborto e das demandas do movimento LGBT, porque está comprometido com a bancada evangélica e o fundamentalismo que fere o caráter laico do Estado;
d) Não pode reverter as privatizações, porque está empenhado na lógica privatista e mercantil das parceiras público-privadas;
e) Não promove a reversão dos ataques à previdência pública, porque está comprometido com a previdência privada e o capital financeiro;
f) Não pode garantir os direitos dos trabalhadores contra a precarização das condições de trabalho, as terceirizações e a flexibilização de direitos, porque está comprometido com os grandes empresários;
g) Não pode enfrentar a criminalização dos movimentos sociais e a violência policial, porque está comprometido com a garantia da paz burguesa, como demonstram as operações de garantia da Lei e da Ordem e da Lei de Segurança Nacional;
h) Não pode desempenhar um papel de fato progressista na ordem internacional, porque faz da política externa um meio de expandir os negócios dos grandes empresários, empreiteiras e banqueiros, numa clara opção de inserção subordinada ao sistema imperialista;
i) Por fim, não pode mudar a armadilha do pacto social e do presidencialismo de coalizão porque é refém dela, sendo beneficiado pela atual forma política eficiente para se manter no governo, mas cujo preço é o abandono das reformas mais elementares.
18. O PCB tem a certeza de que a grande tarefa dos militantes comunistas e da esquerda socialista é aprofundar sua participação nas lutas populares, com destaque para as lutas dos trabalhadores, com vistas à construção da alternativa proletária ao bloco conservador dominante: o Poder Popular.
19. Devemos nos manter firmes nas ruas e nos movimentos que fortaleçam a organização dos trabalhadores, em unidade com os partidos, organizações e movimentos de orientação anticapitalista, buscando fazer avançar a pauta unitária produzida pela esquerda socialista nas ruas a partir de junho de 2013 e contribuindo para a formação de uma frente de esquerda permanente, de caráter anticapitalista e anti-imperialista.
PCB - Partido Comunista Brasileiro
Comitê Central
(11 e 12 de outubro de 2014)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Resultado eleitoral do PCB em Minas Gerais

Resultado eleitoral do PCB em Minas Gerais

Presidente Mauro Iasi
5.468 (0,05) Brasil
(0,06) BH
(0,34) Ipatinga

Governador Professor Túlio Lopes
26.023 (0,26) Minas Gerais
(0,49) BH
(1,50) Ipatinga

Senador Pablo Lima
20.183 (0,22) Minas Gerais
(0,58)  BH
(14,86) Campos Altos

Deputados Federais:
Dep. Fed. Dr. Zocrato
2.925 (0,03)
(0,40) Betim
Dep. Fed. Rair
2.746 (0,03)
(1,65) Ipatinga
Dep. Fed. Thiago
903 (0,01)
Dep. Fed. Patrick
872 (0,01)
Dep. Fed. Geraldo
801 (0,01)
Dep. Fed. Frederico
783 (0,01)
Dep. Fed. William
546 (0,01)
Dep. Fed. Jessica
388 (0,01)
Dep. Fed. Marcela
229 (0,01)
Dep. Fed. Leninha
189 (0,01)

Deputados Estaduais:
Dep. Estad. Daniel
23.910 (0,23%)
(15,97) Ipatinga
Dep. Estad. Adailton
840 (0,01)
(2,78) Rio Espera
Dep. Estad. Pedro
829 (0,01)
Dep. Estad. Zulu
667 (0,01)
Dep. Estad. Paulo
651 (0,01)
Dep. Estad. Agnaldo
458 (0,01)
Dep. Estad. Renata
441 (0,01)
Dep. Estad. Gabriela
413 (0,01)
Dep. Estad. Souza
194 (0,01)
Dep. Estad. Camila
192 (0,01)
Dep. Estad. João
98 (0,01)

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Professor Túlio Lopes defende maior investimento na educação e estatização das empresas O candidato do PCB ao governo de Minas ainda se diz contra a redução da maioridade penal

O MG no Ar recebe esta semana os candidatos ao governo de Minas Gerais para uma série de perguntas. O professor Túlio Lopes, representante do partido PCB (Partido Comunista Brasileiro), foi o convidado do apresentador Eduardo Costa desta quarta-feira (17).  O político propôs a criação de conselhos para uma maior participação popular.
— Principalmente os sindicatos, as associações comunitárias, os movimentos sociais organizados. É fundamental garantir espaço para que o povo possa participar da política, não apenas através do voto, mas através também de espaços onde se possa ter o poder deliberativo.
Em relação à violência nas escolas, Túlio Lopes disse que a solução para a diminuição da criminalidade entre os jovens é o maior investimento na educação.
— É uma situação bastante complicada. Principalmente porque ameaça a segurança dos trabalhadores da educação. É uma situação que coloca em risco vários estudantes. É importante garantir o investimento na educação pública. O governo deixou de investir R$ 8 bilhões em educação. Isso atrapalha tanto o pagamento do piso salarial profissional, assim como a garantia de educação integral. Precisamos de psicólogos dentro das escolas. Só assim, teremos um trabalho eficaz para combater a violência e garantir a paz dentro das escolas.
O representante do PCB se posiciou ainda sobre a redução da maioridade penal.
— Eu defendo o que está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. E principalmente mais investimento na educação. Porque se o estudante tiver com a cabeça feita, com formação cultural e profissional em tempo integral dentro da escola, provavelmente teremos a redução desse índices de criminalidade envolvendo jovens.
Túlio Lopes ainda comentou sua promessa de campanha que prevê que quem estiver desempregado não pagará contas como água e luz.
— Defendemos o fortalecimento das empresas estatais mineiras. A Cemig [Companhia Energética de Minas Gerais] precisa ser 100% estatal para garantir um serviço de qualidade para a população. Assim coma Copasa [Companhia de Saneamento de Minas Gerais], para garantir saneamento básico e água. Porque o povo que recebe pouco tem que ficar pagando contas muito caras?
Túlio propõe também o fortalecimento do concurso público.
— Defendemos o concurso público. Queremos o fortalecimento das empresas estatais mineiras e garantia de concurso público. É necessário criar frentes de trabalho. Os trabalhadores devem ter melhores condições de trabalho, salário e infraestrutura.  Mas, nós temos que combater o desemprego e fortalecer o setor público.
O candidato ao governo de Minas finalizou a entrevista defendendo a tarifa zero e o denvolvimento da mobilidade urbana.
— É necessário pensar o nosso Estado com a força do poder popular. Nós queremos garantir um transporte público. Se estatizarmos as empresas com certeza teremos condições de assegurar a tarifa zero, principalmente o passe livre para os estudantes e a garantia de um transporte para todos.
O entrevistado desta quinta-feira (18) será o representante do PT (Partido dos Trabalhadores), Fernando Pimentel. 

ENTREVISTA com Professor Túlio Lopes (PCB): Candidato a Governo de Minas Gerais


Nossa posição, nas eleições (2014), é de apoiar criticamente os candidatos da esquerda socialista nos marcos do PCB, PCO, PSOL e PSTU. Nesse sentido, estamos entrevistando alguns candidatos desses partidos como forma de destacar-apoiar esses lutadores socialistas-marxistas da classe trabalhadora que, propositalmente e infelizmente, são apagados pela grande IMPRENSA BURGUESA. Nessa oportunidade, apresentamos a candidatura do Professor Túlio Lopes aos nossos leitores.
Socialista Livre: Candidato Túlio Lopes, muito obrigado por nos conceder essa entrevista. Conte aos leitores do Blog www.socialistalivre.wordpress.com quais as principais razões que o levaram a se candidatar a Governador do Estado de Minas Gerais?
Túlio Lopes (PCB): A necessidade de inserir no atual quadro político eleitoral, em Minas Gerais, uma alternativa socialista que pauta a necessidade estratégica de construirmos o poder popular.
Socialista Livre: Túlio, sabemos que o governo do PSDB, em Minas Gerais, há doze anos no poder, sucateou a escola pública, sucateou a saúde pública, endividou ainda mais o estado mineiro. Em sua avaliação, como um dos estados mais ricos do país chega a esse ponto, candidato, e como sair dessa situação?
Túlio Lopes (PCB): A falta de planejamento é o principal projeto e/ou planejamento da direita (PSDB + PSB + PP…) para sucatear a educação e ferrar a vida dos/as trabalhadores/as em Educação. Minas Gerais, não tem a melhor educação do Brasil. O Governo Estadual não investe o mínimo que a Constituição Federal determina na área da educação. Segundo dados do SindUTE-MG: 633 escolas não possuem rede de esgoto, 1991 não possuem refeitório, 1984 não possuem quadra de esporte coberta, 2475 não possuem laboratório de Ciências. Docentes da UEMG e da UNIMONTES estão em greve pela garantia de seus direitos previdenciários, plano de carreira, melhores salários e condições de trabalho. Precisamos fortalecer a luta dos estudantes e trabalhadores(as) em educação. Nós do PCB temos um compromisso histórico com a educação pública e iremos através de um conselho popular de educação superar as contradições mencionadas.
Socialista Livre: Candidato Túlio, em 2013, houve marcha de aproximadamente 100.000 pessoas em Belo Horizonte, protestando contra a falta de investimento nos serviços públicos, contra a falta de moradia, contra os altos preços e a má qualidade no transporte público. O governo de Minas Gerais, em sua avaliação, resolveu algum desses problemas?
Túlio Lopes (PCB): É importante destacar que em abril de 2013 houve uma ótima marcha da classe trabalhadora em Brasília-DF contra as políticas do Governo Dilma. No dia que o povo trabalhador parou a Avenida Antônio Carlos estávamos próximos a Igrejinha da Pampulha em um protesto organizado pelo SindUTE-MG, saímos do protesto e fomos para a Avenida Antônio Carlos. Quando chegamos foi emocionante a juventude e o povo organizado nas ruas.  Participei ativamente de quase todos protestos em BH em junho e julho. Faltou organização e direção ao movimento espontâneo de junho. Mas foi uma experiência incrível que revigorou os movimentos sociais e populares e nossa disposição de luta. O Governo de Minas Gerais não resolveu nada e não irá atender as demandas dos servidores públicos e do povo trabalhador. É um governo conservador. Lacerda na Prefeitura de Belo Horizonte e Dilma no Governo Federal apresentaram medidas paliativas. Dilma foi pautada novamente pelo PMDB e deixou cair a bandeira da Reforma Política. Os movimentos sociais a ergueram novamente.
Socialista Livre: Qual o principal problema de gestão pública que você detecta em Minas Gerais e que, a seu ver, deveria ser prioridade absoluta para qualquer governo que for eleito?
Túlio Lopes (PCB): O problema principal da gestão pública em Minas Gerais é o poder do capital. Nossos governantes governam para representar e atender os interesses daqueles que detêm o poder do capital. A única forma de combater o poder do capital é a construção do poder do capital. Façamos nós com nossas mãos tudo o que a nós nos diz respeito. Os servidores públicos estaduais, podem junto com a força da juventude e do povo trabalhador mineiro tomar as rédeas do poder e governar a partir do poder popular. A prioridade é a construção do poder popular e iremos atender imediatamente as demandas e reivindicações dos servidores públicos estaduais e dos movimentos sociais e populares.
Socialista Livre: Fazendo um trocadilho, candidato, conforme as pesquisas eleitorais apontam, podemos dizer que há duas “pimentas” esperando pela classe trabalhadora, a saber, Pimenta da Veiga (PSDB) ou Pimentel (PT). Há diferenças significativas nessas duas candidaturas?
Túlio Lopes (PCB): Vamos deixar de lado esta disputa apimentada. Existem diferenças e semelhanças. Os tucanos são representantes diretos do poder do capital, mas não são os únicos. Pimenta da Veiga foi o garoto propaganda das privatizações do Governo FHC. E, tenta surfar na onda do Aécio e do Anastasia. Pimentel é um sócio da FIEMG e se aliou a outra parte da direita em Minas que indicou seu vice (ex-ministro da agricultura) e um senador (vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de SÃO PAULO). Conta com o apoio de setores dos movimentos sociais e populares ainda iludidos com o projeto do PT. Um exemplo claro de convergência é a participação do PP, partido do atual governador Alberto Pinto Coelho, na aliança nacional com Dilma e em Minas com o Pimenta e Anastasia. A direita está presente no Governo Estadual e Federal, promovendo os interesses do capital. Somente a luta dos movimentos sociais irá alterar o atual quadro político em Minas e no Brasil. O voto de protesto, o voto consciente pode ajudar bastante. Por isso a apresentação das candidaturas dos comunistas para construir uma alternativa socialista desvinculada dos interesses do capital.
Socialista Livre: Em sua argumentação, por que os eleitores deveriam votar em sua candidatura a Governador do Estado de Minas Gerais?
Túlio Lopes (PCB): No atual quadro político em Minas Gerais represento a força da juventude e a luta dos/as trabalhadores/as em Educação. Além disso, as candidaturas do PCB são uma alternativa socialista às candidaturas dos partidos da ordem.
Socialista Livre: Qual o número de sua candidatura, para que os eleitores possam votar em você?
Túlio Lopes (PCB): Governador Professor Túlio Lopes – 21
Presidente Professor Mauro Iasi – 21
Para derrotar Anastasia, vote Senador 210 Professor Pablo Lima,
E nos ajude a eleger deputados e deputados do Partidão – #votetudo21.
Socialista Livre: Como as pessoas podem se integrar e apoiar a sua campanha?
Túlio Lopes (PCB): Através das redes sociais e participando de nossa campanha movimento. Faça contato com o PCB através do e-mail pcbminas@ig.com.br e participe de nossas atividades. Acesse www.expressovermelho.blogspot.com. Saudações aos que lutam! Quem luta, educa e constrói o Poder Popular!

Programas Futebol e Política do Canal do Jornal O Poder Popular.

Programas Futebol e Política do Canal do Jornal O Poder Popular.  Camaradas; Segue os links dos Programas Futebol e Política do Can...