quinta-feira, 20 de agosto de 2015

PCB NÃO PARTICIPA DE ATO GOVERNISTA. A LUTA SEGUE PELO PODER POPULAR!



19 de agosto de 2015
(Nota Política do Comitê Central do PCB)

O PCB compreende a iniciativa de movimentos sociais e de setores da esquerda governista que participarão dos atos convocados para o dia 20/08. A pauta destas manifestações é o enfrentamento à ofensiva da oposição de direita e em defesa dos trabalhadores contra o ajuste fiscal e os cortes impostos pelo governo Dilma. Também é alvo dos protestos o acordo por cima em torno dos pontos da chamada Agenda Brasil, apresentado pelo presidente do Senado e aceito pelo governo, acordo este que impõe medidas ainda mais duras contra os trabalhadores e a população brasileira. Por fim, os movimentos reafirmam a necessidade de uma mudança profunda e radical em favor dos trabalhadores.

Infelizmente, estes setores não foram e não serão capazes de neutralizar a tendência dominante de transformar essas manifestações em atos de defesa do governo Dilma, relativizando seu conteúdo crítico, pois governo e direção do PT jogam peso no sentido de atenuar os elementos de crítica ao ajuste, enfatizando a luta pela chamada “legalidade democrática”.

O governo Dilma já operou o acordo por cima para se salvar, pacto que foi referendado pelos meios de comunicação, incluindo a Rede Globo e o Financial Times, assim como as poderosas organizações empresariais FIRJAN e FIESP. E trabalha para sacralizá-lo com o Congresso Nacional, ao preço de aprofundar ainda mais os ataques aos trabalhadores, aos povos indígenas, ao meio ambiente e a toda população, destruindo o caráter público do SUS e avançando na política de cortes de verbas, que já atingem mortalmente a educação pública e as políticas sociais.

Participar de manifestação de apoio ao governo neste momento é dar legitimidade ao acordo que já está em andamento, como ocorreu com o respaldo dado à presidente por estes mesmos setores nas últimas eleições.

Por isso o PCB não participará dos atos chamados para o dia 20. A pauta de luta contra o ajuste e os ataques aos trabalhadores terá que seguir para além desta data, nas greves em curso e naquelas que emergirão, na luta pela terra e pela moradia, na luta pela saúde e a educação pública e gratuita de qualidade, acumulando para a construção do Poder Popular, verdadeira alternativa à crise conjuntural e ao poder burguês. Estas lutas serão, necessariamente, contra o governo Dilma e seus aliados de direita.

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Governo de Minas revela, com repressão covarde, para quem governa
13 de agosto de 2015
Cai a máscara!

Governo de Minas revela, com repressão covarde, para quem governa.

Nessa quarta-feira, dia 12 de agosto, Belo Horizonte assistiu indignada a violenta e descabida repressão da Polícia Militar contra manifestantes de diversas entidades contrárias ao aumento abusivo das passagens do transporte público.

Há cerca de uma semana, o Ministério Público desautorizou o aumento abusivo devido a falta de argumentos consistentes que justificassem tal medida. Por sua vez, na calada da noite, um juiz autorizou a cobrança.

Em resposta ao aumento abusivo, parte da política de oligopólio dos transportes públicos em Belo Horizonte, diversos movimentos sociais organizaram um ato para o dia 12 de agosto. Às 17hs mais de 1000 manifestantes se reuniram no centro da cidade e logo após iniciarem uma caminhada pacifica contrária ao aumento, em direção à Prefeitura Municipal, foram impedidos de prosseguirem pela Av. Afonso Pena e foram obrigados a subirem a R. da Bahia. Nessa rua, sem qualquer aviso prévio, os manifestantes foram surpreendidos covardemente pela tropa de choque da PM, ação filmada por diversos cidadãos. Cercados e agredidos na altura da rua da Bahia, com tiros de balas de borracha, bombas de efeito moral, e agressões físicas, centenas de manifestantes foram feridos e muitos tiveram que se esconder nos estabelecimentos comerciais no entorno para se protegerem. Um grupo que se refugiou em um hotel, mas a sua inviolabilidade não foi respeitada pela PM que
invadiu o local, impedindo a entrada e saída de pessoa, resultando na prisão de cerca de 50 manifestantes.

Denunciamos a atitude criminosa e autoritária do Governo Pimentel (PT), a frente do Estado de Minas Gerais, responsável pelo comando da Polícia Militar em ter autorizado esse massacre a céu aberto contra jovens e trabalhadores que, indignados com a política de oligopólio praticada pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, organiza-se pacificamente contra mais um roubo sobre a população através do aumento injustificado das passagens em Belo Horizonte.

Essa atitude de intolerância e repressão descabida revela os laços de poder e dependência que tanto a Prefeitura de Belo Horizonte, quanto a Câmara de vereadores da capital e o Governo do Estado possuem com o cartel (leia-se máfia) das empresas de transporte na capital. Estas lucram milhões as custas dos trabalhadores(as), financiam campanhas eleitorais e influem nas votações contra a redução das tarifas e o controle da população sobre o transporte público.

Diante de qualquer manifestação popular que visa lutar por seus direitos, os governos revelam seu papel de instrumento da ordem burguesa e da criminalização da resistência e da luta social.

As agressões ocorridas nesse dia 12, certamente serão o estopim de mais manifestações estado a fora e revelam o quanto os partidos da ordem burguesa ( PT, PMDB, PSB, PSDB e outros) estão a serviço daqueles que exploram a população.

O PCB se solidariza com todos os companheiros(as) presos, incluindo dois militantes da União da Juventude Comunista (UJC). Exigimos a imediata libertação dos manifestantes e a punição das autoridades envolvidas nesse criminoso ato contra o direito de manifestação e a liberdade de expressão.

Pela suspensão do aumento das passagens!

Pelo Poder Popular!

Comissão Política do PCB-MG.

Golpe branco: o capital ganha com a crise e os trabalhadores pagam a conta
18 de agosto de 2015
(Nota Política do PCB)

Aproveitando-se do auge da crise política que estimularam – sangrando o PT – e preocupados com um iminente impasse institucional em meio ao agravamento da versão brasileira da crise mundial do capitalismo, os monopólios patrocinadores das campanhas eleitorais da grande maioria dos governantes e parlamentares impõem um novo pacto burguês ao país.

Em troca de uma garantia formal e conjuntural de governabilidade, o PT – já no fundo do poço de sua trajetória de conciliação com o capital e traição à classe trabalhadora – terá que aceitar uma maior terceirização do governo, reprimir a rebeldia popular e resgatar uma cara hipoteca: a chamada “Agenda Brasil”. Isto significa que haverá mais exploração dos trabalhadores, privatização do patrimônio público residual, destruição do meio ambiente e sucateamento dos serviços públicos e do Estado, para alavancar a lucratividade dos monopólios em nome da “responsabilidade fiscal”, eufemismo para garantir o fiel e pontual pagamento aos banqueiros e outros rentistas beneficiários de uma dívida pública sem transparência.

Para assegurar essa governabilidade (que em verdade só será garantida se a economia apresentar sinais de recuperação), resolvendo a crise política institucional para se concentrar na crise econômica, instala-se um parlamentarismo de fato, sob o comando do indefectível PMDB. Os próximos passos, que já se presumem, são tirar das ruas as manifestações contra e a favor de Dilma, livrar de processos judiciais por corrupção os que aderirem à conciliação premiada, desativar a pauta “bomba”, no que se refere às questões fiscais, e isolar e amaciar os parlamentares recalcitrantes que insistirem em botar fogo no circo da democracia burguesa.

O acordo imposto pelos monopólios e costurado com as cúpulas do PT e do PMDB, e que certamente contou com o respaldo de setores do PSDB mais orgânicos ao capital, não significa um respaldo ao mandato de Dilma até 2018, mas uma trégua para apagar o incêndio da atual crise política. A arma do impedimento da Presidente continuará como uma ameaça potencial, para que ela ceda a mais exigências do capital e se torne cada vez mais refém dos caciques do PMDB, que detêm todos os cargos na linha de eventual sucessão de Dilma, por qualquer motivo.

Antevendo a vigorosa reação dos trabalhadores e dos setores populares, tanto ao ajuste fiscal e ao corte de direitos que já vêm sendo praticados por Dilma como à nova agenda neoliberal anunciada como de “união nacional”, o governo da Presidente eleita pelo PT apresentou ao Congresso Nacional um projeto de lei (número 2.016), já aprovado pela Câmara, que, a pretexto de combater o terrorismo, tem como principal objetivo a repressão e a criminalização das lutas populares contra a ordem do capital.

O PCB chama a atenção de militantes de partidos, correntes e movimentos sociais ditos de esquerda que, a partir de agora, será ainda mais insustentável a mobilização popular sob o discurso de “defesa da democracia e contra o golpe”. A burguesia já deu o golpe e ele foi contra os trabalhadores e dentro do que chamam de democracia!

Convidamos todas as forças e expressões anticapitalistas, principalmente as que se opõem ao governo petista numa perspectiva de esquerda, à necessária e urgente organização e mobilização dos trabalhadores e demais setores explorados numa unitária e massiva campanha contra as medidas neoliberalizantes contidas nos ajustes fiscais de Dilma e na “Agenda Brasil” e contra o projeto de lei 2016.

É preciso ainda incluir nesta pauta a luta pela suspensão imediata do pagamento da dívida pública. Em 2014, enquanto a União consumiu 45,11% do seu orçamento para pagar juros e amortizações da dívida, dedicou apenas 3,98% para a saúde e 3,73% para a educação. Para assegurar o pagamento aos rentistas, pontualmente, são cortados investimentos públicos e se adiam pagamentos de direitos trabalhistas, como foi o caso recente do abono salarial e, agora, da primeira parcela do décimo terceiro aos aposentados.

Basta de alimentar ilusões na classe trabalhadora. Não existe qualquer possibilidade de administrar o capitalismo de forma a torná-lo humano e ético, sobretudo em meio à crise sistêmica de sua forma imperialista.
Só a luta dos trabalhadores e demais setores proletários pode garantir seus direitos e acumular forças para acabar com a exploração e construir o Poder Popular, pavimentando o caminho à sociedade socialista.

PCB – Partido Comunista Brasileiro
Comitê Central (18 de agosto 2015)

Programas Futebol e Política do Canal do Jornal O Poder Popular.

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