terça-feira, 28 de abril de 2020

Viva o 1º de Maio! Abaixo o capitalismo!


O Partido Comunista Brasileiro (PCB) se associa a todos(as) os(as) trabalhadores(as) do mundo neste Primeiro de Maio, um dia de luta que nos remete às batalhas da classe trabalhadora mundial contra a exploração do trabalho pelo capital ao longo da história. É necessário fazermos dessa data um dia de enfrentamento contra a barbárie capitalista, para atuarmos com firmeza no quadro em que nos situamos hoje no Brasil. É hora de construir e consolidar a solidariedade entre os trabalhadores no enfrentamento à conjuntura atual e para que, mais unidos, organizados e mobilizados, passada a pandemia, tenhamos força para exigir a reconstrução do Brasil em outras bases, avançando na luta pelo poder popular, rumo ao socialismo.
Não podemos esquecer que o Primeiro de Maio, Dia internacional dos Trabalhadores, é uma homenagem aos lutadores que foram presos e condenados à morte após participarem de uma manifestação em defesa da jornada de oito horas, num sábado, no primeiro dia de maio de 1886, nos Estados Unidos. Naquele dia, milhares de trabalhadores e trabalhadoras haviam ido às ruas lutar pela redução das jornadas de trabalho, sem redução de salários. As jornadas chegavam, na época, a 16 horas por dia nos EUA. Por isso a palavra de ordem “Um dia de oito horas sem corte no pagamento” foi a senha para grandes manifestações, que desembocariam numa greve geral. A luta por jornadas de trabalho de até oito horas, por salários e remunerações dignas, melhores condições de trabalho, garantia de oferta empregos e de seguridade social sempre estiveram presentes nas lutas dos sindicatos e das organizações de trabalhadores, no enfrentamento ao capital e ao patronato, que detêm os meios de produção, as fábricas e as empresas e vivem da exploração do trabalho, apropriando-se da maior parte da riqueza produzida pela classe trabalhadora.
O capitalismo mata!
O contexto internacional de crescimento alarmante do número de infectados e mortos pelo COVID-19 demonstra a face perversa do capitalismo, responsável, na maioria dos países, pela adoção das políticas liberais, que destruíram legislações sociais e trabalhistas e desmantelaram os sistemas públicos de saúde e de bem-estar para unicamente favorecer os interesses e lucros das empresas nacionais e internacionais. Mesmo neste cenário, o imperialismo continua afiando suas garras e ameaçando os povos, como na América Latina, ao reforçar o criminoso bloqueio a Cuba Socialista e almejar agredir militarmente a Venezuela, desrespeitando o direito internacional e pondo em risco a paz na região.
Em contrapartida, a rápida e eficaz resposta dada no combate à pandemia pelos países de economia planificada e de poderosa rede de proteção social como a China, bem como aqueles que, apesar das imensas dificuldades, priorizam efetivamente o atendimento às necessidades primordiais de seus povos, como o Vietnã, a Venezuela e Cuba Socialista, demonstram a correta afirmação de que não há alternativa à barbárie capitalista senão o caminho de luta pelo Socialismo. O governo e o povo cubanos devem ainda ser reverenciados pelo exemplo da solidariedade internacionalista, uma marca presente na história da Ilha desde a Revolução de 1959 e de sua opção pela construção da sociedade socialista.
No Brasil, as práticas de austeridade, ajuste fiscal, corte de gastos, privatizações e ataques aos direitos sociais historicamente conquistados levaram ao sucateamento e extrema fragilidade dos sistemas públicos, com ênfase na saúde, deixando a imensa maioria da população em condições extremamente precárias de sobrevivência. A situação agravou-se ainda mais com a emergência da crise sanitária provocada pelo coronavírus, cujo enfrentamento impõe a defesa da vida, mediante o isolamento social e um conjunto de medidas que protejam trabalhadores e trabalhadoras, informais, precarizados em geral, desempregados(as), sem teto, sem terra, povos indígenas e o pessoal da saúde.
Apesar de o Congresso ter aprovado uma renda emergencial de R$ 600,00 para os informais e desempregados (a proposta inicial do ultraliberal Ministro da Economia era de míseros R$ 200,00), o governo boicota, retarda e impõe dificuldades para a entrega desses recursos, deixando os(as) trabalhadores(as) no desespero, provocando filas imensas nas portas das agências da Caixa Econômica Federal, cujos funcionários e funcionárias se desdobram e colocam em risco sua saúde e vida para atender milhões de pessoas, as quais de igual forma estão expostas aos riscos de contaminação com o vírus, em virtude da forma como o governo definiu a entrega desta ajuda irrisória. Mais de 30 milhões de trabalhadores(as) já recorreram ao auxílio, porém, cerca de 46 milhões estão de fora, por não se enquadrarem nas estúpidas exigências burocráticas. A situação demonstra claramente a profunda crise econômica que já existia antes da pandemia, acirrada pelas iniciativas de destruição de direitos com a aprovação das contrarreformas, o que só fez aumentar ainda mais o desemprego, a carestia, a fome e a miséria no país.
Enquanto a crise se aprofunda, o governo Bolsonaro/Mourão vem promovendo o caos, com incentivo à quebra do isolamento, às aglomerações, à abertura do comércio, às carretas da morte, de forma a produzir um ambiente de desorganização social no qual imagina que possa colher frutos para suas aventuras reacionárias. Por trás das ações de Bolsonaro está a defesa dos interesses dos banqueiros, dos grandes empresários, do agronegócio, dos rentistas e dos monopólios internacionais. O PCB denuncia os crimes contra a humanidade cometidos pelo Governo Bolsonaro, pelos quais deve ser punido, e defende a mais ampla unidade de ação em defesa das liberdades democráticas, dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras e pela vida.
Por um Primeiro de Maio Vermelho!
Nesse Primeiro de Maio mais uma vez defendemos a unidade e organização dos(as) trabalhadores(as) e a luta por uma nova sociedade, sem miséria, sem fome, sem desemprego, sem crianças e idosos abandonados, sem pessoas obrigadas a morar na rua em virtude da situação de pobreza. Uma sociedade em que todos tenham emprego, bons salários, saúde e educação pública e gratuitas, uma previdência universal com aposentadorias dignas, enfim, uma sociedade sem explorados nem exploradores, uma sociedade da abundância e da felicidade humana, a sociedade socialista.
Repudiamos a decisão das centrais sindicais que resolveram transformar as atividades do Dia Internacional da Classe Trabalhadora em palco para inimigos dos trabalhadores como FHC, Doria, Witzel, Maia etc. Foi a conciliação de classes que pavimentou o caminho para as derrotas do último período, portanto, a reorganização da classe trabalhadora exige a superação dessa política desastrosa de subserviência à burguesia. Não se pode combater o governo Bolsonaro se aliando a quem ajudou a elegê-lo e tem o mesmo programa econômico contrário aos trabalhadores.
O PCB não apenas não participará de atos com representantes políticos da burguesia, como irá denunciar junto à classe trabalhadora a capitulação das entidades sindicais que dizem representá-la desta forma. Entendemos que o campo classista do movimento sindical deve construir um ato unitário, sem concessões à direita. A Unidade Classista irá realizar uma programação de Primeiro de Maio Vermelho na parte da tarde, enfatizando a necessidade de unidade do campo classista do movimento sindical e da reorganização da classe trabalhadora, sem conciliação, com independência em relação aos patrões e governos.
Devemos fortalecer a construção do Fórum Sindical Popular e da Juventude por Direitos e pelas Liberdades Democráticas nos estados, formando ou consolidando suas coordenações estaduais e divulgando amplamente as ações da Coordenação Nacional do Fórum, tais como a Rádio Fórum e o Programa Emergencial de combate à pandemia na ótica dos trabalhadores e das trabalhadoras.
Na luta pela superação da crise atual nos marcos dos interesses da classe trabalhadora, apoiamos as iniciativas de formação de brigadas de solidariedade e de construção de comitês populares. A auto-organização dos trabalhadores e trabalhadoras, com o fortalecimento de associações e movimentos populares, das entidades estudantis e dos sindicatos classistas, são condições necessárias para preparar a contraofensiva popular capaz de derrotar o governo ultraliberal e construir a alternativa anticapitalista e anti-imperialista no Brasil.
PRIMEIRO DE MAIO: DIA DE LUTA CONTRA O CAPITALISMO!
FORA BOLSONARO E MOURÃO!
EM DEFESA DOS DIREITOS DA CLASSE TRABALHADORA E DAS LIBERDADES DEMOCRÁTICAS!
PELO PODER POPULAR NO RUMO DO SOCIALISMO!

Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

sexta-feira, 24 de abril de 2020

III EDIÇÃO DA *SEXTA VERMELHA* 🔥



Nessa transmissão, teremos uma *CONEXÃO internacional* diretamente da Venezuela 🇻🇪

📍Dia: 24/04 as 19h (horário de Brasília)

➡️ Tema: *Juventude e Trabalho na Venezuela e Brasil*

Vamos discutir a *situação dos jovens trabalhadores*, bem como abordar as diferentes medidas adotadas pelo *governo da Venezuela e do Brasil* em tempos de _crise do novo coronavírus_

👊 Com Ana Juk, Junior Sumosa (JCV *Juventude Comunista da Venezuela*), Túlio Lopes e Gabriel Lazzari

Link da transmissão: https://youtu.be/-cEYAkDo5_c

Fórum dos Partidos de Esquerda de Minas Gerais


O Fórum dos Partidos de Minas Gerais manifesta veementemente seu repúdio as declarações do Presidente Jair Bolsonaro que claramente ameaça as liberdades democráticas, o regime político constitucional e as instituições dele derivadas.
As manifestações convocadas por grupelhos protofascistas, e apoiadas por Bolsonaro, vem defendendo a volta da Ditadura Militar através de uma Intervenção direta das forças armadas e do Ato Institucional número 5.
Bolsonaro ameaça a vida, as conquistas democráticas e promove a retirada de direitos das classes trabalhadoras enquanto a pandemia de novo Coronavírus se alastra pelo País e lança o povo brasileiro numa espiral de incerteza e sofrimento.
Em Minas Gerais, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde, em seu ‘Informe Epidemiológico Coronavirus’ os casos aumentam todos os dias e o pico da Pandemia é previsto para final de abril e início de maio.
Até o momento, 19 de abril, foram 1.154 casos confirmados e oitenta óbitos em investigação, 404 óbitos suspeitos (285 descartados e trinta e nove confirmados). E o total de casos suspeitos de Covid-19 é de 74.694.
O Governador Romeu Zema (Novo) se cala diante dos absurdos do Governo Federal e vem se alinhando com os disparates bolsonaristas.
O Governo Zema pretende enfraquecer o Isolamento Social, única medida de prevenção reconhecida e recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e segue atacando os direitos do povo mineiro. Ao mesmo tempo que não atende às reivindicações dos servidores públicos estaduais, estrangula os municípios, deixa a população mineira à mercê da própria sorte e criminaliza os movimentos populares.
Para enfrentar a crise sanitária pandêmica, bem como a crise econômico-social aguda, defendemos e convocamos a população mineira a ampliar o distanciamento social, a exigir condições de vida digna durante este período, a garantir que os municípios se encarreguem das políticas de prevenção e combate ao Coronavírus, a intensificar a mobilização nas redes sociais, a apoiar as ações de solidariedade promovidas pelos movimentos populares e a construir uma forte campanha para derrotar os governos ultraliberais e autoritários de Bolsonaro e Zema.
A vida vale mais que o lucro!
Belo Horizonte -Minas Gerais , 21 de abril de 2020
Assinam:
Partido Comunista Brasileiro (PCB-MG) – Túlio Lopes
Partido Comunista do Brasil (PCdoB-MG) – Wadson Ribeiro.
Partido Socialista Brasileiro (PSB-MG) – René Vilela.
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL-MG) –Maria da Consolação e Manoel Cipriano.
Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU-MG)– Vanessa Portugal.
Partido da Refundação Comunista (PRC-MG) – Ronald Rocha.
Partido dos Trabalhadores (PT-MG) – Cristiano Silveira.
REDE-MG – Janaína Melo
Unidade Popular (UP-MG) – Elson Violante

sábado, 18 de abril de 2020

Elis Regina - "Travessia" (Elis Ao Vivo/1995)



Quando você foi embora
Fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito
Hoje eu tenho que chorar
Minha casa não é minha
E nem é meu este lugar
Estou só e não resisto
Muito tenho pra falar
Solto a voz nas estradas
Já não quero parar
Meu caminho é de pedra
Como posso sonhar
Sonho feito de brisa
Vento vem terminar
Vou fechar o meu pranto
Vou querer me matar
Vou seguindo pela vida
Me esquecendo de você
Eu não quero mais a morte
Tenho muito que viver
Vou querer amar de novo
E se não der não vou sofrer
Já não sonho, hoje faço
Com meu braço o meu viver
Solto a voz nas estradas
Já não quero parar
Meu caminho é de pedra
Como posso sonhar

terça-feira, 14 de abril de 2020

Resenha ao Vivo 3: Neres: o último preso político da ditadura em Minas G...

Algumas sugestões para aprofundar os estudos sobre a Revolução Bolivariana.


LIVROS:

BOLÍVAR, Simon. Independência e unidade latino-americana: escritos políticos de Simon Bolívar. Rio de Janeiro: Consequência Editora, 2015.

CHÁVEZ, Hugo. Discursos. República Bolivariana da Venezuela, Imprensa Nacional, 2007.

KOHAM, NÉSTOR. Del “Bolívar” de Karl Marx al marxismo bolivariano del siglo XXI. In: Simon Bolívar y nuestra independência. Una lectura latino americana. Argentina: Ediciones digitales de La Rosa Blindada, 2014.

KOHAN, Néstor: Simón Bolívar y la manzana prohibida de la revolución latinoamericana. Caracas, Editorial Trinchera, 2011.

MARINGONI, Gilberto. A revolução Venezuelana. São Paulo: Editora UNESP, 2009.

MÉSZÁROS, Icstván. A crise estrutural do capital. São Paulo: Boitempo Editorial, 2011.

FONTES HISTÓRICAS:


Jornal Tribuna Popular (Edições de 2015 a 2019).

REVISTA COMUNISTA INTERNACIONAL. Volume 1. Aracaju: J, Andrade, 2014.

VÍDEOS:

Café Bolchevique – 2 – Venezuela: Guerra, capitalismo e Imperialismo. Mauro Iasi.

Documentário: “A revolução não será televisionada” sobre a tentativa de Golpe na Venezuela em abril de 2002.

Jones Manoel - A questão da Venezuela: a história fora do mito

Pensar América Latina desde el marxismo: «Simón Bolívar y nuestra independencia» de Néstor Kohan.

FILME: 
O Libertador (2014) – Venezuela. O Libertador é uma cinebiografia de Símon Bolívar realizada pelo diretor venezuelano Alberto Arvelo.

SÉRIE: BOLÍVAR Netflix (2019).

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Ponto de Vista Antiimperialista

Ponto de Vista Antiimperialista[1*]

José Carlos Mariátegui

Junho 1929


1º – Até que ponto a situação das repúblicas latino-americanas pode ser assimilada à dos países semicoloniais? Sem dúvida, a condição econômica destas repúblicas é semicolonial, e, à medida que crescer seu capitalismo e, conseqüentemente, a penetração imperialista, este caráter de sua economia tende a se acentuar. Mas as burguesias nacionais, que vêem na cooperação com o imperialismo a melhor fonte de lucro, sentem-se suficientemente donas do poder político para não se preocuparem seriamente com a soberania nacional. Estas burguesias na América do Sul, que ainda não conhecem – com exceção do Panamá – a ocupação militar ianque, não estão predispostas de forma alguma a admitir a necessidade de lutar pela segunda independência, como supunha ingenuamente a propaganda aprista. O Estado, ou melhor, a classe dominante, não sente falta de um grau mas amplo e certo de autonomia nacional. A revolução da Independência está demasiado próxima, relativamente, seus mitos e símbolos demasiado vivos, na consciência da burguesia e da pequena burguesia. A ilusão da soberania nacional conserva-se em seus principais efeitos. Pretender que nesta camada social surja um sentimento de nacionalismo revolucionário, parecido com o que, em condições diferentes, representa um fator da luta antiimperialista nos países semicoloniais avassalados pelo imperialismo nas últimas décadas na Ásia, seria um erro grave.
Em nossa discussão com os dirigentes do aprismo, reprovando sua tendência a propor um Kuomitang à América Latina, a fim de evitar a imitação européia e situar a ação revolucionária em uma apreciação exata de nossa própria realidade, sustentávamos há mais de um ano a seguinte tese:
A colaboração com a burguesia, assim como muitos elementos feudais na luta antiimperialista chinesa, explica-se por motivos de raça, de civilização nacional que não existem entre nós. O chinês nobre ou burguês sente-se profundamente chinês. Ao desprezo do branco por sua cultura estratificada e decrépita, responde com o desprezo e o orgulho de sua tradição milenar. A antiimperialismo na China pode, portanto, basear-se no sentimento e no fator nacionalista. Na Indo-América as circunstâncias não são as mesmas. A aristocracia e a burguesia nacional não se sentem solidarizadas com o povo pelo laço de uma história e de uma cultura comuns. No Peru, o aristocrata e o burguês brancos desprezam o popular, o nacional. Sentem-se, acima de tudo, brancos. O pequeno-burguês mestiço imita este exemplo. A burguesia de Lima confraterniza com os capitalistas ianques, e mesmo com seus meros funcionários, no Country Club, no Tennis e nas ruas. O ianque casa-se sem inconveniente de raça nem de religião com a senhorita nativa, e esta não sente escrúpulo de nacionalidade nem de cultura em preferir o casamento com um indivíduo da raça invasora. A moça de classe média também não tem este escrúpulo. A huachafita que conquista um ianque empregado de Grace ou da Foundation sente com satisfação sua condição social melhorar. O fator nacionalista, por estas razões objetivas que todos vocês compreendem, não é decisivo nem fundamental na luta antiimperialista em nosso meio. Só em países como a Argentina, onde existe uma burguesia numerosa e rica, orgulhosa do grau de riqueza e poder em sua pátria, e onde a personalidade nacional tem por estas razões contornos mais claros e nítidos que nestes países atrasados, o antiimperialismo pode (talvez) penetrar facilmente nos elementos burgueses; mas por motivos de expansão e crescimento capitalistas, não por razões de justiça social e doutrina socialista, como é nosso caso.
A traição da burguesia chinesa, a falência do Kuomitang ainda não eram conhecidas em toda sua magnitude. Um conhecimento capitalista, e não por motivos de justiça social e doutrinária, demonstrou quão pouco se podia confiar, mesmo em países como a China, no sentimento nacionalista revolucionário da burguesia.
Enquanto a política imperialista conseguir manéger os sentimentos e formalidades da soberania nacional destes Estados, enquanto não for obrigada a recorrer à intervenção armada e à ocupação militar, contará com a colaboração das burguesias. Embora enfeudados à economia imperialista, estes países, ou suas burguesias, considerar-se-ão tão donos de seus destinos como a Romênia, a Bulgária, a Polônia e demais países "dependentes" da Europa.
Este fator da psicologia política não deve ser descuidado na estimativa precisa das possibilidades da ação antiimperialista na América Latina. Seu adiamento, seu esquecimento, tem sido uma das características da teorização aprista.
2º – A divergência fundamental entre os elementos que aceitaram em princípio o APRA no Peru – como um plano de frente única, nunca como partido e nem mesmo como organização efetiva – e os que, fora do Peru, definiram-no depois como um Kuomitang latino-americano consiste em que os primeiros permaneceram fiéis à concepção econômico-social revolucionária do antiimperialismo, enquanto os segundos explicam assim sua posição: "Somos de esquerda (ou socialistas) porque somos antiimperialistas". Assim, o antiimperialismo é elevado à categoria de um programa, de uma atitude política, de um movimento que basta a si mesmo e que conduz espontaneamente, não sabemos em virtude de que processo, ao socialismo, à revolução social. Este conceito leva a uma desorbitada superestimação do movimento antiimperialista, ao exagero do mito da luta pela "segunda independência", ao romantismo de que já estamos vivendo as jornadas de uma nova emancipação. Daí a tendência a substituir as ligas antiimperialistas por um organismo político. Do APRA, concebido inicialmente como frente única, como aliança popular, como bloco das classes oprimidas, passa-se para o APRA definido como o Kuomitang latino-americano.
Para nós, o antiimperialismo não constitui nem pode constituir, sozinho, um programa político, um movimento de massas apto para a conquista do poder. O antiimperialismo, admitindo que ele pudesse mobilizar a burguesia e a pequena burguesia nacionalistas, ao lado das massa operárias e camponesas (já negamos terminantemente esta possibilidade), não anula o antagonismo entre as classes, nem suprime sua diferença de interesses.
Nem a burguesia, nem a pequena burguesia no poder podem realizar uma política antiimperialista. Temos a experiência do México, onde a pequena burguesia acabou pactuando com o imperialismo ianque. Um governo "nacionalista" pode usar, em suas relações com os Estados Unidos, uma linguagem diferente que o governo de Leguía no Peru. Este governo é francamente, desaforadamente, pan-americanista, monroísta; mas qualquer outro governo burguês faria praticamente o mesmo que ele em matéria de empréstimos e concessões. Os investimentos do capital estrangeiro no Peru crescem em estreita e direta relação com o desenvolvimento econômico do país, com a exploração de suas riquezas naturais, com a população de seu território, com o aumento das vias de comunicação. Que pode contrapor a mais demagógica pequena burguesia à penetração capitalista? Nada, exceto uma embriaguez nacionalista temporária. O assalto ao poder pelo antiimperialismo, como movimento demagógico populista, se fosse possível, nunca representaria a conquista do poder pelas massas proletárias, pelo socialismo. A revolução socialista encontraria seu mais encarniçado e perigoso inimigo – perigoso por sua confusão, sua demagogia – na pequena burguesia assentada no poder, conquistado mediante suas vozes de ordem.
Sem prescindir da utilização de nenhum elemento de agitação antiimperialista, nem de nenhum meio de mobilização dos setores sociais que eventualmente podem auxiliar esta luta, nossa missão é explicar e demonstrar às massas que só a revolução socialista contraporá um obstáculo definitivo e verdadeiro ao avanço do imperialismo.
3º – Estes fatos diferenciam a situação dos países sul-americanos da situação dos países centro-americanos, onde o imperialismo ianque, recorrendo à intervenção armada sem qualquer pudor, provoca uma reação patriótica que pode fazer facilmente com que uma parte da burguesia e da pequena burguesia abracem o antiimperialismo. A propaganda aprista, conduzida pessoalmente por Haya de la Torre, não parece ter obtido melhores resultados em nenhuma outra parte da América. Suas pregações confusas e messiânicas que, embora pretendam se situar no plano da luta econômica, na verdade apelam particularmente aos fatores raciais e sentimentais, reúnem as condições necessárias para impressionar a pequena burguesia intelectual. A formação de partidos de classe e poderosas organizações sindicais, com clara consciência classista, nesses países não parece destinada ao mesmo desenvolvimento imediato que na América do Sul. Em nossos países, o fator classista é mais decisivo, está mais desenvolvido. Não há motivo para recorrer a vagas fórmulas populistas, por trás das quais não podem deixar de prosperar tendências reacionárias. Atualmente o aprismo, como propaganda, está circunscrito à América Central; na América do Sul, devido ao desvio populista, caudilhista, pequeno-burguês, como o definia o Kuomitang latino-americano, está em fase de extinção. A resolução do próximo Congresso Antiimperialista de Paris, cujo voto tem de decidir a unificação dos organismos antiimperialistas e estabelecer a distinção entre as plataformas e agitações antiimperialistas e as tarefas que competem aos partidos de classe e às organizações sindicais, colocará um ponto final na questão.
4º – Em nossos países, os interessas do capitalismo imperialista coincidem necessária e fatalmente com os interesses feudais e semifeudais da classe dos latifundiários? A luta contra o feudalismo identifica-se forçosa e completamente com a luta antiimperialista? Certamente, o capitalismo imperialista utiliza o poder da classe feudal, já que a considera a classe politicamente dominante. Mas seus interesses estratégicos não são os mesmos. A pequena burguesia, sem excetuar a mais demagógica, se atenuar na prática seus impulsos mais nacionalistas, poderá chegar à mesma estreita aliança com o capitalismo imperialista. O capital financeiro sentir-se-á mais seguro se o poder estiver em mãos de uma classe social mais numerosa que, satisfazendo certas reivindicações mais prementes e atrapalhando a orientação classista das massas, estará em melhores condições de defender os interesses do capitalismo, de ser seu custódio e servo, que a velha e odiada classe feudal. A criação da pequena propriedade, a desapropriação dos latifúndios, o fim dos privilégios feudais não são contrários aos interesses do imperialismo, de modo imediato. Pelo contrário, na medida em que os últimos resquícios de feudalismo travam o desenvolvimento de uma economia capitalista, esse movimento de extinção do feudalismo coincide com as exigências do crescimento capitalista, promovido pelos investimentos e pelos técnicos do imperialismo; que desapareçam os grandes latifúndios, que em seu lugar se constitua uma economia agrária baseada naquilo que a demagogia burguesa chama "democratização" da propriedade do solo, que as velhas aristocracias sejam deslocadas por uma burguesia e uma pequena burguesia mais poderosa e influente – e, por isso mesmo, mais apta para garantir a paz social -, nada disso está contra os interesses do imperialismo. No Peru, o regime de Leguía, embora tímido na prática diante dos interessas dos latifundiários e caciques, que em grande parte o apóiam, não tem qualquer inconveniente em recorrer à demagogia, em reclamar contra o feudalismo e seus privilégios, em bradar contra as antigas oligarquias, em promover uma distribuição do solo que transformará cada peão agrícola em um pequeno proprietário. Justamente desta demagogia, o regime de Leguía extrai suas maiores forças. O leguiísmo não se atreve a tocar na grande propriedade. Mas o movimento natural do desenvolvimento capitalista – obras de irrigação, exploração de novas minas etc. – vai contra os interesses e privilégios feudais. Os latifundiários, com o crescimento das áreas cultiváveis, com o surgimento de novos focos de trabalho, perdem sua principal força: a disposição absoluta e incondicional da mão-de-obra. Em Lambayeque, onde atualmente são efetuadas obras de irrigação, a atividade capitalista da comissão técnica que as dirige, presidida por um perito dos Estados Unidos, o engenheiro Sutton, entrou rapidamente em conflito com as conveniências dos grandes proprietários feudais. Estes grandes latifundiários são, principalmente, produtores de açúcar. A ameaça de perder o monopólio da terra e da água, e com ele o meio de dispor livremente da população de trabalhadores, enlouquece essas pessoas, levando-as a uma atitude que o governo, ainda que vinculado a muitos de seus elementos, qualifica de subversiva ou antigovernista. Sutton tem as características do empresário capitalista norte-americano. Sua mentalidade, seu trabalho chocam o espírito feudal dos latifundiários. Por exemplo, Sutton estabeleceu um sistema de distribuição das águas, baseado no princípio de que seu domínio pertence ao Estado; os latifundiários achavam que o direito sobre as águas estava ligado ao seu direito sobre a terra. Segundo sua tese, as águas lhes pertenciam; eram e são propriedade absoluta de seus terrenos.
5º – E a pequena burguesia, cujo papel na luta contra o imperialismo é tão superestimado, necessariamente se opõe à penetração imperialista, como tanto se diz? Sem dúvida, a pequena burguesia é a classe social mais sensível ao prestígio dos mitos nacionalistas. Mas o fato econômico que acompanha a questão é o seguinte: em países de pauperismo espanhol, onde a pequena burguesia, pelos seus enraizados preconceitos, resiste à proletarização; onde a mesma, pela miséria dos salários, não tem força econômica para transforma-la, pelo menos em parte, em classe operária; onde imperam o empreguismo, o recurso ao pequeno cargo do Estado, a caça ao salário e ao posto "decente"; o estabelecimento de grandes empresas que, embora explorem enormemente seus empregados nacionais, sempre representam para esta classe um trabalho mais bem remunerado, é recebido e considerado favorável pelas pessoas da classe média. A empresa ianque representa melhor salário, possibilidade de promoção, emancipação do empreguismo do Estado, no qual não há futuro, exceto para os especuladores. Este fato atua decisivamente na consciência do pequeno-burguês, que busca ou possui um posto de trabalho. Nestes países de pauperismo espanhol, repetimos, a situação das classes médias não é a mesma constatada nos países em que estas classes passaram por um período de livre concorrência, de crescimento capitalista propício à iniciativa e ao sucesso individuais, à opressão dos grandes monopólios.
Em suma, somos antiimperialistas porque somos marxistas, porque somos revolucionários, porque contrapomos ao capitalismo o socialismo como sistema antagônico, chamado a sucedê-lo, porque na luta contra os imperialismos estrangeiros cumprimos nossos deveres de solidariedade com as massas revolucionárias da Europa.

NOTA EM REPÚDIO ÀS AÇÕES MILITARES NO MAR DO CARIBE

O *Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela repudia energicamente* as declarações feitas por Donald Trump e seus funcionários na última quarta-feira (1 de abril), enviando navios e efetivos militares do Comando Sul dos Estados Unidos para o Mar do Caribe, próximo ao território venezuelano. Em meio a sua desastrosa postura frente a pandemia do Covid-19, que já configura uma crise humanitária com mais de 213 mil pessoas infectadas e 4,5 mil mortas só nos Estados Unidos, o governo Trump quer desviar a atenção pública para o deslocamento de tropas e equipamentos militares estadunidenses para uma suposta operação de combate ao narcotráfico e terrorismo no Caribe.
Desesperado e desgastado, Trump segue lançando mão de ações golpistas que promovem a desestabilização de regiões inteiras na tentativa de aumentar a sua popularidade em pleno ano eleitoral nos Estados Unidos. Ao mofado estilo macartista, o imperialismo estadunidense promove perseguições e ataques à soberania e autodeterminação dos povos, violando descaradamente a Carta das Nações Unidas.
Saudamos a manifestação da robusta estrutura do governo venezuelano no combate ao narcotráfico e ao terrorismo em colocar-se a disposição para qualquer cooperação e coordenação necessária para conter o avanço do narcotráfico e do crime organizado na região. Lembramos aqui que a própria vice presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, denunciou na tribuna das Nações Unidas a localização exata de laboratórios de drogas em território colombiano, identificados graças ao serviço de inteligência bolivariano.
Em vez de promover a cooperação internacional e colocar a vida das pessoas em primeiro lugar, o governo Trump aposta na agressividade supremacista imperialista, promovendo um *criminoso bloqueio econômico* contra o governo eleito de Nicolás Maduro e o povo venezuelano, *mobilizando uma das maiores operações militares dos Estados Unidos na região desde a invasão do Panamá em 1989.*
Diante disso, o *Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela e as entidades abaixo-assinadas repudiam energicamente* as mentiras e calúnias proferidas pelo governo Trump, como também repudiam as ações militares no Mar do Caribe sob a desculpa de combate ao narcotráfico e ao terrorismo. Se querem combater o narcotráfico e o crime organizado, os Estados Unidos deveriam buscar soluções junto ao Estado colombiano, internacionalmente conhecido como o maior produtor de drogas do mundo.
#PonerLaVidaAntesQueElCapital

*São Paulo, 2 de abril de 2020*
*ADESÕES (enviar assinaturas para paznavenezuelabr@gmail.com até 5 de abril de 2020)*
_ORGANIZAÇÕES_
1. AFRONTE – Juventude Sem Medo
2. CAL - Comitê Anti-imperialista General Abreu e Lima
3. CEBRAPAZ - Centro Brasileiro de Solidariedade Aos Povos e Luta Pela Paz
4. CMP – Central dos Movimentos Populares
5. Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro
6. Coletivo LGBT Comunista
7. Coletivo Negro Minervino de Oliveira
8. Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos – Capítulo Brasil
9. CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
10. CUT – Central Única dos Trabalhadores
11. FNL – Frente Nacional de Luta Campo e Cidade
12. Foro de São Paulo
13. Levante Popular da Juventude
14. MAB – Movimento dos Atingidos por Barragens
15. MAM – Movimento Pela Soberania Popular na Mineração
16. MMC – Movimento de Mulheres Camponesas
17. Movimento Cultural de Olha na Justiça
18. MST – Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
19. PCB – Partido Comunista Brasileiro
20. PCdoB – Partido Comunista do Brasil
21. PT – Partido dos Trabalhadores
22. UBM – União Brasileira de Mulheres
23. UJC – União da Juventude Comunista
24. UJS – União da Juventude Socialista
25. Unidade Classista

FONTE: Comitê Brasileiro pela Paz na Venezuela

domingo, 5 de abril de 2020

Governo Bolsonaro e a agenda do capital

Os ricos, os patrões e seus políticos de estimação nunca se importaram com a vida do povo trabalhador


Mario Mariano – militante do PCB em MG


Jair Bolsonaro vem cumprindo à risca a agenda dos interesses dos ricos e poderosos no Brasil. Seu modo tosco de fazer as coisas tem deixado tudo mais dramático e angustiante para a maioria do povo. Já sentíamos diariamente o sucateamento do SUS, a destruição da previdência social, os ataques aos direitos trabalhistas, a falta de moradia, o desemprego, as dificuldades da informalidade, a falta de recursos para a educação, ou seja, o estado mínimo para os pobres e forte para defender os interesses dos capitalistas.
Com a chegada do novo coronavírus no Brasil, esse quadro, que já era desumano, se torna mais doloroso, pois se soma a uma doença que tem assolado populações em todo o mundo. Temos podido ver o que nos espera se o lucro, e não a vida, continuar ser o guia de condução dos governos. O prefeito de Milão, na Itália, logo no início da pandemia em sua cidade, espalhou um vídeo pedindo para que a cidade não parasse. Passado um breve tempo, veio à TV pedir desculpas, diante de um quadro em que famílias perderam seus entes queridos em números assustadores. Caixões estão empilhados nas funerárias, e a Itália é o país com maior número de mortes causadas pela COVID-19 até agora: mais de 13 mil.
Se já sabemos, pelas experiências de diferentes países e de pesquisas na área de saúde, que estimular as pessoas a ficar em casa é uma medida bastante eficiente para salvar vidas nesse tipo de situação, qual a explicação para a atitude de Bolsonaro de debochar das medidas de isolamento e repetir que os comércios devem reabrir e que a economia não pode parar?
As falas e decisões de Bolsonaro vêm deixando escapar o verdadeiro caráter dos interesses econômicos e políticos que ele e seu governo representam. Paulo Guedes e seu ultraliberalismo na economia, Damares e sua agenda conservadora nos costumes, Weintraub e seu ataque diário a estudantes e professores, Ernesto Araújo e sua submissão a Trump são parte de um governo que, em conjunto com setores das elites que ainda os apoiam, acredita que a vida do povo trabalhador pouco importa se ela não está sob a batuta do seu patrão na lógica da sociedade capitalista. Por isso defendem a EC-95 (emenda do Teto dos Gastos), que tira dinheiro da educação e saúde para garantir os lucros dos banqueiros. Pelo mesmo motivo se esforçaram tanto para atacar a previdência social e os direitos trabalhistas, seguindo a cartilha neoliberal para garantir o chamado “bom humor” do mercado. A vida das pessoas nunca foi prioridade para esses representantes dos interesses das elites, dos bancos e dos ricos.
Bolsonaro corre atrás do tempo para fazer a economia funcionar para as elites que o elegeram. Para que serviria um presidente, na lógica do capitalismo, se ele não consegue manter um Estado que permite, diariamente, que o sangue e o suor de quem trabalha se transforme em lucro para os capitalistas? Ele usará todas as suas armas para isso, mesmo que custe a vida de milhares de pessoas que poderão ser infectadas pelo novo coronavírus e que não conseguirão atendimento em um SUS que Bolsonaro sucateou ainda mais para manter os lucros das empresas privadas da área de saúde. O jogo da exploração não pode parar para Bolsonaro e para os interesses que ele representa.
Bolsonaro e seu posicionamento nefasto sobre a pandemia é, no Brasil, a ponta de um iceberg chamado capitalismo. Isso significa que faz sentido derrubar Bolsonaro, Mourão, Paulo Guedes e seus aliados como um passo de uma tarefa ainda maior: derrotar o projeto das elites capitalistas e fortalecer uma saída para a crise atual que tenha como ponto fundamental o Poder Popular e o Socialismo, ou seja, a vida humana plena de toda sua riqueza material e não material.
Se Bolsonaro está do lado do capital e do lucro, nós devemos estar com a classe trabalhadora, do lado da vida, contra a exploração e contra toda forma de opressão. Se os ricos, os patrões e seus políticos de estimação nunca se importaram com a vida do povo trabalhador, sejamos nós a juntar nossas forças, nossa inteligência e nossa solidariedade de classe em cada local de moradia, trabalho e estudo para cuidar dos nossos e fazer avançar nossa luta para tirar Bolsonaro e Mourão do nosso caminho e construir a alternativa em que a vida derrote o lucro de uma vez por todas!

sexta-feira, 3 de abril de 2020

NOTA DOS PARTIDOS DE OPOSIÇÃO

EM DEFESA DA SAÚDE, DOS EMPREGOS E DOS SALÁRIOS; COBRAR DOS BANQUEIROS SUA COTA NESTA CRISE


Reunidos para analisar a conjuntura nacional e os impactos da crise do coronavírus sobre a saúde pública, a economia e a vida da população, os partidos políticos de oposição declaram:
1) É urgente mobilizar todos os recursos financeiros e logísticos para adquirir, dentro e fora do país, equipamentos hospitalares e de proteção ao público e aos profissionais de saúde; oferecer leitos de UTIs e aplicar testes à população nos parâmetros médico-científicos. Para dar uma amostra do atraso e insuficiencia das ações no Brasil: apesar do remanejamento de R$ 5 bilhões nas emendas orçamentárias, apenas R$ 424 milhões foram transferidos aos estados e somente esta semana chegaram ao país os 500 mil testes adquiridos na China, igual ao volume que a Alemanha aplica em apenas uma semana. É preciso recuperar o precioso tempo perdido com os erros e a imprevidência do governo federal nesta crise;
2) Total apoio à posição manifestada em nota das Centrais Sindicais nacionais sobre a Medida Provisória 936, por desrespeitar as garantias constitucionais dos acordos coletivos e da atuação sindical em defesa do trabalhador, e por não garantir o emprego e os salários;
3) A oposição vai atuar no Congresso Nacional para rejeitar a MP 936 e construir em conjunto uma proposta legislativa que garanta realmente a estabilidade no emprego e o pagamento dos salários, nas empresas economicamente afetadas pela crise, especialmente as pequenas e médias que mais empregam;
4) Já passou da hora do sistema financeiro contribuir com parcela de seus bilionários e indecentes lucros para o esforço nacional contra o coronavírus e seus impactos; é moralmente inaceitável que os banqueiros permaneçam alheios a essa crise humanitária e que o governo continue cumulando o sistema de benefícios, sem exigir contrapartidas e sequer uma justa taxação de seus lucros, no momento em que o país mais precisa.

Brasília, 2 de abril de 2020
Pedro Ivo Batista, Rede
José Luiz Penna, PV
Juliano Medeiros, PSOL
Carlos Siqueira, PSB
Carlos Lupi, PDT
Gleisi Hoffmann, PT
Luciana Santos, PCdoB
Edmilson Costa, PCB

quinta-feira, 2 de abril de 2020

NOTA UNIFICADA: PARALISAR A MINERAÇÃO POR NOSSAS VIDAS!



Hoje, 01 de abril de 2020, Mariana/MG acordou com a triste notícia da confirmação do primeiro óbito por Covid-19 na cidade. Um trabalhador de apenas 44 anos, fora do chamado “grupo de risco”, sendo, conforme indicado pela Secretaria Municipal de Saúde de Mariana, contaminado de forma comunitária, quer dizer, a transmissão do vírus aconteceu dentro da própria cidade. Lamentamos profundamente essa perda e nos solidarizamos com sua família e amigos.
Esse fato, alerta mais ainda cada trabalhador e trabalhadora que o Novo Coronavírus não se trata de uma “gripezinha”, mas que é necessário tomar fortes medidas para garantir a saúde e a vida de nossa classe, a classe trabalhadora, sendo a principal delas a garantia de isolamento social daqueles que não fazem parte de atividades essenciais em uma situação de pandemia.
Na contramão da política de isolamento social, as grandes mineradoras (Vale, Samarco, CSN e Gerdau) e suas “contratadas” mantêm sua produção, aglomerando operários e operárias dos pontos de ônibus às minas, utilizando de ações de prevenção absolutamente insuficientes, como redução parcial dos turnos, distanciamento nos ônibus e refeitórios, e triagem em algumas empresas. Até o momento já existem dois casos confirmados de Covid-19 na região sudeste da Vale S/A, sendo um em Minas Gerais. Preocupa-nos o fato de o setor minerário não ter paralisado suas atividades. Repudiamos ações do Governo Federal, como a Portaria nº 135/GM, de 28 de março de 2020, do Ministério das Minas e Energia, que autoriza o setor a manter suas atividades, não respeitando as orientações da Organização Mundial de Saúde, que estão sendo assumidas pelo mundo inteiro. Além do mais, se compararmos as normas que restringem as atividades não essenciais, não há a menor dúvida que a cadeia produtiva da indústria minerária não se enquadra como essencial de acordo com o Decreto 10.292/2020. Uma mera Portaria publicada pelo Ministro das Minas e Energia não tem efeito para dar interpretação mais flexível do que as normas restritivas do Decreto. Por ordem da hierarquia das normas, portaria interna não tem força para modificar as restrições impostas por Leis, Decretos e Recomendações Internacionais.
Os governos a nível municipal, estadual e federal que deveriam exigir mudanças quanto a essa situação, ora colaboram, ora se acovardam frente aos interesses econômicos das grandes mineradoras. Assim, junto com essas empresas, colocam a vida de seus trabalhadores, familiares e todo município em risco. Cobramos dos poderes públicos que tomem o lado da vida! Promovendo também renda básica digna aos trabalhadores autônomos e informais, isenções de impostos e crédito a juros zero a pequenos empresários e agricultores, anulação de leis que retiram recursos dos serviços públicos, mais investimentos na saúde pública e pesquisa científica, ampliando ao máximo os testes e fornecendo dados com transparência.
Passou da hora de ser garantido aos trabalhadores e trabalhadoras da mineração o direito ao isolamento social! Cada minuto faz diferença para a vida e à saúde da população das cidades mineradoras. Contudo esse direito não pode ser acompanhado de insegurança quanto aos seus empregos e salários. Por isso, deve ser combinado com estabilidade no emprego e garantia de remuneração integral a todos funcionários e funcionárias das áreas de mineração, desde as primárias às “contratadas”.
Assim, as organizações signatárias, exigem à paralisação imediata das grandes mineradoras para barrar o vírus e salvaguardar nossas cidades. Se não vier por parte da administração dessas empresas ou por ordem dos poderes públicos, convocamos os trabalhadores a construírem uma forte greve em defesa de suas vidas, de suas famílias e de suas cidades! Não podemos ser bucha de canhão da ganância das empresas, nem da irresponsabilidade e covardia dos poderes públicos. Nossas vidas primeiro!


Assinam:

Sindicato Metabase Inconfidentes
Sindicato Metabase Mariana
Sindicato dos Servidores Municipais de Mariana (Sindserv-Mariana)
Federação Sindical e Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais (FSDTM)
Sindicato dos Metalúrgicos de Ouro Preto e Região - São Julião
Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Ouro Branco (SeesS)
Sindicato dos Servidores Municipais de Ouro Preto (Sindsfop)
Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação de Minas Gerais (Sind-Ute Ouro Preto)
Sindicato Nacional dos Servidores Federais (Sinasefe) Seção IFMG
Associação dos Docentes da Universidade Federal de Ouro Preto (ADUFOP)
Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da UFOP (ASSUFOP)
Associação de Defesa de Professoras e Professores da Universidade Federal do Triângulo Mineiro – ADPROU
Secretaria Regional Leste do ANDES-SN
Sindicato dos Docentes da Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha e Mucuri (Adufvjm)

Central Sindical e Popular Conlutas (CSP-Conlutas-Minas Gerais)
Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Central das Trabalhadoras e dos Trabalhadores do Brasil (CTB)
Intersindical - Central da Classe Trabalhadora
Unidade Classista
Fórum Sindical, Popular e de Juventudes
Movimento Luta de Classes (MLC)

Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM)
Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
Comitê Popular “Pereira de Luta”

Federação das Associações de Moradores de Mariana-MG (FEAMMA)
Força Associativa dos Moradores de Ouro Preto (FAMOP)

Movimento Mulheres em Luta (MML- Mineração)
União Brasileira de Mulheres (UBM - Núcleo Ouro Preto)
União Nacional LGBT de Minas Gerais (UNALGBT)
Movimento itabiritense de Lésbicas Gays Bissexuais e Travestis (ITALGBT)
Coletivo OuTro Preto
Movimento de Mulheres Olga Benario - Núcleo Ouro Preto e Mariana
Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro
Coletivo Elas Por Elas Ouro Preto

União Nacional dos Estudantes (UNE)
União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais (UEE-MG)
União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES)
Associação Nacional de Pós Graduandos (ANPG)
União Colegial de Minas Gerais (UCMG)
Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto (DCE-UFOP)
Centro Acadêmico de Serviço Social da Universidade Federal de Ouro Preto (CASS-UFOP)
Centro Acadêmico de Letras da Universidade Federal de Ouro Preto (CALET-UFOP)

Rebeldia - Juventude da Revolução Socialista
União da Juventude Socialista de Minas Gerais (UJS-MG)
União da Juventude Comunista (UJC)
Levante Popular da Juventude
Movimento Correnteza
Juntos! Minas Gerais

Coletivo de Trabalhadores da Educação “Educação Em Luta”

Sociedade Brasileira pelo Progresso da Ciência (SBPC-Minas Gerais)
Observatório dos Vales e do Semiárido Mineiro (grupo interdisciplinar de pesquisa, ensino e extensão vinculado a UFVJM - Dimantina, MG)

Dimensão Sociopolítica da Arquidiocese de Mariana
Movimento Fé e Política - Arquidiocese de Mariana
Pastoral Afro-Brasileira da Arquidiocese de Mariana

Reitoria da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU)
Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Partido Comunista do Brasil (PCdoB)
Partido Socialismo e Liberdade (PSOL-Minas Gerais)
Partido dos Trabalhadores (PT-Ouro Preto e Mariana)
Consulta Popular
Unidade Popular Pelo Socialismo

Mandato Deputado Federal Padre João (PT)
Mandato Deputado Federal Rogério Correia (PT)
Mandato Deputada Estadual Beatriz Cerqueira (PT)
Mandato Vereador de Mariana Cristiano Vilas Boas (PT)

Programas Futebol e Política do Canal do Jornal O Poder Popular.

Programas Futebol e Política do Canal do Jornal O Poder Popular.  Camaradas; Segue os links dos Programas Futebol e Política do Can...