Um debate importante que devemos travar é sobre a ação política proletária. Nesta complexa conjuntura marcada pela CRI$E agravada pela pandemia global do Covid-19, a ação política do partido do proletariado é cada vez mais necessária. Em
seu discurso sobre a ação política da Classe Operária Friedrich Engels, pronunciado
na Conferência de Londres, em setembro de 1871, da
Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), destaca que:
A abstenção absoluta
em matéria política é impossível; por isso, todos os jornais abstencionistas
fazem política. Trata-se apenas de como se a faz e de qual. Quanto ao resto,
para nós, a abstenção é impossível. O partido operário existe já como partido
político na maior parte dos países. Não nos compete arruiná-lo, pregando a
abstenção. A experiência da vida atual, a opressão política que lhes é imposta
pelos governos existentes para fins quer políticos quer sociais, forçam os
operários a ocuparem-se de política, quer eles queiram quer não. Pregar-lhes a
abstenção seria empurrá-los para os braços da política burguesa. A seguir
à Comuna de Paris sobretudo, que pôs a ação política do proletariado na
ordem do dia, a abstenção é completamente impossível.
Nós queremos a
abolição das classes. Qual é o meio de a ela chegar? A dominação política do
proletariado, e quando todas as partes estão de acordo com isso, pedem-nos para
não nos metermos em política! Todos os abstencionistas se dizem revolucionários
e mesmo revolucionários por excelência. Mas a revolução é o ato supremo da
política; quem a quer tem de querer o meio, a ação política, que a prepara, que
dá aos operários a educação para a revolução, e sem a qual os operários, no dia
a seguir à luta, serão sempre os enganados pelos Favre e pelos Pyat.
Mas a política que é preciso fazer é a política operária; é preciso que o
partido operário seja constituído não como a cauda de qualquer partido burguês
mas como partido independente que tem o seu objetivo, a sua política própria.
As liberdades políticas, o direito de reunião e de associação e a liberdade de
imprensa, eis as nossas armas; e deveríamos cruzar os braços e abstermo-nos se
no-las querem tirar? Diz-se que todo o ato político implica que se reconheça o
estado existente das coisas. Mas quando esse estado das coisas nos dá meios
para protestar contra ele, usar esses meios não é reconhecer o estado
existente.