quinta-feira, 14 de maio de 2020

Sobre a ação política da Classe Operaria - ENGELS


Um debate importante que devemos travar é sobre a ação política proletária. Nesta complexa conjuntura marcada pela CRI$E agravada pela pandemia global do Covid-19, a ação política do partido do proletariado é cada vez mais necessária. Em seu discurso sobre a ação política da Classe Operária[1] Friedrich Engels, pronunciado na Conferência de Londres[2], em setembro de 1871, da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), destaca que:
A abstenção absoluta em matéria política é impossível; por isso, todos os jornais abstencionistas fazem política. Trata-se apenas de como se a faz e de qual. Quanto ao resto, para nós, a abstenção é impossível. O partido operário existe já como partido político na maior parte dos países. Não nos compete arruiná-lo, pregando a abstenção. A experiência da vida atual, a opressão política que lhes é imposta pelos governos existentes para fins quer políticos quer sociais, forçam os operários a ocuparem-se de política, quer eles queiram quer não. Pregar-lhes a abstenção seria empurrá-los para os braços da política burguesa. A seguir à Comuna de Paris sobre­tudo, que pôs a ação política do proletariado na ordem do dia, a abstenção é completamente impossível.
Nós queremos a abolição das classes. Qual é o meio de a ela chegar? A dominação política do proletariado, e quando todas as partes estão de acordo com isso, pedem-nos para não nos metermos em política! Todos os abstencionistas se dizem revolucionários e mesmo revolucionários por excelência. Mas a revolução é o ato supremo da política; quem a quer tem de querer o meio, a ação política, que a prepara, que dá aos operários a educação para a revolução, e sem a qual os operários, no dia a seguir à luta, serão sempre os enganados pelos Favre e pelos Pyat. Mas a política que é preciso fazer é a política operária; é preciso que o partido operário seja constituído não como a cauda de qualquer partido burguês mas como partido independente que tem o seu objetivo, a sua política própria. As liberdades políticas, o direito de reunião e de associação e a liberdade de imprensa, eis as nossas armas; e deveríamos cruzar os braços e abstermo-nos se no-las querem tirar? Diz-se que todo o ato político implica que se reconheça o estado existente das coisas. Mas quando esse estado das coisas nos dá meios para protestar contra ele, usar esses meios não é reconhecer o estado existente.



[1] Discurso Sobre a Ação Política da Classe Operária [Pronunciado na Conferência de Londres] - Friedrich Engels - 21 de Setembro de 1871 - Transcrição autorizada: Edições Avante. Primeira Edição: Publicado pela primeira integralmente na revista Internacional Comunista, n.° 29, 1934. Fonte: Obras Escolhidas em três tomos, Editorial "Avante!"Tradução: José BARATA-MOURA (Publicado segundo o manuscrito.Traduzido do francês.) Transcrição e HTML: Fernando A. S. Araújo, Setembro 2008.
Direitos de Reprodução: © Direitos de tradução em língua portuguesa reservados por 
Editorial "Avante!" - Edições Progresso Lisboa - Moscovo, 1982.
[2] Conferência de Londres da I Internacional teve lugar entre 17 e 23 de Setembro de 1871. Foi convocada sob o clima de repressão brutal que se abateu sobre os membros da Internacional após a queda da Comuna de Paris, e o número de participantes foi bastante restrito: 22 delegados com voto deliberativo e 10 com voto consultivo. Os países que não puderam enviar delegados seus foram representados pelos secretários correspondentes do Conselho Geral. Marx representava a Alemanha, Engels a Itália.
A questão da acção política da classe operária foi o principal tema dos trabalhos da Conferência de Londres e foi analisada em todos os aspectos nos discursos de Marx e Engels. A Conferência aprovou a resolução «Sobre a Ação Política da Classe Operária», cuja parte principal foi, por decisão do 
Congresso da Haia, incluída nos Estatutos Gerais da Associação Internacional dos Trabalhadores. Várias resoluções da Conferência visavam os bakuninistas, que tentavam cindir a Internacional.

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