Editorial Brasil de Fato (ed. 265)
Assim como a Colômbia do narco-presidente Álvaro Uribe é uma questão estratégica para a geopolítica dos predadores internacionais do senhor George W. Bush na América Latina, o Tibete cumpre semelhante papel na Ásia, do mesmo modo que o 14º dalai-lama é (nos perdoem os budistas sérios e dignos) apenas um senhor Uribe que consegue chegar ao Nirvana sem necessitar de coca.
Com cerca de 1,2 milhão de quilômetros quadrados e por volta de 2,2 milhões de habitantes (censo 1990), o Tibete – desde 1951 – é uma Província Autônoma da República Popular da China, situada no sudoeste do país. Tem fronteiras com Myamar (a antiga Birmânia), Butão, Sikkim, Nepal e Índia. Já antes da tomada do poder pelos comunistas chineses (1949), o Tibete – desde sempre uma região em disputa pela sua localização estratégica – era uma jurisdição de Pequim, organizando-se enquanto sociedade feudal, baseada na escravidão e subordinada a uma teocracia, regida pela aliança entre o clero budista e a aristocracia (que somavam 5% da população).
Com a criação da República Popular, a decisão do novo regime foi o de fazer reformas pacíficas da velha estrutura tibetana. Assim, em 1954, seu 14º dalai-lama foi convidado a participar da primeira Assembléia Nacional Popular da China, que elaborou a Constituição da recém fundada República, sendo eleito um dos vice-presidentes do Comitê Permanente desse organismo.
Tudo parecia correr bem, com o teocrata rasgando sedas para o novo regime, até que tiveram início as primeiras reformas democráticas dessa Região Autônoma: instituição do Estado laico, abolição da servidão camponesa (95% da população constituía-se de servos) e uma reforma agrária redistribuindo as terras. Nada tão socialista, reforminhas básicas – republicanas e democráticas – das quais já haviam dado conta a Revolução Burguesa na França, em 1789, e a Independência dos Estados Unidos àquela mesma época (1776), secundada pela Guerra de Secessão poucos anos mais tarde. Nada tão radical que não se assemelhasse às Reformas de Base propostas pelo Governo do presidente João Goulart em 13 de março de 1964, que acelerariam o processo golpista em curso, acabando por depor o Governo dias depois, em 31 de março. Enfim essas coisas que as classes privilegiadas não suportam – no Brasil, por exemplo, até uma singela política de assistência social de distribuição de bolsas é motivo de gritas, por uma elite que já se apropriou até mesmo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Em 1959 (10 de março), os teocratas e aristocratas à paisana se levantam, incendeiam prédios, assassinam funcionários e outros partidários das reformas, partem para a baderna e a violência – métodos típicos dessas classes perigosas em todo o Mundo. Estavam rompidos todos os acordos e compromissos com Pequim. Para por fim à onda de violências desencadeadas pelo pacífico dalai e seus asseclas, tropas chinesas ocuparam as ruas de Lhasa, a capital, e diversos pontos da Província Autônoma.
A partir daí, nenhum acordo mais seria possível. O dalai se exila na Índia, onde se estabelece cercado por uma côrte de 120 mil tibetanos, e firma seu conúbio promíscuo com a CIA e com as forças armadas de Nova Delhi.
É um tempo em que, enquanto o cardeal Wojtyla agia na Polônia, seu colega dalai conspirava na Índia, dando continuidade à sua carreira de senhor da guerra, da defesa dos privilégios e da exploração, embora o capital, logo depois da Queda do Muro e em pleno processo de desmonte do bloco socialista, lhe descole um Nobel da Paz em 1989. Seu colega Wojtyla não teve tanta sorte: apenas conseguiu ser indicado para a mesma láurea do Nobel. No entanto, foi coroado papa e logrou fazer seu sucessor o cardeal Ratzinger, que garante a continuidade do desmanche das conquistas alcançadas pelos católicos progressistas e de esquerda durante os pontificados de João 23 e Paulo 6º.
Vários nomes fantasia camuflaram, ao longo dos anos, a societas sceleris constituída entre o dalai e a agência estadunidense: Exército de Defesa da Religião, Sociedade Americana por uma Ásia Livre e, por fim, hoje, receber ajuda através da National Endowment for Democracy (NED), a mesma patrocinadora dos Repórteres Sem Fronteira, cujo presidente foi condecorado cavaleiro da Legião de Honra, pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy.
Em 2003, o Nobel da Paz e Senhor da Guerra, passou 18 dias nos EUA, onde encontrou com seu colega George W. Bush, incorporando-se, ao que tudo indica – como seu colega colombiano, senhor Uribe – à política de "guerras preventivas". Na ocasião, declarou que era "muito cedo para dizer se a guerra do Iraque foi um erro" acrescentando em seguida que é necessário "reprimir o terrorismo". Agora, financiados pela mesma fonte, o dalai e os seus comparsas do Repórteres Sem Fronteiras, financiados pela NED, dedicam-se a boicotar as Olimpíadas de Pequim. Apenas isto.
Assim como a Colômbia do narco-presidente Álvaro Uribe é uma questão estratégica para a geopolítica dos predadores internacionais do senhor George W. Bush na América Latina, o Tibete cumpre semelhante papel na Ásia, do mesmo modo que o 14º dalai-lama é (nos perdoem os budistas sérios e dignos) apenas um senhor Uribe que consegue chegar ao Nirvana sem necessitar de coca.
Com cerca de 1,2 milhão de quilômetros quadrados e por volta de 2,2 milhões de habitantes (censo 1990), o Tibete – desde 1951 – é uma Província Autônoma da República Popular da China, situada no sudoeste do país. Tem fronteiras com Myamar (a antiga Birmânia), Butão, Sikkim, Nepal e Índia. Já antes da tomada do poder pelos comunistas chineses (1949), o Tibete – desde sempre uma região em disputa pela sua localização estratégica – era uma jurisdição de Pequim, organizando-se enquanto sociedade feudal, baseada na escravidão e subordinada a uma teocracia, regida pela aliança entre o clero budista e a aristocracia (que somavam 5% da população).
Com a criação da República Popular, a decisão do novo regime foi o de fazer reformas pacíficas da velha estrutura tibetana. Assim, em 1954, seu 14º dalai-lama foi convidado a participar da primeira Assembléia Nacional Popular da China, que elaborou a Constituição da recém fundada República, sendo eleito um dos vice-presidentes do Comitê Permanente desse organismo.
Tudo parecia correr bem, com o teocrata rasgando sedas para o novo regime, até que tiveram início as primeiras reformas democráticas dessa Região Autônoma: instituição do Estado laico, abolição da servidão camponesa (95% da população constituía-se de servos) e uma reforma agrária redistribuindo as terras. Nada tão socialista, reforminhas básicas – republicanas e democráticas – das quais já haviam dado conta a Revolução Burguesa na França, em 1789, e a Independência dos Estados Unidos àquela mesma época (1776), secundada pela Guerra de Secessão poucos anos mais tarde. Nada tão radical que não se assemelhasse às Reformas de Base propostas pelo Governo do presidente João Goulart em 13 de março de 1964, que acelerariam o processo golpista em curso, acabando por depor o Governo dias depois, em 31 de março. Enfim essas coisas que as classes privilegiadas não suportam – no Brasil, por exemplo, até uma singela política de assistência social de distribuição de bolsas é motivo de gritas, por uma elite que já se apropriou até mesmo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Em 1959 (10 de março), os teocratas e aristocratas à paisana se levantam, incendeiam prédios, assassinam funcionários e outros partidários das reformas, partem para a baderna e a violência – métodos típicos dessas classes perigosas em todo o Mundo. Estavam rompidos todos os acordos e compromissos com Pequim. Para por fim à onda de violências desencadeadas pelo pacífico dalai e seus asseclas, tropas chinesas ocuparam as ruas de Lhasa, a capital, e diversos pontos da Província Autônoma.
A partir daí, nenhum acordo mais seria possível. O dalai se exila na Índia, onde se estabelece cercado por uma côrte de 120 mil tibetanos, e firma seu conúbio promíscuo com a CIA e com as forças armadas de Nova Delhi.
É um tempo em que, enquanto o cardeal Wojtyla agia na Polônia, seu colega dalai conspirava na Índia, dando continuidade à sua carreira de senhor da guerra, da defesa dos privilégios e da exploração, embora o capital, logo depois da Queda do Muro e em pleno processo de desmonte do bloco socialista, lhe descole um Nobel da Paz em 1989. Seu colega Wojtyla não teve tanta sorte: apenas conseguiu ser indicado para a mesma láurea do Nobel. No entanto, foi coroado papa e logrou fazer seu sucessor o cardeal Ratzinger, que garante a continuidade do desmanche das conquistas alcançadas pelos católicos progressistas e de esquerda durante os pontificados de João 23 e Paulo 6º.
Vários nomes fantasia camuflaram, ao longo dos anos, a societas sceleris constituída entre o dalai e a agência estadunidense: Exército de Defesa da Religião, Sociedade Americana por uma Ásia Livre e, por fim, hoje, receber ajuda através da National Endowment for Democracy (NED), a mesma patrocinadora dos Repórteres Sem Fronteira, cujo presidente foi condecorado cavaleiro da Legião de Honra, pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy.
Em 2003, o Nobel da Paz e Senhor da Guerra, passou 18 dias nos EUA, onde encontrou com seu colega George W. Bush, incorporando-se, ao que tudo indica – como seu colega colombiano, senhor Uribe – à política de "guerras preventivas". Na ocasião, declarou que era "muito cedo para dizer se a guerra do Iraque foi um erro" acrescentando em seguida que é necessário "reprimir o terrorismo". Agora, financiados pela mesma fonte, o dalai e os seus comparsas do Repórteres Sem Fronteiras, financiados pela NED, dedicam-se a boicotar as Olimpíadas de Pequim. Apenas isto.
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