O novo presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, que tomará posseem 15de agosto de 2008, apresentou como um dos principais pontos de suacampanhaa disposição de renegociar os termos do acordo que criou a binacionalItaipu, sobretudo no que se refere ao preço pago pelo Brasil na compradoexcedente de energia gerada.Com uma população estimada de 6.100.000 habitantes, a economia doParaguaibaseia-se, principalmente, nas atividades agropecuárias que representammaisde 70% de suas exportações que, pelo fato de o país não possuirsaída para omar, são escoadas pelo Rio da Prata, que lhe permite acesso ao oceanoAtlântico. Desse modo, a sua dependência em relação ao Prata temimposto aopaís uma subordinação aos interesses das duas principais economias daregião: Brasil e Argentina. Uma subordinação derivada, no passado, deuma"paz de cemitério".Em meados do século XIX, o Paraguai conquistou uma posição dedestaque nocontinente. O analfabetismo havia sido erradicado, fábricas foraminstaladascom subsídio estatal, uma reforma agrária fora implantada. Diante dosriscos, a emergente potência regional buscou desenvolver uma forçamilitarque lhe oferecesse garantias para um possível enfrentamento.Valendo-se de divergências regionais e da subserviência do Brasil e daArgentina, bem como de suas pretensões em se constituir hegemônica nocontinente, a coroa britânica não se esquivou em incentivar os doispaíses apraticarem o estrangulamento da economia paraguaia, impondo o fim dalivrenavegação no rio da Prata. Diante desse cerco, a guerra erainevitável.A Guerra do Paraguai constituiu um dos maiores massacres já cometidosnaAmérica do Sul. A Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai),financiadapelo capital inglês, foi responsável pelo extermínio de 300 milparaguaios,entre civis e militares, para uma população de 500 mil, além da totaldesarticulação de sua economia. Como conseqüência, o país passou aconvivercom a instabilidade política de golpes de estado, renúncias forçadasemortes de presidentes nunca explicadas, culminando com a ditadura dogeneralAlfredo Stroessner, a mais longa da América Latina (1954 a 1989),subserviente aos interesses do grande capital, já em mãosnorte-americanas,em vista do deslocamento do eixo dinâmico do capitalismo mundial.Foi justamente nessa conjuntura de total falta de liberdades políticas-tanto no Brasil quanto no Paraguai - que, em 1966, iniciam-se asconversações bilaterais para a construção da Usina Hidrelétrica deItaipu.Em 1971, o consórcio formado pelas empresas IECO (USA) e ELC (Itália)iniciou as obras. Em 26/04/1973, os dois países assinaram o Tratado deItaipu, que regulamentaria o aproveitamento hidrelétrico do rioParaná, paravigorar por 50 anos, ou seja, até 2023! Praticamente dez anos depois,em1984, entrou em operação a primeira unidade geradora da Usina. Em todaafase de negociação, planejamento e execução reinava, em ambos ospaíses, ocerceamento da liberdade de expressão, o que inviabilizava não só odebatetécnico como o debate político a respeito da questão.Dessa forma, quando o novo presidente paraguaio, Fernando Lugo,reivindica arenegociação contratual do preço da energia vendida ao Brasil, o fazcom alegitimidade de buscar realizar um debate sobre novas bases históricas.Ogoverno brasileiro não pode se valer de subterfúgios burocráticos,poispermanecerá fazendo o jogo dos interesses do grande capital e ignorandoasmazelas sociais latino-americanas sobre as quais, no caso do Paraguai,temosenorme responsabilidade histórica.O *Partido Comunista Brasileiro (PCB)* conclama o governo brasileiro asairda simples retórica da integração continental e passar para a ação,aceitando uma renegociação com o Paraguai a respeito do acordo deItaipu,sob pena de se posicionar à imagem e semelhança dos paísesimperialistas. Aintegração da América Latina não deve seguir a lógica do mercado,mas, aocontrário, estar voltada para a superação das diferenças sociais,tantoentre os países como dentro de cada um deles.Assim sendo, o *PCB* presta irrestrita solidariedade militante ao povoparaguaio, em sua luta por soberania e justiça social, fazendo votos deque,com o respaldo e a pressão do movimento de massas, o novo governo possacumprir suas promessas de campanha eleitoral, inclusive no que se refereaofim da presença militar do imperialismo norte-americano no territóriodoParaguai, que tem como objetivos estratégicos, entre outros, o controledachamada Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai) e de uma dasmaiores reservas de água doce do mundo, o Aqüífero Guarani.
*COMITÊ CENTRAL*
*Partido Comunista Brasileiro (PCB)*
Maio de 2008
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