quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

MST - 25 anos.

Vinte e cinco anos de lutas
23/12/2008


Editorial do Jornal Sem Terra


No próximo mês de janeiro, completamos 25 anos de existência. Neste um quarto de século vivido, fomos testemunhas de profundas transformações na economia e na vida dos povos de todo o mundo. A crise dos países dito “socialistas” do Leste Europeu, o fim da União Soviética e a derrota de revoluções na Nicarágua e em El Salvador deram início a um período de refluxo das lutas de massas e de retrocesso programático da esquerda em todo o mundo.Era o começo da era neoliberal, onde os seres humanos valiam muito pouco diante dos humores e desejos do Mercado. O Mercado “acordava mal-humorado”, cresciam dívidas externas, faliam países. O Estado deveria ser reduzido ao mínimo, sem serviços sociais, sem investimentos, sem empresas... A mercadoria parecia ter vida e os seres humanos é que eram mercantilizados. Talvez o melhor símbolo do neoliberalismo esteja na fronteira entre os Estados Unidos e o México, onde as empresas e produtos podem ultrapassar as fronteiras com liberdade, mas os seres humanos são recebidos a bala.No campo, estas mudanças deram origem ao que chamamos hoje de agronegócio. Grandes empresas ligadas aos bancos internacionais passaram a controlar toda a cadeia produtiva - desde as sementes até a comercialização -, serviços que pertenciam ao Estado, como a pesquisa, a assistência técnica, a regulação do comércio agrícola e o armazenamento foram privatizados ou deixaram de existir.Para a Reforma Agrária, estas mudanças significaram o total abandono do capitalismo pela democratização do acesso a terra. Aquela Reforma Agrária clássica, que estimulava o mercado interno e a produção, perdeu o sentido para os capitalistas. E se não há espaço para a Reforma Agrária neste modelo, não há espaço também para os pobres do campo que lutam por ela.Assim, em 2008, compreendemos o significado desta decisão do capital. O governo federal abandonou qualquer possibilidade de fazer a Reforma Agrária, a lentidão do Incra e a falta de vontade política do governo Lula serviram como sinal verde para que os setores mais violentos do latifúndio e mais atrasados do poder judiciário articulassem uma poderosa campanha de criminalização dos movimentos.Vinte e cinco anos depois, mais do que nunca, temos a convicção de que única Reforma Agrária possível é uma Reforma Agrária popular, obra do povo e para os interesses do próprio povo. E reafirmamos os mesmo compromissos que assumimos em Cascavel (PR), nos idos de janeiro de 1984: lutar pela terra, pela Reforma Agrária e por uma sociedade mais justa e igualitária.Porém, os próximos anos poderão abrir um novo cenário na luta de massas dos trabalhadores. Nos últimos meses temos visto a velocidade com que o projeto neoliberal tem implorado o apoio do Estado para socializar os prejuízos e garantir os lucros. A ladainha de que o Mercado resolveria os problemas da humanidade acabou. E grandes investimentos do agronegócio - como os desertos verdes da Aracruz e Votorantim ou a integração da Sadia - agora começam a falir, fruto do seu próprio modelo.Isto não significa que este modelo está completamente derrotado. As fusões de grandes bancos e empresas têm demonstrado que os setores mais fortes do Capital continuarão sobrevivendo e engolindo os menores, como é da natureza do capitalismo. Mas este momento de fragilidade, se transformado em bandeiras de luta e mobilizações de massa, poderá ser uma oportunidade histórica para a classe trabalhadora. Não haverá maneira e lugar melhores para comemorarmos nossos 25 anos que com lutas nas ruas e ocupações de latifúndios!



Coordenação Nacional do MST

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