Conjuntura Estadual.
1. O resultado das eleições em Minas Gerais representou mais uma grande vitória das elites, configurada na reeleição de Aécio Neves e do aumento na Assembléia Legislativa dos partidos da base do Governo. A vitória eleitoral de Aécio Neves só veio a coroar toda a teia de apoios sistemáticos a que o Governador obteve durante todo o 1º mandato. A população por sua vez foi submetida a uma overdose de propagandas positivas sobre Governo Aécio, todas sempre fazendo alguma alusão à importância de Minas no cenário nacional.
2. A composição política entre o PT, PMDB e PCdo B, a chamada “oposição oficial”, procurou disputar com o Governo Aécio dentro dos parâmetros da competência em administrar a máquina pública e poucas vezes chegou a fazer críticas mais consistentes ao neoliberalismo implementado no Estado. Não era por menos, o próprio PT teria dificuldades em criticar as reformas que o “Choque de gestão” promoveu sob o funcionalismo do Estado e não explicar as contradições da reforma da Previdência e a tentativa de reforma trabalhista, ambas de caráter neoliberal, encaminhadas pelo Governo Lula ao Congresso.
3. Para sacramentar essa falsa oposição, a aliança feita entre o PT e o PMDB, entorno da candidatura de Newton Cardoso ao senado, só revelou a perda dos princípios e da coerência que este partido pregou durante décadas e que o pragmatismo eleitoreiro enterrou de vez.
4. O próprio PT optou por fazer uma política de boa vizinhança com o Governo Aécio, em seu primeiro mandato, pois este também procurou estabelecer uma relação amena com o Governo Lula, mesmo nos momentos mais difíceis que o mesmo enfrentou. Não se verificou nenhuma crítica mais dura ao Governo em nenhum grande veículo de informação seja ele televisivo ou escrito, nem tão pouco os chamados partidos de oposição com grande expressão no Estado, ou seja: PT e PC do B, através dos sindicatos que dirigem não imprimiram uma campanha forte de denúncias e de oposição ao modelo de governo gerido nestes últimos quatro anos.
5. O fato é que as políticas de arrocho salarial sobre o funcionalismo público e ataques aos direitos trabalhistas, materializados no “choque de gestão” continuaram com mais intensidade em seu 2º mandato. O que a própria população não percebeu é que a médio prazo, todo o sistema público será aos poucos sucateado, precarizando mais ainda a já debilitada assistência social que o Estado deveria promover.
6. As diferenças entre PT e PSDB no que diz respeito à macro-economia e aplicação de algumas medidas de gestão do Estado são mínimas e ambos gozam da confiança do capital financeiro e produtivo para a aplicação das reformas neoliberais necessárias ao acúmulo de riquezas.
7. As eleições brasileiras em 2006 deixaram transparecer que o que vem se constituindo no Brasil é a disponibilização para a burguesia de dois grandes partidos que disputam entre si a preferencialidade do capital, que de acordo com a conjuntura, essa mesma burguesia poderá utilizar um governo de estilo mais social-liberal com concessões específicas, ou um governo mais liberal e conservador.
8. Esse cenário nos revela que há uma crise significativa de referência na esquerda e uma hegemonia não absoluta mais significativa da burguesia sob o status quo da política em Minas, pois além de contar com Partidos oficiais da representatividade de seus interesses de classe, tais como o PSDB, PMDB, DEMOCRATAS entre outros, passa a contar com partidos que mantém uma perspectiva gerencial da crise a favor da manutenção da ordem do capital, com acento nos movimentos sociais e ou na intelectualidade e na classe média, tais como o PT, PDT, PSB.
9. Pela primeira vez em Minas e no Brasil, as organizações do campo marxista conseguiram formar uma frente eleitoral que apesar de não conseguir construir um programa unitário entre os partidos que a compunham, conseguiu pelo menos qualificar a crítica ao modelo de governo operado na gestão de Aécio Neves e apresentar medidas que recolocavam em debate o modelo de sociedade e de Estado que é necessário construir, através de um manifesto a população mineira. .A formação da Frente de Esquerda Socialista por sua vez foi uma importante iniciativa das organizações do campo socialista apesar das limitações na sua composição pois esta não conseguiu reunir setores importantes que atuam nos movimentos sociais contra as mazelas do capitalismo no campo e na cidade. Além da falta de um programa político claro para o Estado e para o Brasil, a ausência da participação de importantes organizações políticas e dos movimentos sociais, a debilidade financeira e o pouco tempo de exposição na mídia prejudicaram muito o contato e o diálogo com a classe trabalhadora.
10. As lutas políticas e sociais durante todo o ano de 2007, demonstraram a possibilidade e a importância da unidade das forças de esquerda e progressistas a partir dos movimentos sindicais, estudantis, sociais e populares, como no Encontro Mineiro dos Movimentos Sociais, na jornada nacional de luta de 23 de maio, na jornada nacional em defesa da educação pública e no plebiscito popular pela reestatização da Vale. No entanto a referida unidade das forças de esquerda e progressistas em Minas, não se consubstanciou em torno de um projeto político e sim somente através de pautas e bandeiras específicas.
11. As eleições municipais em 2008 foram determinadas, em grande parte, pelo discurso da competência administrativa e de apoio ou não às políticas do Governo do Estado e do Governo Federal. Em geral as campanhas foram despolitizadas em sua essência, ficando reservado a algumas poucas candidaturas de esquerda a denuncia das contradições do neoliberalismo e os efeitos nefastos do capitalismo sobre a sociedade.
12. Nossa participação nas eleições 2008 em Minas Gerais logrou conquistar para o PCB uma maior presença no interior do Estado. Participamos ativamente das eleições municipais 2008 em Minas Gerais. O PCB conquistou seus primeiros mandatos desde 1992, a professora Cidinha Costa foi eleita com 3,3% dos votos válidos para vereadora em Borda da Mata (Sul de Minas) e o camarada Sílvio Rodrigues como vice-prefeito da cidade na coligação com o candidato eleito Edmundo (PT). Com destacada atuação na área da Educação o mandato da professora Cidinha Costa será mais uma trincheira de luta em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras e da juventude. Advogado Trabalhista no Sul de Minas, membro do Comitê Regional e ex-candidato a senador pelo PCB Sílvio Rodrigues teve destacada participação nas eleições em Borda da Mata e buscara ampliar o trabalho do Partido no fortalecimento da organização e luta dos trabalhadores e trabalhadoras da região. Em Juiz de Fora, o PCB apresentou juntamente com o PSOL a candidatura do camarada Rafael Pimenta que obteve 2% dos votos válidos na disputa pela prefeitura da cidade. A campanha de Rafael Pimenta potencializou a construção do Partido na cidade, construiu o campo da Oposição Socialista, apresentou um programa de governança comunista e teve forte diálogo com os movimentos sociais e populares e a juventude. Na capital, o PCB apoiou a candidatura de Sérgio Miranda (PDT) no primeiro turno, este obteve 3,4% dos votos válidos. A candidatura Sérgio Miranda apresentou-se como uma alternativa às candidaturas conservadoras, agregando várias organizações em torno de seu projeto e se colocando no campo da oposição independente. Em Governador Valadares, o PCB em conjunto com o PSOL apresentou a candidatura do camarada advogado Jó tendo o camarada professor Fernandão como candidato a vice-prefeito, Obtemos cerca de 1% dos votos válidos. Em Ibirité, região metropolitana de BH, o partido apoiou a candidatura do professor Enos pontes (0,8%) do PSOL. Em todos os municípios onde o partido participou das eleições procuramos apresentar o programa do Partido. O PCB apresentou candidaturas a vereador em Juiz de Fora (KAIZIN), Belo Horizonte (Fabinho do PCB), Pouso Alegre (Luiz Jesus), Ibirité (Professor Jorge) além de outros três candidatos em Santa Luzia. Apoiamos candidaturas do PCdoB (Alfenas), PT (Pouso Alegre e Poços de Caldas) e construímos uma candidatura da Frente de Esquerda (PSOL-PSTU-PCB) em São João Del Rey.
13. Com o desenvolvimento da crise econômica mundial alguns setores de peso na economia mineira, tais como a metalurgia, a indústria automobilística e a mineração já demitiram mais de dez mil trabalhadores, o que afeta um conjunto significativo da cadeia produtiva no Estado e tem levado diversos sindicatos a recuarem diante das pressões dos sindicatos patronais.
14. Esse cenário tem colocado na ordem do dia a necessidade do debate aberto com o conjunto da classe trabalhadora sobre as causas da crise e quais os seus efeitos perante os trabalhadores; situação que não ocorre em muitas categorias devido a conciliação de classe, operado pelas diretorias sindicais e ou federações ou centrais sindicais.
15. A própria Assembléia Legislativa e o Governo Estadual já estão sob o alvo de pressões da FIEMG para que reformas sejam feitas a fim de salvaguardar os interesses das grandes empresas que estão perdendo lucratividade com a crise econômica mundial.
16. Esse cenário não está desassociado do restante do país, mas desenvolverá situações mais agudas em Minas, pelo fato do complexo parque industrial do Estado e pelo papel que Minas possui no cenário político nacional, principalmente há pouco mais de um ano e meio das eleições de 2010.
17. Os desafios que se colocam aos comunistas nesse processo são conseguir desempenhar um papel de vanguarda na defesa dos direitos trabalhistas e na conscientização das massas trabalhadoras dos limites dos acordos lesivos aos trabalhadores, ao mesmo tempo em que se deve buscar constituir novos agentes de organização e representatividade no mundo do trabalho. O acentuado grau de alienação, o forte refluxo que o processo de aumento do desemprego gera no meio sindical, somado a ação de políticas de colaboração de classe e desarme ideológico que muitos sindicatos e centrais sindicais promovem, são consideráveis obstáculos que se colocam nesse processo.
18. O cenário da crise imprime aos comunistas a necessidade de ampliar e diversificar sua política de comunicação e organização junto às categorias que mais serão afetadas, assim como pensar políticas de organização de base que privilegiem as regiões do Estado que são estratégicas para o desenvolvimento econômico e a sustentação da produção industrial.
19. É importante destacar que alguns setores dos movimentos de massa, que ora foram atraídos, pelas políticas compensatórias do Governo Lula, já começaram a rever sua estratégia e buscam retornar as lutas diretas por conquistas sociais e de denuncia de políticas neoliberais ainda presentes no Governo Federal. O desenvolvimento dos efeitos da crise no Estado poderá também desenvolver a luta de classes a um patamar que essas organizações assim como muitas entidades sindicais que até então estavam em “compasso de espera” frente ao Governo, comecem a se movimentar para posições mais críticas e ofensivas.
20. O quadro sucessório para o Governo de Minas Gerais começa a ganhar contornos políticos mais definidos. A direita tradicional se organiza em torno do Governador Aécio Neves e seus aliados de primeira mão PP, PTB, Democratas (ex-PFL) e PPS. O PSDB Mineiro se articula para a disputa estadual principalmente através do vice-governador Anastasia. Este bloco da direita tradicional ainda conta com o Deputado Federal Danilo de Castro e o presidente da Assembléia Legislativa de Minas Gerais Deputado Estadual Alberto Pinto Coelho. Seus aliados de segunda mão como PDT e PSB ainda podem apresentar-se ao lado do bloco PT-PCdoB embora dificilmente se contraponham ao projeto do Governador Aécio Neves.
21. O PMDB se apresenta como alternativa de Centro-Direita no quadro político mineiro devido sua forte presença nos municípios, sua bancada expressiva de deputados estaduais e federais e lideranças políticas como o Ministro das Telecomunicações Hélio Costa. O PMDB pode ainda se aliar com um dos dois principais campos em disputa PT-PCdoB e PSDB-DEM.
22. O Partido dos Trabalhadores embora tenha se enfraquecido em Belo Horizonte cresceu e se consolidou em várias regiões do Estado. Anda goza de forte influência no movimento operário sindical, junto à juventude e nos movimentos sociais e populares do campo e da cidade. O grupo de Fernando Pimentel e Virgílio Guimarães disputa com Patrus Ananias e Luiz Dulce a liderança do PT em Minas.
23. O PSB também cresceu no Estado, principalmente através de sua vitória eleitoral em Belo Horizonte. O PSB não se configura como um partido de Centro-Esquerda em Minas Gerais.
24. O PDT se apresenta dividido com uma minoria representada por partidários ligados ao Ex-deputado Federal Sérgio Miranda (ilhada na capital) e uma maioria ligada a parlamentares do Partido e ao Secretário de Governo Manuel Costa (no conjunto do estado). O PDT faz parte da Base de sustentação política do Governo Aécio Neves.
25. O PCdoB embora tenha crescido no Estado, manteve sua política de corrente auxiliar do PT. Fortaleceu sua influência no Movimento Sindical a partir da formação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB mantém a hegemonia (através da completa passividade) nas principais entidades estudantis do estado, possui influência no movimento comunitário em várias cidades e tem presença no movimento de solidariedade internacionalista.
26. A Ultra Esquerda se enfraquece em Minas Gerais. O Partido da Causa Operária tendem cada vez mais a se isolar e apenas manter sua base social junto aos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios. A Liga Operária embora tenha presença significativa no movimento sindical em BH não logrou ampliar sua esfera de influência no movimento operário nem no movimento camponês através da Liga Internacional dos Camponeses Pobres.
27. O PSTU ampliou sua influência no Movimento Estudantil e no Movimento Operário Sindical em Minas. Embora tenha se enfraquecido na disputa político-eleitoral, se fortaleceu via construção da Coordenação Nacional de Lutas (Central Sindical. Popular e Estudantil). O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados vem acumulando três candidaturas ao governo de Minas sendo a última em coligação com Partido Socialismo e Liberdade. Suas candidaturas não apresentam um contraponto no debate político a nível estadual se resumindo a uma propaganda do programa socialista do Partido.
28. O PSOL se apresenta bastante heterogêneo no Estado, com pouca influência nos movimentos sociais e populares e não goza de lideranças parlamentares como no plano nacional. Em várias cidades possui um caráter eminentemente eleitoral, possui poucas tendências organizadas no estado com destaque para a Corrente Socialista dos Trabalhadores (Direção Municipal de BH) e o ENLACE (Direção Estadual) e no interior possui ainda influência no triângulo mineiro (através do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade).
29. O PCB deve buscar manter contatos com as organizações políticas que mantém seu foco na organização e formação do mundo do trabalho no sentido da luta contra as contradições do capitalismo e os efeitos mais nocivos da crise econômica para os trabalhadores. O PCB deve se fortalecer como alternativa partidária seja no cenário eleitoral ou no movimento de massas, para a classe trabalhadora, e os diversos grupos sociais que a compõem.
30. No processo eleitoral de 2008, o PCB se afirmou como uma força política presente em várias regiões do Estado. O PARTIDÃO está organizado e participou do processo eleitoral no Sul de Minas (Alfenas, Poços de Caldas, Pouso Alegre e Borda da Mata), na Zona da Mata (Juiz de Fora), na região do Campo das Vertentes (São João Del Rey), no Vale do Rio Doce (Governador Valadares) e na Região Metropolitana (Belo Horizonte e Ibirité).
31. O PCB deve se preparar diante dos desafios postos pela conjuntura. No nível da disputa eleitoral temos que nos esforçar para garantir um espaço político de agitação e propaganda através da participação direta na disputa para o Governo de Minas em 2010, o senado federal, a câmara dos deputados e o legislativo estadual. Para apresentarmos tal projeto teremos que buscar desde já trabalhar na perspectiva de construir um programa político para o Governo de Minas (na perspectiva da Governança Comunista), firmar contatos políticos com organizações dos movimentos sindicais, sociais e populares e dialogar com as correntes políticas de esquerda no Estado (com ou sem registro eleitoral).
32. Somente construiremos esta alternativa se o PCB retomar sua influência no movimento de massas, em especial no movimento sindical e junto à juventude. Nesse sentido o PCB deve buscar compreender seus limites ora em curso, a nível organizativo, financeiro, de formação e de agitação e propaganda, para superar essas amarras se inserindo como uma organização à altura das necessidades históricas que se colocam para o conjunto da classe trabalhadora. A estruturação do Partido deve ser planejada frente a uma conjuntura adversa e desfavorável aos trabalhadores, mas que abre possibilidades de resgate de uma ação mais abrangente do PCB junto aos trabalhadores e trabalhadoras.
1. O resultado das eleições em Minas Gerais representou mais uma grande vitória das elites, configurada na reeleição de Aécio Neves e do aumento na Assembléia Legislativa dos partidos da base do Governo. A vitória eleitoral de Aécio Neves só veio a coroar toda a teia de apoios sistemáticos a que o Governador obteve durante todo o 1º mandato. A população por sua vez foi submetida a uma overdose de propagandas positivas sobre Governo Aécio, todas sempre fazendo alguma alusão à importância de Minas no cenário nacional.
2. A composição política entre o PT, PMDB e PCdo B, a chamada “oposição oficial”, procurou disputar com o Governo Aécio dentro dos parâmetros da competência em administrar a máquina pública e poucas vezes chegou a fazer críticas mais consistentes ao neoliberalismo implementado no Estado. Não era por menos, o próprio PT teria dificuldades em criticar as reformas que o “Choque de gestão” promoveu sob o funcionalismo do Estado e não explicar as contradições da reforma da Previdência e a tentativa de reforma trabalhista, ambas de caráter neoliberal, encaminhadas pelo Governo Lula ao Congresso.
3. Para sacramentar essa falsa oposição, a aliança feita entre o PT e o PMDB, entorno da candidatura de Newton Cardoso ao senado, só revelou a perda dos princípios e da coerência que este partido pregou durante décadas e que o pragmatismo eleitoreiro enterrou de vez.
4. O próprio PT optou por fazer uma política de boa vizinhança com o Governo Aécio, em seu primeiro mandato, pois este também procurou estabelecer uma relação amena com o Governo Lula, mesmo nos momentos mais difíceis que o mesmo enfrentou. Não se verificou nenhuma crítica mais dura ao Governo em nenhum grande veículo de informação seja ele televisivo ou escrito, nem tão pouco os chamados partidos de oposição com grande expressão no Estado, ou seja: PT e PC do B, através dos sindicatos que dirigem não imprimiram uma campanha forte de denúncias e de oposição ao modelo de governo gerido nestes últimos quatro anos.
5. O fato é que as políticas de arrocho salarial sobre o funcionalismo público e ataques aos direitos trabalhistas, materializados no “choque de gestão” continuaram com mais intensidade em seu 2º mandato. O que a própria população não percebeu é que a médio prazo, todo o sistema público será aos poucos sucateado, precarizando mais ainda a já debilitada assistência social que o Estado deveria promover.
6. As diferenças entre PT e PSDB no que diz respeito à macro-economia e aplicação de algumas medidas de gestão do Estado são mínimas e ambos gozam da confiança do capital financeiro e produtivo para a aplicação das reformas neoliberais necessárias ao acúmulo de riquezas.
7. As eleições brasileiras em 2006 deixaram transparecer que o que vem se constituindo no Brasil é a disponibilização para a burguesia de dois grandes partidos que disputam entre si a preferencialidade do capital, que de acordo com a conjuntura, essa mesma burguesia poderá utilizar um governo de estilo mais social-liberal com concessões específicas, ou um governo mais liberal e conservador.
8. Esse cenário nos revela que há uma crise significativa de referência na esquerda e uma hegemonia não absoluta mais significativa da burguesia sob o status quo da política em Minas, pois além de contar com Partidos oficiais da representatividade de seus interesses de classe, tais como o PSDB, PMDB, DEMOCRATAS entre outros, passa a contar com partidos que mantém uma perspectiva gerencial da crise a favor da manutenção da ordem do capital, com acento nos movimentos sociais e ou na intelectualidade e na classe média, tais como o PT, PDT, PSB.
9. Pela primeira vez em Minas e no Brasil, as organizações do campo marxista conseguiram formar uma frente eleitoral que apesar de não conseguir construir um programa unitário entre os partidos que a compunham, conseguiu pelo menos qualificar a crítica ao modelo de governo operado na gestão de Aécio Neves e apresentar medidas que recolocavam em debate o modelo de sociedade e de Estado que é necessário construir, através de um manifesto a população mineira. .A formação da Frente de Esquerda Socialista por sua vez foi uma importante iniciativa das organizações do campo socialista apesar das limitações na sua composição pois esta não conseguiu reunir setores importantes que atuam nos movimentos sociais contra as mazelas do capitalismo no campo e na cidade. Além da falta de um programa político claro para o Estado e para o Brasil, a ausência da participação de importantes organizações políticas e dos movimentos sociais, a debilidade financeira e o pouco tempo de exposição na mídia prejudicaram muito o contato e o diálogo com a classe trabalhadora.
10. As lutas políticas e sociais durante todo o ano de 2007, demonstraram a possibilidade e a importância da unidade das forças de esquerda e progressistas a partir dos movimentos sindicais, estudantis, sociais e populares, como no Encontro Mineiro dos Movimentos Sociais, na jornada nacional de luta de 23 de maio, na jornada nacional em defesa da educação pública e no plebiscito popular pela reestatização da Vale. No entanto a referida unidade das forças de esquerda e progressistas em Minas, não se consubstanciou em torno de um projeto político e sim somente através de pautas e bandeiras específicas.
11. As eleições municipais em 2008 foram determinadas, em grande parte, pelo discurso da competência administrativa e de apoio ou não às políticas do Governo do Estado e do Governo Federal. Em geral as campanhas foram despolitizadas em sua essência, ficando reservado a algumas poucas candidaturas de esquerda a denuncia das contradições do neoliberalismo e os efeitos nefastos do capitalismo sobre a sociedade.
12. Nossa participação nas eleições 2008 em Minas Gerais logrou conquistar para o PCB uma maior presença no interior do Estado. Participamos ativamente das eleições municipais 2008 em Minas Gerais. O PCB conquistou seus primeiros mandatos desde 1992, a professora Cidinha Costa foi eleita com 3,3% dos votos válidos para vereadora em Borda da Mata (Sul de Minas) e o camarada Sílvio Rodrigues como vice-prefeito da cidade na coligação com o candidato eleito Edmundo (PT). Com destacada atuação na área da Educação o mandato da professora Cidinha Costa será mais uma trincheira de luta em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras e da juventude. Advogado Trabalhista no Sul de Minas, membro do Comitê Regional e ex-candidato a senador pelo PCB Sílvio Rodrigues teve destacada participação nas eleições em Borda da Mata e buscara ampliar o trabalho do Partido no fortalecimento da organização e luta dos trabalhadores e trabalhadoras da região. Em Juiz de Fora, o PCB apresentou juntamente com o PSOL a candidatura do camarada Rafael Pimenta que obteve 2% dos votos válidos na disputa pela prefeitura da cidade. A campanha de Rafael Pimenta potencializou a construção do Partido na cidade, construiu o campo da Oposição Socialista, apresentou um programa de governança comunista e teve forte diálogo com os movimentos sociais e populares e a juventude. Na capital, o PCB apoiou a candidatura de Sérgio Miranda (PDT) no primeiro turno, este obteve 3,4% dos votos válidos. A candidatura Sérgio Miranda apresentou-se como uma alternativa às candidaturas conservadoras, agregando várias organizações em torno de seu projeto e se colocando no campo da oposição independente. Em Governador Valadares, o PCB em conjunto com o PSOL apresentou a candidatura do camarada advogado Jó tendo o camarada professor Fernandão como candidato a vice-prefeito, Obtemos cerca de 1% dos votos válidos. Em Ibirité, região metropolitana de BH, o partido apoiou a candidatura do professor Enos pontes (0,8%) do PSOL. Em todos os municípios onde o partido participou das eleições procuramos apresentar o programa do Partido. O PCB apresentou candidaturas a vereador em Juiz de Fora (KAIZIN), Belo Horizonte (Fabinho do PCB), Pouso Alegre (Luiz Jesus), Ibirité (Professor Jorge) além de outros três candidatos em Santa Luzia. Apoiamos candidaturas do PCdoB (Alfenas), PT (Pouso Alegre e Poços de Caldas) e construímos uma candidatura da Frente de Esquerda (PSOL-PSTU-PCB) em São João Del Rey.
13. Com o desenvolvimento da crise econômica mundial alguns setores de peso na economia mineira, tais como a metalurgia, a indústria automobilística e a mineração já demitiram mais de dez mil trabalhadores, o que afeta um conjunto significativo da cadeia produtiva no Estado e tem levado diversos sindicatos a recuarem diante das pressões dos sindicatos patronais.
14. Esse cenário tem colocado na ordem do dia a necessidade do debate aberto com o conjunto da classe trabalhadora sobre as causas da crise e quais os seus efeitos perante os trabalhadores; situação que não ocorre em muitas categorias devido a conciliação de classe, operado pelas diretorias sindicais e ou federações ou centrais sindicais.
15. A própria Assembléia Legislativa e o Governo Estadual já estão sob o alvo de pressões da FIEMG para que reformas sejam feitas a fim de salvaguardar os interesses das grandes empresas que estão perdendo lucratividade com a crise econômica mundial.
16. Esse cenário não está desassociado do restante do país, mas desenvolverá situações mais agudas em Minas, pelo fato do complexo parque industrial do Estado e pelo papel que Minas possui no cenário político nacional, principalmente há pouco mais de um ano e meio das eleições de 2010.
17. Os desafios que se colocam aos comunistas nesse processo são conseguir desempenhar um papel de vanguarda na defesa dos direitos trabalhistas e na conscientização das massas trabalhadoras dos limites dos acordos lesivos aos trabalhadores, ao mesmo tempo em que se deve buscar constituir novos agentes de organização e representatividade no mundo do trabalho. O acentuado grau de alienação, o forte refluxo que o processo de aumento do desemprego gera no meio sindical, somado a ação de políticas de colaboração de classe e desarme ideológico que muitos sindicatos e centrais sindicais promovem, são consideráveis obstáculos que se colocam nesse processo.
18. O cenário da crise imprime aos comunistas a necessidade de ampliar e diversificar sua política de comunicação e organização junto às categorias que mais serão afetadas, assim como pensar políticas de organização de base que privilegiem as regiões do Estado que são estratégicas para o desenvolvimento econômico e a sustentação da produção industrial.
19. É importante destacar que alguns setores dos movimentos de massa, que ora foram atraídos, pelas políticas compensatórias do Governo Lula, já começaram a rever sua estratégia e buscam retornar as lutas diretas por conquistas sociais e de denuncia de políticas neoliberais ainda presentes no Governo Federal. O desenvolvimento dos efeitos da crise no Estado poderá também desenvolver a luta de classes a um patamar que essas organizações assim como muitas entidades sindicais que até então estavam em “compasso de espera” frente ao Governo, comecem a se movimentar para posições mais críticas e ofensivas.
20. O quadro sucessório para o Governo de Minas Gerais começa a ganhar contornos políticos mais definidos. A direita tradicional se organiza em torno do Governador Aécio Neves e seus aliados de primeira mão PP, PTB, Democratas (ex-PFL) e PPS. O PSDB Mineiro se articula para a disputa estadual principalmente através do vice-governador Anastasia. Este bloco da direita tradicional ainda conta com o Deputado Federal Danilo de Castro e o presidente da Assembléia Legislativa de Minas Gerais Deputado Estadual Alberto Pinto Coelho. Seus aliados de segunda mão como PDT e PSB ainda podem apresentar-se ao lado do bloco PT-PCdoB embora dificilmente se contraponham ao projeto do Governador Aécio Neves.
21. O PMDB se apresenta como alternativa de Centro-Direita no quadro político mineiro devido sua forte presença nos municípios, sua bancada expressiva de deputados estaduais e federais e lideranças políticas como o Ministro das Telecomunicações Hélio Costa. O PMDB pode ainda se aliar com um dos dois principais campos em disputa PT-PCdoB e PSDB-DEM.
22. O Partido dos Trabalhadores embora tenha se enfraquecido em Belo Horizonte cresceu e se consolidou em várias regiões do Estado. Anda goza de forte influência no movimento operário sindical, junto à juventude e nos movimentos sociais e populares do campo e da cidade. O grupo de Fernando Pimentel e Virgílio Guimarães disputa com Patrus Ananias e Luiz Dulce a liderança do PT em Minas.
23. O PSB também cresceu no Estado, principalmente através de sua vitória eleitoral em Belo Horizonte. O PSB não se configura como um partido de Centro-Esquerda em Minas Gerais.
24. O PDT se apresenta dividido com uma minoria representada por partidários ligados ao Ex-deputado Federal Sérgio Miranda (ilhada na capital) e uma maioria ligada a parlamentares do Partido e ao Secretário de Governo Manuel Costa (no conjunto do estado). O PDT faz parte da Base de sustentação política do Governo Aécio Neves.
25. O PCdoB embora tenha crescido no Estado, manteve sua política de corrente auxiliar do PT. Fortaleceu sua influência no Movimento Sindical a partir da formação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB mantém a hegemonia (através da completa passividade) nas principais entidades estudantis do estado, possui influência no movimento comunitário em várias cidades e tem presença no movimento de solidariedade internacionalista.
26. A Ultra Esquerda se enfraquece em Minas Gerais. O Partido da Causa Operária tendem cada vez mais a se isolar e apenas manter sua base social junto aos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios. A Liga Operária embora tenha presença significativa no movimento sindical em BH não logrou ampliar sua esfera de influência no movimento operário nem no movimento camponês através da Liga Internacional dos Camponeses Pobres.
27. O PSTU ampliou sua influência no Movimento Estudantil e no Movimento Operário Sindical em Minas. Embora tenha se enfraquecido na disputa político-eleitoral, se fortaleceu via construção da Coordenação Nacional de Lutas (Central Sindical. Popular e Estudantil). O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados vem acumulando três candidaturas ao governo de Minas sendo a última em coligação com Partido Socialismo e Liberdade. Suas candidaturas não apresentam um contraponto no debate político a nível estadual se resumindo a uma propaganda do programa socialista do Partido.
28. O PSOL se apresenta bastante heterogêneo no Estado, com pouca influência nos movimentos sociais e populares e não goza de lideranças parlamentares como no plano nacional. Em várias cidades possui um caráter eminentemente eleitoral, possui poucas tendências organizadas no estado com destaque para a Corrente Socialista dos Trabalhadores (Direção Municipal de BH) e o ENLACE (Direção Estadual) e no interior possui ainda influência no triângulo mineiro (através do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade).
29. O PCB deve buscar manter contatos com as organizações políticas que mantém seu foco na organização e formação do mundo do trabalho no sentido da luta contra as contradições do capitalismo e os efeitos mais nocivos da crise econômica para os trabalhadores. O PCB deve se fortalecer como alternativa partidária seja no cenário eleitoral ou no movimento de massas, para a classe trabalhadora, e os diversos grupos sociais que a compõem.
30. No processo eleitoral de 2008, o PCB se afirmou como uma força política presente em várias regiões do Estado. O PARTIDÃO está organizado e participou do processo eleitoral no Sul de Minas (Alfenas, Poços de Caldas, Pouso Alegre e Borda da Mata), na Zona da Mata (Juiz de Fora), na região do Campo das Vertentes (São João Del Rey), no Vale do Rio Doce (Governador Valadares) e na Região Metropolitana (Belo Horizonte e Ibirité).
31. O PCB deve se preparar diante dos desafios postos pela conjuntura. No nível da disputa eleitoral temos que nos esforçar para garantir um espaço político de agitação e propaganda através da participação direta na disputa para o Governo de Minas em 2010, o senado federal, a câmara dos deputados e o legislativo estadual. Para apresentarmos tal projeto teremos que buscar desde já trabalhar na perspectiva de construir um programa político para o Governo de Minas (na perspectiva da Governança Comunista), firmar contatos políticos com organizações dos movimentos sindicais, sociais e populares e dialogar com as correntes políticas de esquerda no Estado (com ou sem registro eleitoral).
32. Somente construiremos esta alternativa se o PCB retomar sua influência no movimento de massas, em especial no movimento sindical e junto à juventude. Nesse sentido o PCB deve buscar compreender seus limites ora em curso, a nível organizativo, financeiro, de formação e de agitação e propaganda, para superar essas amarras se inserindo como uma organização à altura das necessidades históricas que se colocam para o conjunto da classe trabalhadora. A estruturação do Partido deve ser planejada frente a uma conjuntura adversa e desfavorável aos trabalhadores, mas que abre possibilidades de resgate de uma ação mais abrangente do PCB junto aos trabalhadores e trabalhadoras.
Um comentário:
olá tulio lopes,podia colocar "seja seguidores" para que os leitores do blog podese seguir o blog pelo seu panel...valeu....
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