sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Uma Estória da Terra do Nunca…



(ou do Sempre?!… ou do de vez em quando?)

A estrada do mal



Havia um dragão comedor de dinheiro público e sua bruxa vassala sem vassoura.

Naquele lugar tinha um grupo ecológico que nunca participou da luta ambiental,

pelo menos na defesa do meio ambiente.

Quando atuou, sempre o fez em benefício próprio, de seu nicho.

Chegou mesmo a defender que fosse derrubada uma mata muito bonita

para construção de condomínio de casas, que era um escândalo.

Outros movimentos defendiam matas, águas, reciclagem do lixo,

o desenvolvimento do vilarejo em benefício de todos e a liberdade

e aquele grupo não marcava presença em lugar nenhum.

Começou a ficar evidente…, então era preciso achar uma saída para esta ausência.

Havia no grupo pessoas de boa índole e outras oportunistas, como em todo lugar…



O dragão comedor de dinheiro público, corrupto, venal

comprava votos descaradamente nas eleições.

Gente e dinheiro lambuzados de corrupção

trazido em mochilas escolares por pessoas até então dignas de deferência.

O dragão achou que tudo podia,

confiante que o povo humilde e ignorante nada faria para se defender

e que os lordes da justiça e a polícia nada fariam contra ele também.

E imaginou uma estrada do mal

que levava a nenhum lugar, mas que destruía lagos de água potável,

casas de moradia, vidas e sossegos,

matas protegidas e patrimônio histórico de toda uma existência daquele vilarejo.



Não era só isso, o dragão comedor de dinheiro público também queria

destruir o trânsito e planejou que a estrada terminaria no centro da localidade

para infernizar a vida de todos por muitos séculos.

Para enganar os servos, os incautos, os lordes do judiciário, a polícia, os políticos

e todos os demais cidadãos ou forasteiros

o dragão comedor de dinheiro público trouxe de longe uma bruxa

que não usava vassoura só para dissimular

e que tinha especial prazer em mentir e falsear a verdade, desinformando sempre.



A população organizou-se em reuniões, abaixo-assinados, manifestações

contra a construção da estrada do mal.

Achavam que o vilarejo tinha que ter um contorno rodoviário,

já que as carroças dos vizinhos passavam pelo centro da cidade e

atrapalhavam o trânsito local.

Mas, a burrice e cegueira voluptuosa do dragão comedor de dinheiro público

insistia na construção da estrada que perturbaria toda a vida local

e terminava no centro do vilarejo.



A população procurou o juiz da cidade para mostrar-lhe todos os documentos e motivos

que tinha contra aquela idéia absurda e caótica,

já que a estrada terminava no centro da cidade.

Procuraram o juiz ajudante (muito jovem ainda) num dia 13 de maio,

levaram para ele provas de fraude, ausência de licitação, superfaturamento.

O juiz (muito jovem ainda) deveria responder os pedidos em 10 dias,

mas ficou estudando o processo por cinco meses.

O juiz (muito jovem ainda) decidiu no dia 20 de outubro do mesmo ano,

que a estrada era do bem e que podiam construí-la,

mandando publicar no jornal do poste do vilarejo no dia 25 de outubro.



No dia seguinte, 26 de outubro, por coincidência,

esteve no vilarejo o ajudante de ordens do Rei para assuntos de estradas e carroças

visitando a estrada do mal,

que o dragão comedor de dinheiro público e a bruxa sem vassoura

disseram-lhe, perfidamente, que era estrada muito bacana.



O ajudante de ordens do Rei para assuntos de estradas e carroças visitou a estrada do mal,

achando que era do bem.

Voltou para a Corte Real muito satisfeito com tudo que viu

e recomendou ao Rei sua simpatia por todos:

o juiz (muito jovem ainda), o dragão comedor de dinheiro público e a bruxa sem vassoura.



Dois dias depois, em 28 de outubro, o Colégio dos Magistrados adido à Corte Real

em reunião solene nomeou o juiz ajudante (muito jovem ainda) para juiz titular

e o mandou para bem longe daquele vilarejo,

em atendimento aos interesses da Corte Real e do Colégio de Magistrados adido à Corte Real.



Só não contavam, todos, que seriam flagrados na mentira pelo justiceiro sem máscara.

Este mandou que fosse interrompida a remessa de moedas reais para a estrada do mal,

certo que estava da fraude e da corrupção deslavada que observara

no exame inquisitorial que fizera nos documentos a ele remetidos pela população.



O grupo ecológico passou a divulgar a notícia com protagonismo invejável…



Jornal do Poste de um vilarejo à margem do Poder

Dezembro daquele ano



(Faça sua denúncia, mas não cole no poste, porque a Realeza e seus vassalos

dizem que isso é contra a lei)


http://www.rafaelpimenta.com.br/
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