(ou do Sempre?!… ou do de vez em quando?)
A estrada do mal
Havia um dragão comedor de dinheiro público e sua bruxa vassala sem vassoura.
Naquele lugar tinha um grupo ecológico que nunca participou da luta ambiental,
pelo menos na defesa do meio ambiente.
Quando atuou, sempre o fez em benefício próprio, de seu nicho.
Chegou mesmo a defender que fosse derrubada uma mata muito bonita
para construção de condomínio de casas, que era um escândalo.
Outros movimentos defendiam matas, águas, reciclagem do lixo,
o desenvolvimento do vilarejo em benefício de todos e a liberdade
e aquele grupo não marcava presença em lugar nenhum.
Começou a ficar evidente…, então era preciso achar uma saída para esta ausência.
Havia no grupo pessoas de boa índole e outras oportunistas, como em todo lugar…
O dragão comedor de dinheiro público, corrupto, venal
comprava votos descaradamente nas eleições.
Gente e dinheiro lambuzados de corrupção
trazido em mochilas escolares por pessoas até então dignas de deferência.
O dragão achou que tudo podia,
confiante que o povo humilde e ignorante nada faria para se defender
e que os lordes da justiça e a polícia nada fariam contra ele também.
E imaginou uma estrada do mal
que levava a nenhum lugar, mas que destruía lagos de água potável,
casas de moradia, vidas e sossegos,
matas protegidas e patrimônio histórico de toda uma existência daquele vilarejo.
Não era só isso, o dragão comedor de dinheiro público também queria
destruir o trânsito e planejou que a estrada terminaria no centro da localidade
para infernizar a vida de todos por muitos séculos.
Para enganar os servos, os incautos, os lordes do judiciário, a polícia, os políticos
e todos os demais cidadãos ou forasteiros
o dragão comedor de dinheiro público trouxe de longe uma bruxa
que não usava vassoura só para dissimular
e que tinha especial prazer em mentir e falsear a verdade, desinformando sempre.
A população organizou-se em reuniões, abaixo-assinados, manifestações
contra a construção da estrada do mal.
Achavam que o vilarejo tinha que ter um contorno rodoviário,
já que as carroças dos vizinhos passavam pelo centro da cidade e
atrapalhavam o trânsito local.
Mas, a burrice e cegueira voluptuosa do dragão comedor de dinheiro público
insistia na construção da estrada que perturbaria toda a vida local
e terminava no centro do vilarejo.
A população procurou o juiz da cidade para mostrar-lhe todos os documentos e motivos
que tinha contra aquela idéia absurda e caótica,
já que a estrada terminava no centro da cidade.
Procuraram o juiz ajudante (muito jovem ainda) num dia 13 de maio,
levaram para ele provas de fraude, ausência de licitação, superfaturamento.
O juiz (muito jovem ainda) deveria responder os pedidos em 10 dias,
mas ficou estudando o processo por cinco meses.
O juiz (muito jovem ainda) decidiu no dia 20 de outubro do mesmo ano,
que a estrada era do bem e que podiam construí-la,
mandando publicar no jornal do poste do vilarejo no dia 25 de outubro.
No dia seguinte, 26 de outubro, por coincidência,
esteve no vilarejo o ajudante de ordens do Rei para assuntos de estradas e carroças
visitando a estrada do mal,
que o dragão comedor de dinheiro público e a bruxa sem vassoura
disseram-lhe, perfidamente, que era estrada muito bacana.
O ajudante de ordens do Rei para assuntos de estradas e carroças visitou a estrada do mal,
achando que era do bem.
Voltou para a Corte Real muito satisfeito com tudo que viu
e recomendou ao Rei sua simpatia por todos:
o juiz (muito jovem ainda), o dragão comedor de dinheiro público e a bruxa sem vassoura.
Dois dias depois, em 28 de outubro, o Colégio dos Magistrados adido à Corte Real
em reunião solene nomeou o juiz ajudante (muito jovem ainda) para juiz titular
e o mandou para bem longe daquele vilarejo,
em atendimento aos interesses da Corte Real e do Colégio de Magistrados adido à Corte Real.
Só não contavam, todos, que seriam flagrados na mentira pelo justiceiro sem máscara.
Este mandou que fosse interrompida a remessa de moedas reais para a estrada do mal,
certo que estava da fraude e da corrupção deslavada que observara
no exame inquisitorial que fizera nos documentos a ele remetidos pela população.
O grupo ecológico passou a divulgar a notícia com protagonismo invejável…
Jornal do Poste de um vilarejo à margem do Poder
Dezembro daquele ano
(Faça sua denúncia, mas não cole no poste, porque a Realeza e seus vassalos
dizem que isso é contra a lei)
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