sexta-feira, 29 de abril de 2011

NOTA POLÍTICA DO PCB



Crescem os desafios da classe trabalhadora neste ano de 2011. A crise econômica mundial continua a fazer estragos em vários países, como resultado do regime de economia de mercado, o qual coloca em risco a sobrevivência da espécie humana, ao desprezar as necessidades básicas dos trabalhadores, apenas para garantir a manutenção dos enormes lucros obtidos por bancos e grandes corporações capitalistas. O recrudescimento da crise internacional do capitalismo deverá encontrar no Brasil um governo não mais disposto a liberar crédito para aumentar o consumo (na verdade, uma política de endividamento crescente da população em favor do lucro dos bancos e da cooptação das camadas populares para a ilusória sensação de melhoria das condições de vida).
O Governo Dilma, em suas primeiras ações, voltou a atender prioritariamente as vontades e necessidades dos grandes banqueiros e empresas nacionais e multinacionais, optou por um salário mínimo de R$ 545,00 (praticamente 0% de reajuste, em termos reais) e, sob os argumentos de combate ao “retorno da inflação” e ao desequilíbrio das contas públicas, cortou cerca de R$ 50 bilhões no orçamento (atingindo, como sempre, as despesas com investimentos na área social) e aumentou as taxas de juros, jogando nas costas dos trabalhadores todo o peso dos efeitos do déficit promovido pelo governo.
O que não se cortou e, pelo que tudo indica não será cortado, são os gastos com o pagamento de juros da dívida brasileira. Só no ano de 2010, o Brasil retirou cerca de 200 bilhões de reais dos cofres públicos para pagar a dívida interna, deixando de investir grande parte do PIB na melhoria das condições de vida da população. Se a economia brasileira cresceu a uma taxa recorde de 7,5% em 2010, conforme anunciado pelo IBGE, alçando o país ao posto de sétima economia do mundo, a desigualdade social aprofundou-se e o Brasil ocupa hoje a 70ª posição no ranking mundial do IDH (Índice do Desenvolvimento Humano).
Lula deu continuidade à política macroeconômica da era FHC, aplicando apenas uma política compensatória mais agressiva. Dilma segue a cartilha de Lula, com a diferença de que porá o pé no freio em relação aos gastos sociais, atendendo aos ditames do mercado mundial, em que a palavra de ordem é o ajuste fiscal, política esta que só faz rebaixar ainda mais a qualidade de vida dos trabalhadores em todo o mundo para salvar os grandes capitalistas da crise criada por eles mesmos.
O Governo Dilma já anunciou a retomada dos leilões dos campos de petróleo e de áreas de exploração no pré-sal, mantendo a política de dilapidação dos recursos naturais brasileiros, no momento em o presidente dos Estados Unidos reafirma para o mundo a intenção de recuperar a primazia dos interesses estadunidenses e de suas empresas no mercado global, dando provas desta intenção ao mandar bombardear a Líbia, precisamente quando estava em visita ao Brasil.
Os primeiros meses do Governo Dilma foram também demonstrativos da crescente insatisfação de diversos grupos sociais, tais como as manifestações de estudantes e de trabalhadores em protesto contra a elevação dos preços das passagens de ônibus em várias cidades do Brasil, nas quais a violência policial sempre se faz sentir. Os trabalhadores da construção civil ligados às obras do PAC também reagiram às condições de superexploração e semiescravidão impostas pelas empreiteiras – empresas multinacionais, como a Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e outras – muitas delas financiadoras das campanhas eleitorais do PT e de seus aliados. Mais de 80 mil trabalhadores já cruzaram os braços nas obras espalhadas pelo Norte, Nordeste e Centro-Oeste do país. As centrais sindicais governistas, cumprindo o papel de conciliadoras, foram chamadas a combater o ânimo dos trabalhadores para assegurar a continuidade das obras, sem mais conflitos, nas obras onde estão trabalhando mais de um milhão de operários.
Essas mesmas centrais irão repetir este ano as grandes festas no 1º de Maio, com artistas famosos, distribuição de brindes, bebidas e sorteios, além de muito discurso a favor do Governo e do “pacto entre trabalhadores e patrões”. A velha máxima do “pão e circo” será a tônica em muitos centros urbanos do país, buscando desarmar ideologicamente a classe trabalhadora brasileira no enfrentamento ao patronato e ao sistema capitalista.
Denunciamos esse tipo de manipulação e promoção de alienação junto à classe trabalhadora, como se tudo estivesse bem e não houvesse contradições a serem denunciadas sobre o Governo e o sistema capitalista, que continua retirando direitos e desmantelando a rede de proteção social da classe trabalhadora.
O PCB entende que é hora reforçar a unidade dos movimentos populares, das forças de esquerda e entidades representativas dos trabalhadores, no caminho da formação de um bloco proletário capaz de contrapor à hegemonia burguesa uma real alternativa de poder popular, com a organização da Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, que possa ordenar ações unitárias contra o poder do capital e do imperialismo, rumo à construção da sociedade socialista.

Pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários.

Salário mínimo do Dieese.

Fim do imposto de renda sobre os salários.

Solidariedade internacionalista à luta dos trabalhadores.

Unidade da classe trabalhadora numa Frente Anticapitalista e Anti-imperialista.

COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO

Maio 2011

terça-feira, 26 de abril de 2011

Manifestações do dia 28 de abril em Minas

JUIZ DE FORA
Concentração às 16h no Calçadão (Halfeld próximo ao Banco do Brasil)
 
BELO HORIZONTE
Concentração às 10h na Praça Sete
 

28 DE ABRIL - DIA INTERNACIONAL EM MEMÓRIA ÀS VÍTIMAS DE ACIDENTES E

Vinte e oito de abril,


Em diversos continentes,

Eventos homenageiam,

De maneiras diferentes,

Aos trabalhadores vítimas

De doenças e acidentes.

É, para os trabalhadores,

O dia internacional,

Lembrança aos colegas mortos,

Manifesto sindical,

Chamando atenção do mundo

Para um problema real.

Essa data instituiu-se

Para manifestação

No ano sessenta e nove

Quando exercendo a função

Setenta e oito mineiros

Morreram numa explosão.

Isso ocorreu na Virgínia,

Um estado americano,

E após três décadas e meia

Que aconteceu esse dano

Se constatam infelizmente

Novas vítimas todo ano.

Os que se juntam na rua

Em torno do manifesto

Fazem enterro simbólico

No momento do protesto

E há razão suficiente

Pra justificar o gesto.

As passeatas comportam

Ativos e inativos,

Comungando ao mesmo tempo

Os mesmos objetivos,

Relembrando os que estão mortos,

Defendendo os que estão vivos.

É pedida nesse dia

Uma atuação constante

Contra acidente fatal,

Doença incapacitante,

Que segundo as estatísticas

Têm ocorrido bastante.

Nessa data é discutida

A legislação local,

Faixas, cartazes, discursos,

Sempre o mesmo ritual,

Cobrando rigor nas normas

De segurança geral.

Trabalhadores exigem

Condição satisfatória,

Os mártires da mesma luta

Têm resgatada a memória,

As injustiças não podem

Ficar à margem da história.

Visam a fazer as pessoas

Tomarem conhecimento,

Higidez e segurança

Dependem de investimento

E a prevenção custa menos

Do que qualquer tratamento.

As tragédias deixam claro

O que deve ser mudado,

A comparação é feita

Quando o pretérito é lembrado,

O presente é refletido

E o futuro é preparado.

Os acidentes ocorrem

Do escritório ao cascalho,

Categorias discutem

Sobre o que ainda está falho,

Propondo o melhoramento

Das condições de trabalho.

O fato de, atualmente,

Ser comum se ver alguém

Contaminado por cílica,

Por amianto também,

Mostra que o Brasil precisa

De mais prevenção do que tem.

Há condições adversas

De pessoas conduzidas

A trabalhar com mercúrio,

A lidar com pesticidas.

Uma simples negligência

Pode custar muitas vidas.

Incidências de operários

Que de asbestose padecem,

Os que de máquinas são vítimas,

Os que de câncer falecem,

Muitas delas, evitáveis,

Freqüentemente acontecem.

Acidentes e doenças

Ocorrem em todo reduto,

Segundo a OMS,

Pode o gasto absoluto

Chegar a quatro por cento

Do Produto Interno Bruto.

É cobrado mais empenho

Das empresas do País,

Mais atuação das CIPAs,

Disposição de EPIs,

Tendo ambiente seguro,

Há trabalhador feliz.

A OIT deixa claro

Quanto ao assunto: acidente,

Cerca de três mil pessoas

São vítimas diariamente,

Essa estatística precisa

Reduzir daqui pra frente.

Nesses trinta e cinco anos

A tragédia é relembrada,

Foi, em diversos países,

Essa data incorporada.

Uma causa quando é justa

Não pode ser desprezada.

Aqui não é diferente,

Vinte e oito de abril,

Um projeto no Congresso

Tramita desde dois mil,

Pra oficializar

Esta data Brasil.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

La Internacional, en el VI Congreso del Partido y cantada por Fidel Castro

Caros amigos do MST



Organizamos neste final de mês uma jornada de lutas que expressa toda nossa indignação com a impunidade ao massacre de Eldorado dos Carajás e as injustiças cada dia mais arraigadas neste país.

A Reforma Agrária em Minas Gerais está paralisada. O governo do estado é negligente com a situação do povo sem terra e está acontecendo uma perseguição sistemática aos movimentos sociais. Em 4 meses de governo Anastasia, já foram executados 4 despejos em nossas áreas. Existem mais 13 pedidos de reintegração de posse. Durante os 8 anos deste governo demotucano, não tivemos acesso a nenhuma política mais efetiva de Reforma Agrária ou a qualquer serviço público decente, direito de nossos sem-terra e dever do estado. Presença do estado, só através da polícia militar, nos despejos. Também temos problemas com os órgãos ambientais, que estabelecem empecilhos à concessão de licenciamentos ambientais para os trabalhadores rurais sem terra, ao passo que permitem todo tipo de projetos extremamente danosos ao meio ambiente, como grandes barragens, mineração, etc.

Por todas estas razões, o povo mineiro sem terra se reúne na capital. Durante a jornada de lutas realizaremos diversas reuniões com órgãos do governo, audiências, atos públicos e marchas. Hoje, dia 25, às 19 horas, inauguramos o grande acampamento em frente à Assembléia Legislativa e convidamos você, que apóia a Reforma Agrária, para participar deste ato de abertura. Sua presença é essencial para nós!

Atenciosamente,

Direção Estadual MST – MG

Mais informações sobre a jornada:

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O legado marxista e a luta política na América Latina

Ivan Pinheiro*

Em primeiro lugar, agradecer o honroso e irrecusável convite para participar deste importante seminário, que se propõe a trazer o legado de Marx para colocá-lo a serviço da luta de classes, em especial na América Latina, e não apenas para uma discussão meramente acadêmica ou diletante.


 
A vasta obra de Marx e Engels é a principal contribuição para nós revolucionários entendermos a natureza do capitalismo e identificarmos os aliados e inimigos de classe do proletariado, levando em conta a conjuntura e a correlação de forças, em cada época, em cada país. Conhecendo nossos inimigos e aliados, à luz dos ensinamentos de Marx, podemos acertar mais do que errar, na luta para destruir o estado burguês e emancipar o proletariado.

Do ponto de vista da ação, das contradições do capitalismo e da luta política, podemos afirmar que o MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA, que Marx compartilhou com Engels há 163 anos, continua tão atual quanto fundamental como contribuição aos partidos que lutam pela revolução socialista.

Marx está vivo quando se confirmam suas análises de que o capital extrapolaria seus limites nacionais, assumindo dimensão mundial e aumentando, quanto mais senil, suas tendências destrutivas frente à humanidade. Nunca foram tão expressivas e inconciliáveis as contradições entre a apropriação privada do capital e o caráter social da produção e portanto tão agudas as crises cíclicas de superprodução, agora com características estruturais, em que não se distinguem, temporalmente, ciclos, mas novas manifestações de uma mesma crise sistêmica. Trata-se de uma crise global, que Jorge Beinstein chama de crise da civilização burguesa, multifacética, em que os EUA estão no epicentro. Trata-se de uma crise do modo de produção capitalista.

A CRISE DO CAPITALISMO:

A crise sistêmica do capitalismo gera necessidades cada vez maiores de reprodução do capital. Disputas de mercados, escassez de fontes energéticas e recursos naturais atiçam as contradições inter-burguesas e empurram o imperialismo para novas aventuras militares. Estamos assistindo guerras imperialistas no Iraque e no Afeganistão, e agora na Líbia, e as tentativas de se abrirem novos focos de conflito, como no Irã, na Síria, na Coréia do Norte, além da continuidade da ocupação palestina.


 
Para tentar sair da crise, o capital saqueia os cofres públicos para salvar banqueiros e oligopólios; ataca os direitos sociais e trabalhistas, diminui a qualidade dos serviços públicos; aprofunda a exploração e a barbárie, a fome e a miséria. Para tal, recrudescerão a criminalização e a repressão aos movimentos sociais e às organizações populares e revolucionárias.



Esta crise, apesar de seus elementos estruturais, não é, por si só, a crise final do capitalismo, que não cairá de podre. Mas, dialeticamente, poderá criar as condições - com o provável acirramento da luta de classes em âmbito mundial – para colocar em relevo o protagonismo do proletariado e, a depender de certos fatores, influenciar positivamente a correlação de forças, abrindo possibilidades para o avanço da luta pela superação do capitalismo, na perspectiva do socialismo.

Apesar da diminuição relativa e gradual de sua hegemonia econômica, cultural, política e ideológica, os EUA ainda detêm a hegemonia militar inconteste, o que lhes permite continuar como o pólo mais importante num mundo cada vez mais multipolar, ainda que no campo capitalista. No caso da América Latina, o imperialismo norte-americano é altamente hegemônico e o inimigo principal dos povos da região. Reconhecer isto não significa alimentar ilusões de escolhermos outros imperialismos, como se as contradições entre eles fossem significativas.

Os trabalhadores passaram as duas últimas décadas do século passado numa luta passiva, em função da avassaladora hegemonia do imperialismo, sobretudo o norte-americano. A desagregação da URSS teve um impacto arrasador, na medida em que deixou de ser um campo em que as forças progressistas e revolucionárias podiam obter apoio e que o mundo deixou de ser bipolar.

No entanto, os trabalhadores vêm aumentando a sua combatividade e os povos do Oriente Médio e do Norte da África se levantam contra tiranias, o imperialismo e o sionismo. Em várias partes, os trabalhadores retomam suas lutas e se colocam como vanguarda alternativa na luta de classes.

A CORRELAÇÃO DE FORÇAS NA AMÉRICA LATINA



A América Latina é uma das regiões do mundo em que a resistência retomou com mais força, apesar da heterogeneidade dos processos de mudança. Neste século, até por volta de 2008, as forças populares e anti-imperialistas contabilizavam mais avanços que retrocessos, sobretudo após a grande vitória do povo venezuelano, no fracassado golpe contra Chávez em 2002, talvez a primeira derrota golpista dos EUA na região.

Cuba não ficaria mais sozinha na luta contra o imperialismo. Sob a influência dos avanços na Venezuela, vieram as vitórias de Evo Morales, na Bolívia, e de Rafael Correa, no Equador.

Nesses três países, em que os processos de mudanças são os mais avançados, conseguiu-se, a partir de pressão popular, a convocação de Assembleias Constituintes livres e soberanas, que abriram espaços para avanços progressistas.

Num patamar intermediário, foram importantes neste período as vitórias da FSLN, na Nicarágua, e da FMLN, em El Salvador, e a manutenção da Frente Ampla no governo uruguaio.

Os governos dos Kirchner na Argentina, Michele Bachetel no Chile, Lula no Brasil e Lugo no Paraguai, com coligações heterogêneas, derrotaram forças reacionárias em seus respectivos países. No entanto, no nível macroeconômico e político, suas ações foram sempre no sentido de ampliar os interesses da burguesia de seus países, aumentando a presença e a exploração capitalista na região, contribuindo, assim, para uma afirmação burguesa no aparato de Estado.

As maiores vitórias desta fase foram o enterro da ALCA em Mar Del Plata, a reeleição de Chávez, a retirada da base norte-americana de Manta, no Equador, e a vitória de Evo Morales no referendo revogatório. A maior derrota foi o não no referendo constitucional na Venezuela, em dezembro de 2006. Todavia, é importante registrar o crescimento das lutas dos trabalhadores, dos grupos étnicos e da reafirmação da cultura originária em grande parte da América Latina.

O imperialismo estadunidense, percebendo que iam longe demais as mudanças onde considera seu quintal, retoma com intensidade a pressão sobre a região. Voltam-se, com intervenção política e aparato bélico, suas ações para a América Latina, sobretudo para a região andina. Trata-se de tentar, no plano tático, frear o processo de mudanças e, no estratégico, consolidar e expandir o controle sobre as riquezas naturais do continente, que são imensas. Além do petróleo e do gás, a América do Sul tem as maiores reservas de água potável e de biodiversidade do planeta: ao norte, a Amazônia; ao sul, o Aqüífero Guarani.

Uma das principais táticas utilizadas pelo inimigo foi estimular o separatismo, escolhendo cidades dominadas politicamente por setores burgueses de maior acumulação e que já têm rivalidades antigas com as capitais: Zulia (Venezuela), Santa Cruz de La Sierra (Bolívia) e Quaiaquil (Equador).

Não é à toa que a Quarta Frota da Marinha de Guerra dos EUA voltou a operar no nosso continente, após mais de 60 anos de inatividade.

Marco importante desta ofensiva ianque foi o assassinato do Comandante Raul Reyes, pelo consórcio político/bélico representado pelos EUA/Colômbia, num ataque terrorista ao território do Equador, cujo Presidente não se acovardou e resolveu defender a soberania de seu país. Ali se tratava de paralisar as trocas humanitárias na Colômbia, que poderiam criar um clima favorável a uma negociação política a respeito do conflito armado.

A satanização da insurgência colombiana e a interrupção das trocas humanitárias, estas à época lideradas por Chávez e a Senadora Piedád Córdoba, criam as condições para a instalação de mais sete bases militares na Colômbia.

O golpe em Honduras é parte importante da luta contra o fortalecimento da ALBA e a recuperação, como aliado dos EUA, de um país que tem uma das maiores bases da América Central (Sotto Cano) e que se localiza estrategicamente entre a Nicarágua e El Salvador. Depois veio o aproveitamento do terremoto no Haiti e a cumplicidade do governo da Costa Rica, para o imperialismo instalar mais tropas nesses países. É parte deste esforço para estancar as mudanças e atingir a ALBA a recente tentativa de golpe no Equador.

No Paraguai, já sabíamos das dificuldades que teria Lugo, se efetivamente quisesse promover as mudanças prometidas. Foi eleito como expressão de um movimento de massas débil, na esperança de derrotar os conservadores que governavam o país havia 41 anos e ainda estão no poder. Tendo passado mais da metade de seu governo, o movimento de massas não teve forças para empurrar as mudanças e tudo indica que o Presidente se entregou à direita e ao imperialismo, aceitando um pacto com a classe dominante para não ser derrubado por um golpe. Lugo já não governa. Espera apenas acabar seu mandato.

OS PRINCIPAIS INIMIGOS DO IMPERIALISMO NA AMÉRICA LATINA

CUBA


 
Dificilmente teria avançado tanto o processo de mudanças na América Latina se não fora o exemplo da cinqüentenária Revolução Socialista de Cuba, que mostrou a possibilidade de as classes dominadas enfrentarem e derrotarem o imperialismo e escolherem seu próprio destino.

Na década de 90 do século passado, após o colapso da URSS, Cuba passou por dificuldades econômicas que exigiram o sacrifício do “período especial”, uma vez que mais de 80% do seu comércio dava-se com a URSS e o Leste Europeu. Novas medidas políticas e econômicas foram adotadas para enfrentar tal situação, no sentido de prosseguir com a efetivação do socialismo, apesar do agravamento do cruel bloqueio que hoje já dura mais de 50 anos.

O surgimento dos processos de mudança na América Latina, sobretudo o da Venezuela, deu um novo alento e respaldo à Revolução Cubana.

Claro está que o processo de construção do socialismo em Cuba é extremamente complexo e vive um momento de grandes dificuldades. O maior desafio do povo cubano é justamente manter firme a decisão de seguir construindo sua experiência de socialismo.

Tudo indica que as medidas propostas pelo governo refletem as necessidades geradas pelo processo histórico atual. Rejeitamos as análises que dão como inevitável em Cuba o retrocesso ao capitalismo, como querem fazer ver os ideólogos representantes da burguesia e do imperialismo, que por inúmeras vezes já anunciaram a morte do socialismo cubano. Ao mesmo tempo, consideramos justas as preocupações, no campo revolucionário, quanto aos riscos de se abrirem brechas para a incidência da mais-valia.

É imperioso seguirmos solidários ao povo, ao governo e ao Partido Comunista Cubano e ao caminho revolucionário que os cubanos escolheram e desenvolveram a partir de 1959. O povo cubano é quem melhor saberá dizer como enfrentar seus problemas e continuará encontrando, com a coragem, a obstinação e a criatividade que lhe são peculiares, as saídas para a manutenção e o aprofundamento das conquistas obtidas no processo de construção da sociedade socialista.

A luta pelo fim do bloqueio e pela libertação dos Cinco Heróis é parte da principal pauta dos revolucionários de todo o mundo.

VENEZUELA


 
“A queda da Venezuela arrastaria inexoravelmente as esperanças dos povos da América Latina. Seu triunfo, entretanto, pode mudar o curso da história.” (Fidel Castro)

Além de Cuba, o governo venezuelano é hoje, em nosso continente, o principal inimigo do imperialismo, pela inspiração a processos semelhantes em outros países, aos quais presta efetiva solidariedade política e material; pela defesa de Cuba Socialista e parceria com ela; pela contribuição decisiva para inviabilizar a ALCA e implantar a ALBA; por ter avançado mais em mudanças institucionais e estruturais; por ter resistido a vários golpes; por ter criado uma mídia alternativa à burguesa; por ter as reservas minerais mais importantes da região andina e por ter uma relação superior de respeito aos interesses dos trabalhadores em sua marcha a caminho do socialismo.

Até dezembro de 2006, com a derrota no referendo constitucional, a revolução bolivariana tinha uma trajetória ascendente, com grandes vitórias, como o golpe midiático (2002), o lockout petroleiro (2003), o referendo revogatório (2004) e a reeleição de Chávez (2006).

A única derrota da revolução bolivariana teve como principal causa o erro de tentar decretar o socialismo através de um referendo de uma proposta de reforma constitucional, redigida previamente e apresentada pelo Presidente Chávez e não por subscrição popular, sem uma ampla discussão prévia entre as massas. Mas a derrota teve a virtude de colocar em evidência todos os problemas da revolução.

Mas apenas os erros táticos e a ação dos agentes do imperialismo não seriam capazes de derrotar o governo, que contava com quase dois terços do eleitorado. Metade dos eleitores do governo se absteve no referendo, dando vitória à direita. É a correta análise desta abstenção que pode ou não ajudar a retomada e o avanço da revolução, a depender do enfrentamento de problemas não resolvidos até hoje.

Saltam aos olhos as duas principais causas da abstenção: a traição de setores vacilantes, oportunistas e até contrarrevolucionários que gravitam em torno do governo e o recado de setores populares, insatisfeitos com os rumos e o ritmo da revolução bolivariana, o chamado voto castigo. Um quadro parecido, apesar de não tão dramático, se deu recentemente nas eleições parlamentares, em que a direita teve um desempenho acima da esperada, elegendo mais de 40% do parlamento.

A situação da luta de classes na Venezuela caminha para um confronto, que poderá resvalar para a violência, em face da notória impossibilidade de conciliação entre projetos tão antagônicos. Ao que tudo indica, este desempate se dará após a realização das eleições presidenciais, em 2012. Não será uma simples eleição a que estamos acostumados na democracia burguesa tradicional, no campo do chamado “jogo democrático”, da “alternância de poder”.

Se Chávez perder, não será para setores de esquerda, mas para a direita ligada e financiada pelo imperialismo, que revogará todos os avanços e acabará com a ALBA. A repercussão na América Latina (e no mundo) seria desastrosa, um retrocesso muito grande, sem qualquer comparação, por exemplo, com a derrota de Bachelet no Chile.

Por isso, contribuir para a vitória de Chávez será um desafio para toda a esquerda conseqüente da América Latina. Por mais que algumas forças de esquerda, como o PCB, tenham restrições a alguns aspectos da revolução bolivariana e não sejam chavistas, esta será uma das principais batalhas em 2012. Esperamos que o papel da classe trabalhadora na defesa de seu projeto seja o elemento central da vitória de Chávez.

Sem dúvida, nos doze anos de Revolução Bolivariana produziram-se grandes avanços, como melhores indicadores sociais a partir das diversas Misiones, a construção ainda que limitada de mecanismos de poder popular, a nacionalização da PDVSA e de alguns monopólios privados, o fortalecimento do papel do Estado no setor financeiro e na política monetária e cambial. Valorizamos também grandes avanços na consciência anti-imperialista e mesmo anticapitalista de amplas camadas populares.

São inegáveis as evidências de que o Presidente Chávez está honestamente convencido da necessidade de construir o socialismo, mesmo cercado por um entourage heterogêneo em que, ao lado de socialistas, pontificam contrarrevolucionários e corruptos. Têm um grande peso na direção do Estado setores da chamada “boli-burguesia” e fundamentalmente da pequena burguesia, que não têm interesse em mudanças revolucionárias.

Por isso, não podemos fechar os olhos a alguns fatores que podem levar a retrocessos e até mesmo à derrota do processo de mudanças, com a volta ao governo dos círculos direitistas associados ao imperialismo contribuindo para o massacre do projeto popular.

A economia venezuelana continua sendo basicamente petroleira, sem avanços na diversificação e na substituição de importações. Trata-se de um país basicamente importador, inclusive de alimentos, com alta dependência tecnológica. Não têm sido desenvolvidas a contento, por outro lado, as iniciativas governamentais como as “empresas de produção social”, as cooperativas e pequenas empresas. Nas novas empresas criadas pelo governo e naquelas que foram estatizadas, a participação dos trabalhadores é insuficiente e formal. Em algumas, a direção foi apropriada por gerentes corruptos e ineficientes. A não participação dos trabalhadores na gestão dessas empresas pode gerar um ciclo de “capitalismo de Estado”.

Em resumo, para avançar na perspectiva socialista, a atual fase, que o PCV define como “social-reformista, patriótica e progressista” só poderá ser superada por uma nova correlação de forças em que setores populares e revolucionários, liderados pela classe operária, alcancem um nível necessário de consciência, unidade, organização e mobilização que lhes permitam impor sua hegemonia.

BOLÍVIA



Na Bolívia, há um fator que tem dado boas condições de governabilidade ao governo popular. Evo foi eleito de baixo para cima, no contexto de grandes mobilizações, como as Guerras do Gás e da Água, que haviam derrubado três presidentes burgueses.

Com a vitória no referendo revogatório de agosto de 2008, evitou-se, pelo menos por agora, o separatismo de Santa Cruz e um golpe de direita que estava em curso. O Presidente saiu fortalecido, consagrado em meio ao seu mandato, em referendo convocado por ele próprio, com 67% dos votos, 14% a mais do que quando foi eleito em 2005.

Mas é preciso ficar claro que quem derrotou o golpe e o separatismo foram as massas e que o processo não está imune a retrocessos, sobretudo se limitar-se aos aspectos culturais e democráticos, que são importantes, mas não decisivos na luta de classes.

Uma grande virtude do processo boliviano é a tradição de luta e de unidade da COB (Confederação Operária Boliviana).

EQUADOR


 
Como na Venezuela e na Bolívia, a mídia burguesa é o maior partido de oposição, coadjuvado pelas associações empresariais, partidos conservadores, a cúpula da igreja católica e ONGs financiadas pela USAID, sob a direção da embaixada norte-americana.

Rafael Correa, apesar de limitações, promoveu algumas mudanças. Começou com uma auditoria da dívida externa, que reconheceu apenas 30% do total até então cobrado pelos credores. A partir da pressão popular, efetivou-se uma Constituinte livre e soberana, independente do parlamento, propiciando uma nova constituição (promulgada em julho de 2008) avançada em termos de direitos sociais. Importantes medidas de Rafael Correa foram a determinação de retirada da base militar dos EUA e a integração de seu país à ALBA.

Correa também vem estatizando gradualmente a indústria petroleira, com a criação de um novo marco regulatório, em que o Equador retoma sua soberania sobre parte de suas riquezas e usufrui de seus rendimentos. Todavia, o governo Correa tem que sair do marco personalista, passando a agir em consonância com os trabalhadores do Equador, para que possa enfrentar o imperialismo e a burguesia e implementar uma saída progressista e popular.

BRASIL: A POLÍTICA EXTERNA PRAGMÁTICA

Na América Latina é difícil um comunista se dizer oposição a Lula e a Dilma. É compreensível. No imaginário da esquerda latino-americana, Lula é socialista e sua política externa parece anti-imperialista.

O Brasil é a oitava economia capitalista do mundo. No plano político, as lideranças burguesas dividem-se entre as que, de um lado, defendem um Estado promotor de políticas compensatórias e incentivador de um “desenvolvimentismo” capaz de acelerar o crescimento capitalista e pretensamente resolver as desigualdades sociais através do ciclo virtuoso da produção, emprego, consumo e aquelas que, de outro, defendem a ampliação das políticas neoliberais, com mais retirada de direitos dos trabalhadores, mais privatização, mais dependência ao capital financeiro internacional.

Os governos petistas representam os setores “desenvolvimentistas” da burguesia, que querem se expandir e competir no mercado externo, o que pressupõe algum grau de autonomia, não conflitiva, com os interesses norte-americanos.

Navegando entre as contradições interburguesas e interimperialistas, a política externa brasileira é coerentemente pragmática. Ao mesmo tempo em que aceita liderar as tropas da ONU que ocupam o Haiti, a pedido de Washington, ajuda Chávez a vencer o golpe petroleiro e Evo ao golpe separatista.

Com sua eficiente diplomacia, o capitalismo brasileiro vai ganhando mercados. Aos olhos de Washignton, Lula se apresentava como uma alternativa moderada ao “radicalismo” de Chávez e Evo Morales; aos olhos da esquerda latino-americana, se apresentava como aliado, mas que cobra um preço alto pela solidariedade: o aproveitamento de oportunidades na busca de mercados. E é o estado brasileiro, principalmente através de bancos públicos, que alavanca as grandes empreiteiras e monopólios multinacionais de origem brasileira a invadirem e crescerem em várias partes do mundo, sobretudo na América Latina.

Quando o governo brasileiro ajuda a inviabilizar a ALCA ou lidera a criação da UNASUL (União das Nações Sul-Americanas) devemos saudá-lo, pois isto objetivamente contraria os interesses dos EUA. Mas não esqueçamos o outro lado da questão: o Brasil é um contraponto capitalista ao movimento de integração anti-imperialista da região, representado pela ALBA.

A esquerda não pode conciliar e deixar de marcar diferenças com Lula e Dilma, que governam fundamentalmente para o capital, tanto na política externa como na interna. A tarefa principal dos governos petistas é “destravar” o capitalismo, custe o que custar, depredando o meio ambiente e reduzindo os direitos trabalhistas, inclusive com a cooptação de setores do movimento sindical e popular. Aliás, o governo Lula jogou papel importante para cooptar e degenerar a CUT, uma central que já foi combativa, afastando da luta anticapitalista e anti-imperialista na América Latina um enorme contingente de trabalhadores.

Com Dilma, a política externa ainda tende a uma inflexão, cujos sinais são as críticas ao Irã, as mudanças nos quadros dirigentes do Ministério de Relações Exteriores, a abstenção cúmplice na agressão imperialista à Líbia e, sobretudo, a vergonhosa recente visita de Obama ao Brasil.

A vinda do presidente dos EUA ao Brasil foi um gesto forte que marcou um claro movimento de estreitamento das relações entre os dois países. Obama foi o primeiro estadista estrangeiro a visitar o Brasil após a posse de Dilma. Mas não foi uma visita qualquer.

O governo brasileiro montou um palanque de honra para Obama falar ao mundo, em especial à América Latina, para ajudar os EUA a recuperarem sua influência política e reduzir o justo sentimento antiamericano que nutre a maioria dos povos. Nem na ditadura militar, um presidente estadunidense teve uma recepção tão espalhafatosa como a que Dilma lhe ofereceu.

Em verdade, o Brasil esteve três dias sob intervenção do governo ianque, que decidiu tudo sobre a passagem de Obama pelo país. Passamos pelo vexame de agentes da CIA revistarem Ministros de Estado brasileiros, em eventos da visita.

No caso da América Latina, foi um gesto de solidariedade aos EUA em sua luta contra os processos de mudança, sobretudo na Venezuela, Bolívia e no Equador.

A moeda de troca foi um mero aceno norte-americano à pretensão obsessiva do Estado burguês brasileiro de ocupar uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, um símbolo para elevar o Brasil à categoria de potência capitalista mundial.

Enganam-se os que pensam que existe contradição entre a política externa do governo Lula e a de Dilma, ambas fundamentalmente a serviço do capital. Trata-se agora de uma inflexão pragmática. Após uma fase em que o Brasil expandiu e consolidou seus interesses comerciais em novos “mercados” como América Latina, África, Ásia e Oriente Médio, a tarefa principal agora é dar mais atenção aos maiores mercados do mundo, para cuja disputa segmentos da burguesia brasileira se sentem mais preparados.

O governo brasileiro, durante os três dias em que Obama presidiu de fato o Brasil, não fez qualquer gesto ou apelo aos EUA, sequer de caráter humanitário, pelo fim do bloqueio a Cuba, o desmonte do centro de tortura em Guantánamo, a criação do Estado Palestino, o fim da intervenção militar no Iraque e no Afeganistão.

Debochando da soberania brasileira, Obama ordenou os ataques militares contra a Líbia a partir do território brasileiro.

Os principais objetivos da vinda de Obama ao Brasil foram as reservas petrolíferas do pré-sal e a licitação para a compra de aviões militares.

Cada vez fica mais claro que, no caso brasileiro, o imperialismo não é apenas um inimigo externo a combater, mas um inimigo também interno, que se entrelaçou com os setores hegemônicos da burguesia brasileira. O pacto Obama/Dilma reforça o papel do Brasil como ator coadjuvante e sócio minoritário dos interesses do imperialismo norte-americano na América Latina, como tristemente já indicava a vergonhosa liderança brasileira das tropas militares de intervenção no Haiti.

COLÔMBIA: OUTRA GRANDE DISPUTA!



 
O imperialismo sabe que não haverá paz na Colômbia e, quem sabe, na América Latina, sem o reconhecimento do caráter beligerante e político das FARC. Sabe também que a solução não poderá ser estritamente militar, pois o conflito colombiano é antes de tudo político, econômico e social.

O imperialismo também precisa derrotar a insurgência, para que não sirva de exemplo. Não podemos esquecer que não são convencionais, mas insurgentes, as forças que resistem ao imperialismo na Palestina, no Iraque e no Afeganistão. Forças armadas convencionais não resistem aos ataques aéreos das grandes potências imperialistas. Dependendo dos desdobramentos da crise do capitalismo, nenhuma forma de luta poderá ser descartada. O direito dos povos à rebelião poderá se transformar em dever.

Mas como é difícil vencer a insurgência militarmente, não só pelo aspecto bélico como também por seu histórico enraizamento no povo colombiano, o imperialismo a sataniza como “narcoterrorista”, tentando isolá-la, inclusive de setores reformistas da esquerda latino-americana, preocupados com a sua votação na próxima eleição.

Mas se não pode derrotar a guerrilha, não interessa ao imperialismo o fim do conflito colombiano, para justificar a luta “contra o narcoterrorismo”, que usa como pretexto para criar mais bases na Colômbia e arredores. A Colômbia está para a América Latina como Israel para o Oriente Médio. É um dos principais receptores de ajuda militar norte-americana. E as FARC não podem entregar suas armas e descer as montanhas, sob pena de um novo extermínio, como nos anos 90, em que 5.000 militantes da União Patriótica foram assassinados pelo estado colombiano, após a assinatura de um “acordo de paz” com a guerrilha para que esta se transformasse num partido político legal!

Para forçar o estado colombiano a reconhecer o conteúdo político, econômico e social do conflito, devemos lutar muito para que a UNASUL chame para si a iniciativa de viabilizar o início de um processo de negociação política, para a qual a liderança do Brasil é fundamental.

As FARC são um fator de resistência à ocupação imperialista da Colômbia e, porque não dizer, da Amazônia.

Para avançar nas mudanças sociais na América Latina e evitar guerras e retrocessos, além da necessidade decisiva de elevar o empenho e a organização dos trabalhadores na luta de classes, há uma tarefa importante: derrotar o principal braço do imperialismo norte-americano em nosso continente, o estado terrorista da Colômbia.

REFORMA OU REVOLUÇÃO?

A crise deveria enterrar as ilusões dos que ainda consideram possível humanizar o capitalismo. Não há mais, como na época de ouro da socialdemocracia, anéis para a burguesia dar aos trabalhadores para não perder os dedos. Aliás, no final do século passado ela já os havia tomado de volta, aproveitando-se da queda da União Soviética. É parte importante das tarefas dos revolucionários o combate sem trégua e conciliação aos reformistas, tão bem definidos por Eustoquio Contreras, em seu livro "Princípios e Valores do Processo Revolucionário":

"O reformismo é uma corrente político-partidária favorável a mudanças graduais e não acredita em mudanças revolucionárias. Ideologicamente os reformistas são pessoas comprometidas com determinados interesses, aos quais defendem diante da possibilidade de serem afetados por qualquer mudança radical. Os reformistas se esforçam para conter as lutas revolucionárias aplicando uma artificial política de conciliação entre as classes com interesses opostos. O reformista colaborara com a burguesia na implementação de reformas parciais, que não afetam os seus interesses de classe, enquanto enganam as classes exploradas com a promessa de reformas, que irão gradualmente resolver os problemas dos oprimidos e explorados."

Marx, na obra O 18 Brumário de Luís Bonaparte, já afirmava que o “caráter peculiar da social-democracia resume-se no fato de exigir instituições democrático-republicanas como meio não de acabar com dois extremos, capital e trabalho assalariado, mas de enfraquecer seu antagonismo e transformá-lo em harmonia”. Segundo Marx, a social-democracia surge na Europa visando promover a transformação da sociedade por um processo democrático, porém, uma transformação dentro dos limites da pequena burguesia.

Não há também mais espaço, no capitalismo cada vez mais globalizado, para ilusões nacional-desenvolvimentistas ou nacional-libertadoras, baseadas em alianças dos trabalhadores com as chamadas burguesias nacionais. Mesmo nos países em que o desenvolvimento das forças produtivas se processa em ritmos mais lentos que nas nações de capitalismo avançado, as contradições de setores minoritários das burguesias nacionais com o imperialismo são residuais, até porque dependem cada vez mais do grande capital e dos monopólios.

Na fase imperialista do capitalismo, ainda mais em meio à sua maior crise, a hegemonia no Estado burguês pertence aos segmentos associados aos grandes monopólios. Quem manda são os grandes capitalistas ligados aos bancos, agronegócio, exportadores de matéria prima, grandes indústrias.

Cada vez mais se acentuará no mundo a contradição entre o capital e o trabalho. Não apenas nos países desenvolvidos ou emergentes, como é o caso do Brasil, plenamente associado de forma subordinada ao imperialismo. É só olhar para países pouco desenvolvidos, como a Bolívia e a Venezuela, para entender a ilusão de alianças com as burguesias nacionais. Vejam a violência da burguesia boliviana, diante de uma revolução que não é socialista, mas ainda democrática e cultural, e o ódio que nutre a burguesia venezuelana frente à revolução bolivariana.

No estágio atual do capitalismo, e sobretudo em decorrência de sua profunda crise, se evidenciará cada vez mais a centralidade do trabalho. Estão sendo jogados no lixo da história todos os mitos construídos pelo neoliberalismo, como o “estado mínimo”, o “livre-mercado” e o “fim da classe operária”.

Ao contrário do que dizem os profetas do fim da história e os reformistas, o proletariado aumenta no mundo, em quantidade e qualidade. As camadas médias se proletarizam. Em todas as partes, sobretudo nos países desenvolvidos, apesar da atual fragilidade e fragmentação do movimento operário e sindical, há grandes possibilidades de a luta de classes se intensificar.

Outra ilusão reformista a ser combatida é a ilusão de transição ao socialismo apenas pela via institucional.

Marx, inspirado na rica experiência da Comuna de Paris, chamava a atenção para a impossibilidade de uma transição revolucionária sem a hegemonia político-militar do proletariado, um poder popular verdadeiramente democrático com o objetivo de varrer as instituições do estado burguês e a hegemonia das classes dominantes.

A tomada do poder político por parte da maioria do povo nunca foi nem será uma concessão generosa das classes dominantes. O sistema de exploração que funde os interesses das chamadas burguesias nacionais com os do imperialismo não “cai de podre” nem pelo passar do tempo. Os exploradores não entregam voluntariamente o poder aos explorados, nem mesmo quando setores representativos destes últimos ganham uma eleição, nos marcos da democracia burguesa. Às vezes, são obrigados, a contragosto, a entregar o governo a setores populares, mas estes só alcançarão o poder com lutas muito duras, acumulando forças e golpeando o estado burguês, utilizando-se de métodos e formas de luta as mais variadas (institucionais e insurgentes), adaptadas às circunstâncias, tendo principalmente em conta a correlação de forças entre as classes em luta.

Seja qual for a via da conquista do poder, o caminho ao socialismo só pode ser pavimentado na mobilização e ação das massas exploradas, sob a direção de uma vanguarda revolucionária.

É fundamental, portanto, a luta sem tréguas contra todas as formas de reformismo, como as teorizações sobre os “novos sujeitos”, o “movimentismo” (cujo maior exemplo é o Fórum Social Mundial), marcado pela aversão à política e aos partidos e pelo privilégio de atuação em ONGs e movimentos sociais os quais, em que pese o fato de alguns deles levantarem bandeiras justas, não compreendem a necessidade da luta global pela superação do capitalismo.

Não é nunca demais lembrar a passagem de Marx e Engels, no Manifesto do Partido Comunista:

“Os comunistas não se rebaixam a dissimular suas opiniões e seus fins. Proclamam abertamente que seus objetivos só podem ser alcançados pela derrubada violenta de toda a ordem social existente”.

DE QUE SOCIALISMO FALAMOS?

A continuidade e o avanço do atual processo de transformações na América Latina e a possibilidade de ele vir a assumir um caráter socialista vão depender principalmente da correlação de forças, do nível de consciência, unidade, organização e mobilização das massas populares.

É correto os revolucionários participarem dos processos de mudanças que se dão em países como Venezuela, Bolívia e Equador, desde que mantenham autonomia e visão crítica, combinando unidade e luta. Para isto, é preciso que os comunistas deixem claro, nesses países, as limitações de conceitos de socialismo tais como “bolivariano”, “cidadão”, “do século XXI”, do “bom viver”.

Na Ideologia Alemã e no Manifesto do Partido Comunista, Marx duela com as adjetivações do socialismo, todas elas de conteúdo reformista.

Estes adjetivos podem até se adaptar à atual fase dos processos revolucionários nesses países, mas não ao socialismo. Até porque em Nossa América, com exceção de Cuba, não há ainda qualquer revolução socialista em curso, mas importantes processos de mudanças, que podemos caracterizar como revoluções nacionais e democráticas.

É necessário relermos os conceitos que nos legaram Marx, Lenin e outros pensadores a respeito do socialismo, para reafirmá-los e os adaptarmos ao mundo contemporâneo. Estes conceitos não foram negados na derrota da experiência de construção do socialismo na União Soviética e outros países do Leste Europeu. Pelo contrário, continuam atuais. Apesar de o saldo da Revolução Russa ter sido positivo, ali foram ignorados ou deturpados vários destes princípios, sobretudo aqueles relativos à democracia operária, que levaram à hipertrofia e ao esclerosamento do Partido e sua fusão (e confusão) com o Estado e as organizações de massa.

Portanto, não se trata de inventarmos “novos” socialismos, como se fosse possível conjugar elementos do socialismo e do capitalismo. Este é um terreno pantanoso, em que se adjetivam o substantivo socialismo até como “moderno” ou “democrático”, como se fosse velho ou antidemocrático.

E não haverá revolução socialista se não se começar a desconstruir o estado burguês e os poderes de fato constituídos pela mídia hegemônica, o aparato policial militar, a justiça. E a transição ao socialismo só será assegurada pela instauração do Poder Popular – a democracia direta e protagônica das massas – e o estabelecimento de novas relações de produção, com a supressão da exploração do homem pelo homem.

Mas não podemos cair no voluntarismo, deixando de reconhecer as dificuldades por que passam os processos de mudanças na América do Sul. A primeira coisa é reconhecermos que ainda não estamos, objetiva e subjetivamente, em situações pré-revolucionárias. Segundo Marx, a revolução não se dá da noite para o dia e não depende apenas de vontade. É um processo com duração de difícil previsão e não linear, sujeito a retrocessos. .

Esses processos estão atingindo um ponto crucial, que está chegando mais cedo na Venezuela, mas não tardará a chegar na Bolívia e no Equador. Trata-se de um momento de inflexão, em que se apresenta a dicotomia reforma ou revolução.

Há uma certa fadiga nas massas exploradas, pois as mudanças não chegam às relações entre capital e trabalho. Os trabalhadores são portadores de direitos formalizados na constituição e usufruem da melhoria dos serviços públicos, mas não sentem qualquer mudança mais significativa em suas condições de vida e na distribuição de renda.

Essa é uma limitação de revoluções nacionais e democráticas hegemonizadas por setores da pequena e média burguesia e não pelo proletariado; portanto, reformistas. A maior virtude de processos como estes é que tornam evidente a luta de classes, contrapondo os interesses do capital aos do proletariado, dos trabalhadores e de setores das camadas médias. Isto não ocorre em processos mitigados, de conciliação de classe, como no Brasil, em que os governos e os partidos ditos de esquerda que lhes apóiam não mobilizam as massas e não enfrentam ideologicamente o capitalismo.

A maior debilidade desses processos é a falta de instrumentos políticos e organizações de massas que impulsionem as mudanças no sentido da revolução permanente, verdadeiramente socialista, que vá na direção da constituição do duplo poder e da ruptura com o estado burguês.


Ivan Pinheiro é Secretário Geral do PCB (Partido Comunista Brasileiro)



Palestra em seminário sobre Marx, em Maracay (Venezuela), organizado pela Prefeitura de Girardot, a Frente Alfredo Maneiro e o Movimento Continental Bolivariano.



DISCURSO DO SECRETÁRIO GERAL DA FSM GEORGE MAVRIKOS 21 Abril 2011


16º CONGRESSO SINDICAL MUNDIAL CERIMÔNIA DE INAUGURAÇÃO - ATENAS

06/04/2011

Queridos companheiros e companheiras,
Estimados convidados,

Delegados e delegadas do 16º Congresso Sindical Mundial,
Agradeço a todos por sua presença aqui neste importante congresso sindical internacional.

A participação neste Congresso superou todas as expectativas. Foram superados todos os registros anteriores. Não é uma coincidência. As graves conseqüências da crise econômica capitalista e o bárbaro assalto do capital contra a classe obreira e os povos nos obrigam a nos unirmos e ao compromisso militante. O grande interesse pela participação confirma ainda, que nos cinco anos transcorridos desde nosso último Congresso, demos passos positivos significativos.

Chegamos até aqui, até o Congresso Sindical Mundial, através de grandes lutas em nível setorial, regional e local, através de um debate aberto, democrático e combativo dentro dos sindicatos, nos locais de trabalho, dentro dos setores chave. Organizamos destacadas iniciativas centrais, debates, análises críticas de nosso trabalho, intercâmbio de ponto de vista sobre temas atuais contemporâneos que a classe operária mundial enfrenta.

Queridos amigos e amigas, companheiros e companheiras,

Nosso Congresso tem lugar em um momento crítico. Um período que tem duas características básicas. Uma delas é a profunda crise econômica do capitalismo e a escalada da guerra contra os trabalhadores, que conduzem milhões de trabalhadores a um desemprego massivo, à miséria, à pobreza e à migração. A outra é a crescente agressividade do imperialismo com meios militares, com interferências.

Todos os governos capitalistas, tanto os neoconservadores como os social democratas, em cooperação e frente as dificuldades insuperáveis que têm para gerir a crise, passaram a um ataque sem precedentes de demolição de direitos e ganhos dos trabalhadores. Conquistas alcançadas com duras lutas. Os salários, a seguridade social, os direitos sociais e os acordos coletivos são golpeados. O desemprego e a pobreza estão aumentando. A privatização da saúde, da educação e todas as áreas de alcance estratégico são muito rentáveis para as multinacionais e os monopólios.

Frente a estas políticas antioperárias, a classe trabalhadora em muitos países dos cinco continentes tem resistido, tem mostrado desobediência, tem organizado grandes greves, lutas importantes, iniciativas diversas. Nos damos conta, com maior profundidade, que o modo de produção capitalista não tem nada mais a oferecer que a barbárie.

Os sindicatos filiados e amigos da FSM, na maioria dos casos, estão na vanguarda dessas lutas. No Peru, no México, na Colômbia, no Brasil, na Costa Rica, no Panamá, na África do Sul e na Nigéria, na Índia, no Paquistão, em Bangladesh e Sri Lanka, no Oriente Médio e Norte da África, na França, Portugal e Grécia e outros lugares.

A Federação Sindical Mundial frente ao ataque generalizado do capital não ficou de braços cruzados. Organizou dezenas de iniciativas, dezenas de atos de solidariedade, na prática tem estado ao lado daqueles que lutaram por seus direitos.

Momentos de destaque da ação da FSM, nestes cinco anos, foram quatro grandes manifestações, protestos e concentrações.

•O 1º de abril de 2009, onde em 45 países organizaram-se greves, manifestações, protestos e concentrações.
•A greve de três dias de solidariedade ao povo palestino em junho de 2010, nos portos de todos o mundo, contra os navios mercantes de Israel.
•A grande movimentação de 07 de setembro de 2010 com o tema central da FSM “Não vamos pagar a crise deles”. Somente em Nova Deli, na Índia, participaram mais de um milhão de trabalhadores nesta mobilização. No mesmo dia em 56 países ocorreram iniciativas com as mesmas consignas e as mesmas bandeiras.
•O dia de ação europeu no setor de transporte organizou, em 02 de março de 2011, contra a política da União Européia, contra a privatização do transporte, e para exigir transporte público confiável e acessível para os extratos populares pobres.
No mesmo período, em nome da FSM aproveitamos todas as possibilidades existentes nos organismos internacionais, para por em destaque a necessidade da solidariedade internacional e a coordenação internacional. Assim fizemos com os assassinatos de sindicalistas na Colômbia e nas Filipinas, os cinco cubanos que se encontram ilegalmente encarcerados nos EEUU, etc. Nos encontramos frente a novos deveres históricos e responsabilidades. Estamos convencidos de que nosso Congresso contribuirá com novas forças para cumpri-los.
Companheiros e companheiras de luta,
A segunda característica chave da época em que vivemos é a intensidade dos conflitos e rivalidades imperialistas, a guerra imperialista é outra cara da agressão do capital para fazer frente à crise. Vemos um exemplo muito característico nestes dias na Líbia, onde com a falsa desculpa de proteger os civis, os aviões dos imperialistas, da OTAN e da EU, bombardearam a Líbia. Estas mesmas pessoas que apoiaram o regime antidemocrático de Kadafi, os mesmos que tiraram fotos com ele e firmaram contratos muito rentáveis, depois de organizar a resistência interna, agora bombardeiam e matam o povo da Líbia.
Quando Kadafi anunciou que não renovaria seu contrato com a francesa Total, a italiana ENI, a britânica BP, a espanhola Repsol, a EXXON Mobial, então os serviços secretos da França, Grã Bretanha e Espanha começaram a trabalhar para organizar os chamados opositores do regime da Líbia oriental. Então começaram os bombardeios. Todo o mundo, todos os povos sabem que a guerra na Líbia é pelo petróleo, pelo gás natural, pelos gasodutos, pelo acesso à África subsaariana, pela imensa riqueza natural e mineral. Na guerra da Líbia se expressam as fortes contradições inter-imperialistas, as rivalidades inter-capitalistas sobre quem vai ganhar postos na situação internacional, ampliando suas áreas de influência e o desenvolvimento de novas fronteiras onde possam.
A mesma jogada foi realizada no Iraque, no Afeganistão, na Colômbia, nas bases militares em Honduras para o golpe militar, no Haiti em resposta ao terremoto e em Darfur. As mesmas intenções imperialistas incluem os conflitos na Geórgia, na península da Corea e na Costa do Marfim.
Na mesma categoria se encontram os planos dos EUA, da OTAN para o chamado “Grande Novo Oriente Médio”, que anunciou, em 06/04/2009, no Cairo o Sr. Barak Obama, junto a Hosni Mubarak.
Os acontecimentos recentes e os levantamentos populares no Egito, Tunísia, Argélia, Yemen, Bahein, que a FSM apoiou desde o primeiro momento, mostram que os povos estão despertando, têm o poder para defender seus direitos, seus interesses. Ao mesmo tempo, confirmam que as lutas das forças populares contra o desemprego, a pobreza, a violência estatal, contra a corrupção, contra o saque dos recursos produtivos de um país não devem limitar-se à rotação das pessoas no poder, que saia Murak e Bem Ali siga aplicando a mesma política. Deve ser um projeto com perspectiva de mudança de poder. Este é o caminho para a classe operária no século XXI. Para o imperialismo, para o capitalismo não há concessões, não há indulgência.
Queridos companheiros e companheiras,
Todos estes acontecimentos recentes e, principalmente, a guerra imperialista injusta contra a Líbia volta a colocar o papel das Nações Unidas, que decidiu e deu permissão para o ataque militar. A mesma permissão que deu para a guerra contra o Iraque, assim como o ataque da OTAN contra a Iugoslávia. Sem dúvida, ao mesmo tempo nenhum deles tem mostrado interesse em aplicar as resoluções da ONU para o estabelecimento do Estado Palestino ou a solução para o caso de Chiper.

Estimados companheiros e companheiras,
Ante estas circunstâncias complexas e difíceis devemos fazer a pergunta: Que movimento sindical internacional necessita agora a classe operária mundial?

•Um movimento que concilie e se alie com o sistema capitalista para modernizá-lo? Ou um movimento que represente a classe operária e seus aliados e que está em conflito com os capitalistas para derrotar o sistema explorador?
•Um movimento que apóie a guerra imperialista no Iraque, Afeganistão, Líbia e Iugoslávia? Ou um movimento que está em conflito com o imperialismo e as guerras injustas? Que lute pela paz e pela amizade entre todos os povos?
•Um movimento que busque unir a classe operária para cooperar com os monopólios e as multinacionais na linha de colaboração de classe? Ou um movimento que siga a linha de luta classista e uma toda a classe operária em função de seus próprios interesses de classe?
•Um movimento que apóie a política de Israel, que difame Cuba, a Venezuela, o Equador, a Bolívia, o Iraque e a Coréia do Norte? Ou um movimento do internacionalismo proletário que está firmemente ao lado do povo palestino para conseguir sua própria pátria, que apóie a Revolução Cubana e defenda o direito de todo povo decidir sozinho sobre seu presente e seu futuro?
•Um movimento, uma elite burocrática de escritório com ricas remunerações, através da corrupção e das transgressões? Ou movimento cujos dirigentes, cuja direção em nível local, setorial, regional e internacional se identifique com a classe operária, camponeses pobres, jovens, mulheres, imigrantes, sem terra e indígenas?

Ante estas perguntas, nossa resposta é clara, seguimos o caminho da luta classista. Contra imperialismo e o capital. Por um mundo sem exploração do homem pelo homem. Por um futuro que pertence ao mundo do trabalho.

Viva os 66 anos da FSM!

Viva a Classe Operária Internacional!
Viva a Luta Operária!
* O camarada George Mavrikos foi reeleito, por unanimidade, Secretário Geral da FSM. O camarada membro do CC do KKE e da direção do PAME.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A Sociedade Defensora do Poder às Entidades de Base

Já era tempo de surgir uma organização suprapartidária, aberta a todos os cidadãos, para defender, no país todo, especificamente a bandeira do poder das entidades de base - CAs nas Universidades, Grêmios nas escolas, organizações sindicais nos locais de trabalho, a começar pela sua existência.

A Sociedade Defensora nasceu em São João del-Rei, no caldo da primeira ofensiva minimamente firme que a reitoria e o PT lançam contra o DCE em 6 anos, tentando roubar, arbitrariamente, a representação do Diretório Central dos Estudantes no Conselho Superior da UFSJ. Pela primeira vez, em 6 anos, alguém resolve defender a pseudo-democracia à moda americana, e levanta a por nós tão esperada bandeira de "Diretas Já", inicialmente para o Conselho Universitário, e em caso de vitória para o DCE.

Agora, uma grande quantidade de estudantes entende uma coisa que antes nem mesmo todos os comunistas entendiam, que a única defesa eficiente do poder das entidades de base é sua expansão.

Qual o papel que o Partido Comunista terá na história da libertação dos movimentos sociais brasileiros, e daí na Revolução? Isso depende de nós comunistas! É de nosso interesse tomar a dianteira e criar, onde quer que tenhamos contatos, núcleos da Sociedade Defensora, que já tem blog próprio - http://sociedadedefensora.blogspot.com .

terça-feira, 19 de abril de 2011

FEDERAÇÃO SINDICAL MUNDIAL


Realizou-se em Atenas, de 6 a 10 de abril, o 16º Congresso da Federação Sindical Mundial (FSM). O congresso contou com a participação de 675 delegados efetivos e 225 observadores, vindos dos cinco continentes, representando mais de 80 milhões de trabalhadores ligados a centrais, confederações e federações de diferentes países.
Foi, sem sombra de dúvidas, o evento internacional que reuniu a maior representação sindical classista dos últimos tempos. A tese inicial (Pacto de Atenas) foi amplamente debatida durante três dias, por mais de uma centena de oradores de diferentes nacionalidades. O conteúdo das intervenções versou sobre a crise mundial do capitalismo, que na busca de sobrevida como modelo econômico, ataca povos, depreda o meio ambiente, precariza a contratação da força de trabalho, privatiza serviços públicos além de destruir as redes de proteção social nos quatro cantos do mundo.
Por tudo que foi dito, foi aprovado na resolução final que, para além da ação sindical em defesa dos direitos e das necessidades da classe trabalhadora, está na ordem do dia desenvolver-se de forma globalizada uma ofensiva ideológica que desmistifique a economia de mercado, que vem propiciando uma astronômica concentração mundial de renda de uns poucos bilionários capitalistas enquanto aumenta a miséria, para mais de um bilhão seres humanos.
Em todo o planeta, trabalhadores do campo e da cidade sofrem com o desemprego, assédio moral, falta de terras. Os salários pagos são insuficientes para suprir as necessidades mínimas de uma família. Enquanto isso os governos a serviço do capital, entregam o patrimônio público e destinam bilhões para salvar industriais, banqueiros e latifundiários não só na Comunidade Européia, mas em todos os continentes.
A questão das lutas no Oriente Médio e as guerras no Afeganistão, Iraque e Líbia foram muito discutidas. Todos foram unânimes na defesa das lutas pela democracia dentro da perspectiva da autodeterminação dos povos. No caso da Guerra da Líbia, a intervenção da OTAN capitaneada pelos Estados Unidos, foi denunciada como sendo uma ação que, ao contrário do que vem sendo anunciado pela mídia capitalista mundial, nada tem de ação humanitária, tratando-se, a exemplo do Iraque, de uma tentativa mascarada de manter sobre o controle das transnacionais, a exploração das reservas de petróleo daquele país. Na visão de muitos oradores, o movimento de oposição ao regime comandado pelo coronel Kadafi começou a ser orquestrada de fora depois do líder líbio ter anunciado a possibilidade da não renovação dos contratos de exploração por parte das empresas estrangeiras. Por fim, todas as guerras imperialistas foram vistas como uma necessidade do capital subjugar nações mantendo sob seu controle riquezas naturais e sob regime de exploração os trabalhadores.
Durante o transcorrer do evento aconteceram diversas ações paralelas: como o encontro de mulheres (representavam 40% das delegadas); por setor de produção; por continentes; entre outras. A delegação do continente americano discutiu sobre a necessidade da criação de novas seções da FSM na América. Houve também um chamado para o encontro sindical continental (ENCUENTRO SINDICAL NUESTRA AMÉRICA) a ser realizado em agosto na Nicarágua. Vários encontros bilaterais também ocorreram. Os Camaradas da Unidade Classista-Intersindical, na condição de observadores, mantiveram contatos bilaterais com representantes de outras delegações.
O camarada Sidney Moura, Secretário Sindical (PCB) e a camarada Marta Barçante, ambos da Coordenação da Unidade Classista (PCB) e da INTERSINDICAL, estiveram presentes ao evento, na condição de observadores, já que a Intersindical não é filiada à FSM. Durante o congresso foram feitos diversos contatos, com destaque para a bilateral com dirigente do PAME. Na oportunidade o Secretário Sindical do PCB propôs um intercâmbio para troca de experiências entre sindicalistas gregos e brasileiros, com o objetivo de trocar experiências e aprofundar relações internacionalistas entre trabalhadores.
Duas atividades importantes aconteceram durante o congresso. Uma das maiores e mais ativa central sindical classista do mundo, O PAME (Grécia) recepcionou os congressista na sede do Partido Comunista Grego (KKE).
A outra foi a homenagem feito pelo PAME a Simon Bolívar, que contou com a participação de representantes de países da América Latina.
O congresso transcorreu num clima fraterno e democrático. As divergências foram resolvidas através votos abertos e às vezes secretos.
O Camarada grego Mavrikos foi reeleito secretário geral da FSM e deverá coordenar as ações de enfrentamento entre capital e trabalho nesta próxima gestão.

"Abril Vermelho": MST ocupa 70 fazendas e 13 sedes do Incra em 17 Estados e no DF


Do UOL Notícias

Em São Paulo

A jornada de lutas do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), batizada pelo movimento de “Abril Vermelho”, completou 17 dias nesta segunda-feira (18) com ocupações de mais de 70 fazendas e 13 sedes do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em 17 Estados e no Distrito Federal. As atividades da jornada de lutas mobilizou cerca de 18 mil famílias, segundo o setor de comunicação do MST.

Após 15 anos, dois únicos condenados pelo massacre de Eldorado dos Carajás continuam soltos

Um dos fatos mais trágicos da história brasileira pós-ditadura militar, o massacre de Eldorado dos Carajás, completa 15 anos neste domingo (17). O episódio, que jamais será apagado da memória das vítimas e dos envolvidos, ainda não foi superado judicialmente. No total, 19 sem-terra foram mortos e mais de 70 ficaram feridos em uma operação truculenta e atabalhoada, ordenada pelo governo do Pará e executada pela Polícia Militar. Dos 154 policiais denunciados pelo Ministério Público, no que ficou conhecido como o maior julgamento da história do Brasil, apenas dois foram condenados a pena máxima por homicídio doloso: o coronel Mário Collares Pantoja e o major José Maria Pereira. Ambos aguardam em liberdade o fim do processo por força de um habeas corpus concedido pelo ministro Cezar Peluso, do STF (Supremo Tribunal Federal), em 2005.

Além das ocupações, os manifestantes do MST realizaram atos, debates, marchas e bloquearam estradas. Os sem-terra reivindicam o assentamento de 100 mil famílias acampadas pelo país; a criação, por parte do governo federal, de um plano de metas de assentamentos até 2014; ampliação do crédito rural aos assentados e a renegociação de dívidas; e o investimento público em infraestrutura em áreas da reforma agrária-- construção de casas, escolas, hospitais, implementação de saneamento básico e criação de agroindústrias.

Há também reivindicações específicas em cada Estado. Além das exigências, o MST organiza o Abril Vermelho para relembrar o massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 sem-terra foram mortos pela Polícia Militar do Pará em 17 de abril de 1996.

O movimento também aproveita a data para fazer campanhas contra o uso de agrotóxicos nos alimentos --que, segundo o MST, envenenam a população brasileira-- e para defender a agricultura familiar, em detrimento do agronegócio. Os sem-terra fazem propaganda contra a aprovação do novo código florestal e pelo fim do desmatamento.

Na quarta-feira passada (13), representantes do MST se reuniram com o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, que se comprometeu a dar uma resposta às demandas dos sem-terra até o dia 2 de maio, segundo o movimento. Na semana passada, houve reuniões também entre o MST e os ministérios do Desenvolvimento Agrário e da Educação.

Veja abaixo as ações realizadas nos Estados:

Nordeste:

Alagoas

Desde quinta-feira (14), cerca de mil famílias estão promovendo ações em todo o Estado. A BR-101 foi bloqueada nos municípios de Joaquim Gomes e Junqueiro. A agência do Banco do Brasil de São Luiz do Quitunde está ocupada pelos agricultores da região, de acordo com o MST.

Bahia

Cerca de 3.000 famílias estão acampadas na Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri) de Salvador desde segunda-feira (11). Anteriormente, os sem terra ocuparam o Incra. O MST exige o assentamento de 25 mil famílias no Estado, além da construção de escolas, postos de saúde e ampliação do crédito agrícola. Desde o início do mês, 36 fazendas foram ocupadas na Bahia, envolvendo mais de 10 mil famílias, segundo o movimento.

Ceará

O MST mantém ocupadas as sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Secretaria de Desenvolvimento Agrário, do governo do Ceará, em Fortaleza. Os protestos mobilizam 800 famílias desde segunda-feira (11) e cobram a realização da Reforma Agrária e políticas de desenvolvimento dos assentamentos. Foram realizadas também quatro ocupações de terra no interior do Ceará. O MST reivindica uma audiência com o governador Cid Gomes (PSB).

Maranhão

Na quinta-feira passada (14), cerca de 400 trabalhadores ocuparam as sedes do Incra em Imperatriz e São Luiz e permanecem no local até que as negociações avancem.

Paraíba

Desde o último dia 10, cerca de mil famílias participam das mobilizações no Estado, Na manhã da terça-feira passada (12), os sem-terra acamparam na sede do Incra, em João Pessoa. As famílias reivindicam o assentamento das famílias acampadas e políticas públicas para os assentamentos.

Pernambuco

O MST ocupou mais oito fazendas em vários municípios pernambucanos, somando nove áreas ocupadas no Estado, com a mobilização de 2.000 famílias. Foram realizadas ocupações em propriedades nos municípios de São Bento do Una, Altinho, Igarassu, Joaquim Nabuco, Itambé, Sertânia, Petrolina, Granito e Inajá.

De acordo com o Incra de Pernambuco, 57% dos latifúndios cadastrados no órgão são improdutivos, o que dá um total de 411.657 hectares de terras improdutivas no Estado. Essa área é suficiente para assentar as 23.000 famílias que vivem hoje acampadas em todo o Estado, segundo o MST.

Sergipe

Cerca de 300 famílias acamparam em frente ao Incra em Aracaju na quarta-feira (13). As famílias reivindicam a uma audiência pública com a Secretaria de Estado da Agricultura e com a superintendência do Incra para pautar agilidade nos processos de desapropriação da fazenda Tingui ocupada há 14 anos por 230 famílias sem-terra. Os manifestantes exigem também a liberação imediata de dois lotes empresariais para as 89 famílias.

Sudeste:

Rio de Janeiro

Cerca de 400 famílias ocuparam a sede do Incra na capital na última quinta-feira (14). No mesmo dia, pela manhã, o MST foi homenageado com a maior comenda do Estado do Rio de Janeiro, a Medalha Tiradentes.

São Paulo

Cerca de 280 famílias ocuparam a fazenda São Domingos 1, em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema, na manhã da última sexta-feira (15). A ocupação tem como principais reivindicações a criação de um projeto de assentamento na área. Em uma área próxima ao município de Orlândia, na região de Ribeirão Preto, cerca de 30 famílias do MST acamparam nas margens da rodovia do Rosário, na manhã de quinta-feira. A área é um território da União que pertencia à antiga rede de ferrovias da Ferrovia Paulista SA (Fepasa).

Na terça (12), mais de 200 famílias do MST distribuíram cerca de uma tonelada de alimentos para as pessoas que passavam pela praça do Palácio do Rio Branco, sede da prefeitura de Ribeirão Preto. Os alimentos foram produzidos sem a utilização de agrotóxicos, segundo o movimento nos assentamentos Mário Lago, em Ribeirão Preto, e do Sepé Tiarajú, de Serrana.

Sul:

Paraná

O MST realizou um ciclo de audiências públicas para discutir o desenvolvimento em áreas de reforma agrária no norte e centro-oeste do Paraná na quinta-feira passada (14).

Rio Grande do Sul

Cerca de 500 assentados ocupam o Incra desde terça-feira (12) em Porto Alegre e permanecem no local por tempo indeterminado. À tarde, as famílias iniciaram as negociações com o governo estadual para tratar da pauta de reivindicações que foi entregue em fevereiro. Foi ocupada também a fazenda Guerra, em Coqueiros do Sul. Os sem-terra já saíram da fazenda depois de um diálogo com o governo de Tarso Genro (PT).

Santa Catarina

O MST realizou duas ocupações na quinta-feira passada, na fazenda Xaxim 1, localizada no município de Curitibanos, com 150 famílias; e da fazenda Batatais, com 100 famílias, em Mafra. Militantes ainda tiveram audiências com o Incra do Estado para levar as reivindicações das famílias.

Centro-Oeste:

Distrito Federal

Mais de 300 famílias organizadas pelo MST ocuparam a "Reserva D", do núcleo rural Alexandre Gusmão, em Brazlândia (DF) na quinta-feira passada (14). A área --improdutiva, segundo o movimento-- tem 4.000 hectares e pertence ao Incra desde 1962. Também na quinta (14), cerca de 200 famílias ocuparam a sede do instituto em Brasília.

Goiás

Desde o último dia 10, cerca de 800 famílias ocupam a sede do Incra em Goiânia, informa o MST.

Mato Grosso

Desde a segunda passada (11), mais de 300 famílias MST estão acampadas no Trevo do Lagarto, na saída de Várzea Grande, reivindicando legalização de assentamento no Estado e melhoria na estrutura nos locais já assentados. Na mesma manhã, os sem-terra interromperam o tráfego nas BR 364 e 163, liberando-as após o inicio do diálogo, segundo o MST.

Norte:

Pará

Entre os dias 10 a 17 de abril, o MST realizou a “Semana Nacional de Luta Camponesa e Reforma Agrária” no Pará, para celebrar os 15 anos do Assentamento 17 de Abril, em Eldorado dos Carajás, e relembrar os 15 anos do massacre. Atos políticos e culturais foram realizados no assentamento e no espaço do monumento na “Curva do S”, palco do massacre. Os sem-terra exigem que os responsáveis pelo massacre sejam presos.

A juventude do MST Os militantes também organizou um acampamento pedagógico que envolveu 1.000 jovens de acampamentos e assentamentos de várias regiões.

Rondônia

Na quarta-feira passada (13), 500 famílias do MST ocuparam a sede de unidade avançada do Incra em Ji-Paraná, em Rondônia. O protesto cobra agilidade do governo federal no assentamento das famílias acampadas em todo o Brasil e também medidas para o desenvolvimento dos assentamentos, com a construção de escolas, estradas, poços artesianos e instalação de energia elétrica.

Programas Futebol e Política do Canal do Jornal O Poder Popular.

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