domingo, 11 de março de 2012

Rodoviários e médicos do HPS em greve nesta segunda

Atendimento no João XXIII está condicionado a uma proposta de melhoria nos salários-base e nas condições de trabalho. Já os rodoviários querem 12% de reajuste

POR RENATO FONSECA

Faltam ônibus na Estação Diamante. Das 16 linhas, apenas duas estavam rodando

Rodoviários querem reajuste de 12% e redução de jornada

Médicos paralisam atendimento nesta segunda no HPS

Belo Horizonte e parte da região metropolitana ficam sem ônibus nesta segunda-feira (15). Os rodoviários voltam a fazer greve. Para complicar ainda mais, o atendimento médico na capital ficará precário com a paralisação, por tempo indeterminado, do Pronto Socorro do Hospital João XXIII.
A greve dos rodoviários será retomada em Belo Horizonte e em parte da Região Metropolitana. A confirmação de que os rodoviários voltam a cruzar os braços foi feita durante assembléia da categoria, na tarde do último domingo (14).
Cerca de mil trabalhadores do setor participaram do encontro, ocorrido na capital. O transporte deixou de funcionar a partir da zero hora desta segunda.
De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários, cidades como Ribeirão Neves, Sabará e Santa Luzia, Vespasiano, Nova Lima, Rio Acima e Pedro Lepoldo também ficarão sem transporte.
A Estação Diamante, no Barreiro, que sempre esta abarrotada de veículos, esta vazia hoje. Faltam ônibus e muitos passageiros não sabem o que fazer. Segundo informações de um agente da BHTrans, das 16 linhas da que atendem a estação, apenas duas estavam rodando, até às 6h30, e em uma delas, que atende normalmente com 35 ônibus, apenas seis estavam nas ruas.
Betim está fora da greve e Contagem confirma paralisação
Sindicatos de Contagem e Betim fizeram reunião na tarde de domingo. Em Betim houve acordo. Os rodoviários aceitaram reajuste oferecido de 6,5%. A informação é do presidente do sindicato, Gerson Cesário. Além do aumento salarial, os funcionários receberão R$ 245 em vale-refeição.
Já o sindicato de Contagem não aceitou os valores oferecidos na negociação em assembleia e resolveu manter a paralisação total do serviço nesta segunda.
Os rodoviários recusaram a última proposta apresentada pelas empresas, de aumento de 4,36%. Os trabalhadores querem reajuste de 12% e redução da jornada de trabalho.

Sem atendimento

Os médicos do Hospital de Pronto-Socorro João XXII (HPS), em Belo Horizonte, decidiram entrar em greve por tempo indeterminado a partir desta segunda. Somente os casos de urgência serão atendidos, como aconteceu das 7 horas de segunda-feira às 7 horas de terça-feira, período em que o operário Custódio dos Reis Santana, 29 anos, não conseguiu implantar a mão que havia perdido em um acidente.
Profissionais de dois hospitais se negaram a atendê-lo. Ele recebeu alta ontem e adiantou que vai entrar na Justiça.
Custódio Santana informou que vai pedir indenização por danos morais. No dia do acidente, ele procurou, primeiro, mas os médicos grevistas, durante a triagem, não consideraram que o caso era de urgência. Depois, foi para o Hospital Odilon Behrens (HOB), local em que também não foi atendido. Nesta sexta à tarde, ao receber alta, ele ainda não sabia se a ação que irá mover será contra a Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), que administra o João XXIII ou os médicos grevistas. O operário também estuda a possibilidade de acionar, na Justiça, o HOB.
Os médicos do HPS querem aumento do salário-base, que, hoje, é de R$ 2.400 por 24 horas de plantão por semana. Segundo a direção do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais, não foi apresentado à direção da Fhemig pedido de reajuste. A entidade alega que espera apresentação de uma proposta pela direção da fundação. De acordo com a entidade, sinalização de reajuste poderá suspender a greve.
No HPS, maior hospital especializado no atendimento de traumas, são cerca de 300 médicos que assistem cerca de 400 pessoas por dia. Segundo a Fhemig, as reivindicações da categoria profissional estão sendo analisadas. Sobre a ação judicial que será movida por Custódio Santana, a fundação alegou que não tem conhecimento.

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