sexta-feira, 18 de maio de 2012

Em memória de todos os que tombaram contra a ditadura


(Nota Política do PCB)

A Comissão Política Nacional (CPN) do Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem a público saudar a Articulação Nacional pela Memória Verdade e Justiça - uma entidade que congrega organizações políticas, movimentos sociais, sindicatos, coletivos de juventude, grupos artísticos e familiares de mortos e desaparecidos - e manifestar seu apoio ao trabalho que vem sendo desenvolvido no sentido de construir um grande movimento de massas para que se apurem os crimes da ditadura, se estabeleçam as ligações entre os grupos empresariais, funcionários públicos e a máquina da tortura no Brasil e crie condições para que se possa punir os torturadores e assassinos de toda uma geração de jovens, trabalhadores, camponeses, sindicalistas e militantes sociais e políticos que lutaram contra a ditadura no Brasil.
A CPN avalia como positiva a instalação da Comissão da Verdade pelo governo. Lembramos, todavia, que foi preciso uma condenação do Brasil por parte da OEA para que o governo pudesse tomar essa medida, que protelava para não melindrar as Forças Armadas e os setores conservadores de sua base de sustentação. Mas alertamos que esta comissão tem uma composição heterogênea e não possui sequer representantes dos familiares dos mortos e desaparecidos. É um sinal de que a Comissão foi composta para uma conciliação nacional, ou seja, “virar esta página da história” e o Brasil seguir em frente na direção de se transformar numa potência capitalista.
Por isso, é necessária a organização de um grande movimento social, envolvendo organizações sindicais, estudantis e de bairro, manifestações de rua em todo o País, para que o resultado dos trabalhos não se transforme numa conciliação com os algozes de nosso povo. O PCB, como uma das organizações que mais brutalmente foi reprimida pela ditadura - basta dizer que um terço de seu Comitê Central foi assassinado na tortura e desaparecido - se compromete a levar esta luta até o fim, em homenagem não apenas aos nossos mortos e torturados, mas também a todos que sofreram e tombaram na luta contra a ditadura.
A CPN também avalia que este não é o momento de privilegiar o debate das divergências sobre as formas de lutas das organizações de esquerda durante a ditadura, até mesmo porque a ditadura prendeu, torturou e assassinou camaradas de todas as organizações. Este é o momento de reverenciar todos os que lutaram contra o regime militar, especialmente aqueles que rubricaram com sangue a luta contra a ditadura. São todos eles nossos heróis, desde os que se alçaram em armas nas cidades, os guerrilheiros de Caparaó e do Araguaia, até aqueles que desenvolveram silenciosamente um paciente trabalho de organização dos trabalhadores nas fábricas e nos sindicatos, aqueles que organizaram a população nos bairros, os jovens nas organizações estudantis, os intelectuais e o mundo da cultura em geral. Continuaremos a sua luta e não daremos trégua aos inimigos do nosso povo.
As recentes informações de um agente da ditadura de que os corpos de vários companheiros foram incinerados em um forno de uma usina de açúcar em Campos chocaram a opinião pública e mostraram a bestialidade com que os facínoras da ditadura agiam contra os prisioneiros políticos. Entre os corpos incinerados estariam os de quatro camaradas do PCB: Davi Capistrano, João Massena, Luiz Maranhão e José Roman.
Associamo-nos à correta iniciativa do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no sentido de que esta fazenda de Campos seja desapropriada para fins de reforma agrária e que sua sede sejatransformada em um memorial da tortura e da brutalidade da ditadura. Ali se encontra o verdadeiro cemitério de nossos heróis, independente da organização a que pertenciam.
Para reforçar esta luta, achamos fundamental que a Articulação Nacional pela Memória Verdade e Justiça organize um expressivo e unitário ATO NACIONAL na fazenda onde foram incinerados os nossos camaradas, com ocupação de suas terras, para honrarmos a trajetória de lutas desses nossos heróis.
A Comissão Política Nacional do PCB manifesta sua solidariedade a todos os familiares dos presos, mortos e desaparecidos e às entidades que se constituíram para denunciar os crimes da ditadura e reafirma que esta luta não foi em vão e que todo trabalho de denúncia, investigação, de acúmulo e documentação realizado nestes anos será não só um precioso aporte para a memória dos nossos heróis mortos e desaparecidos, mas também um importante testemunho para as novas gerações.
Não silenciaremos enquanto toda a verdade não for apurada!
Não silenciaremos enquanto a justiça não for feita!
São Paulo, 13 de maio de 2012
(Comissão Política Nacional do PCB)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

15 DE MAIO de 1948 – NAKBA - A tragédia palestina ampliada para o Mundo Árabe e a solidariedade da esquerda brasileira




Maristela R.Santos Pinheiro (*)
Neste dia, inicia-se, com a fundamental conivência do imperialismo, cujo centro ainda era a Inglaterra, a política de limpeza étnica na Palestina, quando centenas de sionistas armados e organizados em milícias mercenárias entram na Palestina trazendo o terror, a violência e a morte para mais de 675 vilarejos palestinos; milícias assassinas cujos nomes a história jamais esquecerá: Irgun, Stern, Hanagá – esta última deu origem ao atual Exército de Defesa de Israel.
A estratégia de terror adotada na ocupação das terras palestinas para a construção de um Estado Judeu foi deliberadamente planejada tendo em vista os interesses geopolíticos da emergente nação estadunidense, no Mundo Árabe.
“Em 7 de março de 1949, um memorando do chefe do Estado-Maior da Força Aérea norte-americana dirigido ao Estado-Maior conjunto sobre “os interesses estratégicos dos Estados Unidos em Israel” requeria um ajuste nesse sentido: “O equilíbrio dos poderes no Oriente Próximo e no Oriente Médio foi radicalmente alterado. Em troca de seu apoio a Israel, os Estados Unidos podem agora tirar vantagens estratégicas da nova ordem política”. Com base nesses cálculos, o chefe do Estado-Maior da Força Aérea recomendou que a formação e a cooperação militares fossem reconsideradas e, especialmente, que a influência soviética sobre o novo Estado fosse neutralizada.”.
Já se passaram 64 anos desde maio de 1948, e se lançarmos um olhar histórico para a região podemos ver claramente a crescente importância desta “poderosa base militar” para a estratégia dos EUA no Mundo Árabe e seu entorno.
Nesses 64 de Nakba, a tragédia, o genocídio e a ocupação militar, política, cultural e econômica foi reproduzida e ampliada como principal meio de dominação imperialista sobre a região  árabe e seu entorno, como o Afeganistão e a Líbia.
Os países cujos governos estão dispostos à  cooperação político-militar-econômica tem o apoio irrestrito do sionismo para manter seus povos sob controle ditatorial e não admitem oposição, que a rigor são tratadas como terroristas, ou seja: prisões, torturas e assassinatos seletivos. Caso da Arábia Saudita, Bahrein, Qatar e o Iêmen.
Os Estados que se insurgem contra a dominação imperialista têm suas soberanias destruídas, os Estados desmontados e seus povos dizimados, caso trágico do Iraque; do Afeganistão, desde a Guerra Fria, quando os EUA financiam e armam a Al Qaeda (velhos amigos) e da Líbia destruída pelo exército de mercenários pagos pelo Qatar; acessória britânica e sionista; a Al Qaeda e a poderosa OTAN. Os povos desses países sentem na carne, como nenhum outro, o benefício da R2P, a Responsabilidade Para Proteger, da democracia capitalista!
Com a ajuda da CCG – Conselho de Cooperação do Golfo – entidade que reune Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã – aliados incondicionais dos EUA e de Israel, países como a França, a Inglaterra, EUA e o Estado sionista introduzem  muitas armas israelenses e grupos mercenários, milícias armadas e assassinas, que investem contra a população civil numa tentativa furiosa de desestabilizar o Estado sírio, conhecido na região pelo seu irrestrito apoio às resistências antiimperialistas do Oriente Médio, em particular a da Palestina e do Líbano. Nesses macabros e terríveis episódios de terror contam com a presença marcante da Irmandade Muçulmana  nos bárbaros e explosivos  acontecimentos que ameaçam  e matam a população civil síria e que exigem a intervenção militar imperialista à Síria, sem o menor constrangimento.
Mas, as coisas não estão saindo exatamente como o esperado: O povo sírio se unificou em torno das mudanças democráticas dirigidas pelo governo; tomou para si o destino do país e luta diariamente nas ruas, numa demonstração bravíssima de resistência antiimperialista,  para que seu país não tenha o mesmo desfecho que se deu na Líbia, em que a aliança da OTAN, leia-se países imperialistas, com o fundamentalismo “islamofascista” conseguiu destruir e fragmentar de tal forma o Estado que a vida do seu povo foi reduzida à barbárie.
No Egito, a fim de frear a ofensiva antiimperialista e antissionista do povo árabe, essa quadrilha financia e dá suporte político e institucional à dócil e aliada Irmandade Muçulmana, organização pró-ocidental, que concorrerá às eleições através de seu braço político, o Partido Liberdade e Justiça. Mas na praça Tahrir, símbolo da ofensiva,  a massa incansável segue se organizando em sindicatos independentes e organizações políticas e não desiste, apesar de toda repressão. Na Tunísia, o grosso do investimento com a mesma finalidade vai para organização Annahda.
A luta não foi vencida, mas tão pouco foi ganha!
Por trás da estratégia de acalmar os ânimos das massas egípcias, está o interesse  de manter o domínio econômico  das grandes corporações multinacionais: bancos, agronegócios, indústrias e os negócios das armas e o domínio político do Egito, importantíssimo para que não se quebre o frágil equilíbrio mantido pelo imperialismo no Mundo Árabe.
O Egito, o coração e a alma do Mundo Árabe; mais de 80 milhões de habitantes; a mais importante classe operária; vizinho da Palestina pela Faixa de Gaza , maior “campo de extermínio”  a céu aberto do mundo; vizinho de Israel e dono de uma força militar significativa na região joga um papel determinante na manutenção do status quo.
A intenção do imperialismo/sionismo não se esgota aí; ameaçam chegar até a Pérsia e definir geopoliticamente sua supremacia mundial, abalada pela crise sistêmica que varre o planeta e abala a acumulação do capital, através da rapina das riquezas minerais, no caso o petróleo e da GUERRA que fomentará mais a economia desse sistema que se alimenta e se amplia com o terror.
A situação é muito complexa e envolve inclusive altíssimos investimentos em ONGs de Direitos Humanos, a associação destas com o National Endowment for Democracy (NED); ONGs cujos projetos e programas “inofensivos” escondem a colaboração destas com os interesses sionistas, da OTAN e do imperialismo.
Veja o texto “Las organizaciones de derechos humanos fomentan las guerras”
Não haverá paz no Mundo Árabe, não haverá  justiça social enquanto existir essa poderosa base militar nuclear (Israel) em seu seio, sustentada financeiramente pela burguesia imperialista, pelos grandes grupos coorporativos, pelo capital financeiro e bélico e politicamente pelos Estados imperialistas, incluindo os da Europa.
Essa compreensão me leva a ousar dizer que a solidariedade internacionalista com a luta do povo palestino deve estar à altura das necessidades dessa nova conjuntura internacional; sendo assim, a defesa da causa palestina, após 64 anos,  não pode mais ser vista de forma isolada, por que verdadeiramente não é solidariedade internacionalista, dessa forma.
A Palestina não é uma ilha fechada com seus problemas políticos internos; ao contrário, 64 anos de ocupação sionista na Palestina significaram, na prática, a ampliação da política de terror para outros países árabes, para todo o povo árabe, significou a ampliação da dominação política-econômica-cultural no Mundo Árabe. Da mesma forma, o desfecho da luta no Egito e na Síria, cada qual com suas realidades específicas, afetará diretamente a luta do povo palestino, para o bem ou para o mal. São partes da mesma luta, da mesma intifada, da mesma dominação; por isso, encerram uma forte relação dialética.
Neste ponto temos um grave problema a superar na esfera da solidariedade internacionalista.
As correntes e organizações políticas que transitam nos movimentos sociais e sindicais, comprometidas com a política externa do governo brasileiro, e alinhadas com as posições da Al Fatah, fazem campanhas reproduzindo a falsa discussão da possibilidade dos dois estados
(vide texto “E os palestinos? O que pensam sobre um Estado para todos, Ou, dois Estados. http://old.kaosenlared.net/noticia/palestina-laica-livre-soberana-para-todos )
Por óbvio, essa discussão no seio da solidariedade internacionalista gerou e gera uma certa tensão, mas, até aqui, não impediu a prática da unidade na ação, toda vez que o movimento de solidariedade brasileiro, em seu conjunto, foi chamado a ir às ruas ou fazer declarações conjuntas. Em diversos momentos, apesar das dificuldades que essa diferença estratégica levanta, o conjunto amplo da esquerda brasileira trabalhou junto na defesa da causa palestina, apesar das diferenças táticas, de nossas filiações partidárias e dos alinhamentos com as organizações políticas árabes/palestinas.
Mas, lamentavelmente, a partir da investida da contra-revolução na Líbia, e em seguida, na Síria, um setor importante da solidariedade internacionalista passa a apoiar abertamente os setores árabes ligados ao imperialismo; a generalizar os levantes numa mesma análise e sob uma mesma bandeira; a ter como base de informações ONGs ligadas aos Direitos Humanos; a citar fontes como a Al Jazeera, emissora reconhecidamente comprometida com o “ocidente”; a reconhecer como verdadeiras as informações da mídia nacional hegemônica e, por fim, a fazer um chamado para o envio de armas para os já bem armados grupos mercenários..... é estarrecedor !!!
Não acreditamos na possibilidade de estarmos do mesmo lado na solidariedade à luta de um povo com grupos que trabalham  para fortalecer  os inimigos desse mesmo povo (e da humanidade) em outro cenário.
Essa não é uma diferença qualquer. A unidade necessária para o bom encaminhamento da solidariedade internacionalista em defesa da causa palestina foi quebrada.
A base segura  da solidariedade internacionalista à luta dos povos requer uma análise marxista aprofundada que leve em conta todos os elementos da realidade, incluindo as contradições que gera, as posições tiradas destas análises são pautada pelo cenário que mais fortaleça a luta dos trabalhadores , desses povos, por um mundo mais justo, contra o capital.
Sinceramente, não consigo ver no horizonte uma solução capaz de superar esse gravíssimo problema político, mas isso não significa que a esquerda brasileira perdeu o passo do internacionalismo; por sorte, temos a maioria. Importantes forças, organizações sociais e partidos políticos de esquerda do nosso país estão firmes na defesa intransigente da luta do povo palestino e do povo árabe, de caráter antiimperialista e antissionista. Em particular, sinto-me à vontade para citar a atuação dos Comitês de Solidariedade organizados nos Estados.
VIVA A UNIDADE DO POVO SÍRIO CONTRA O IMPERIALISMO!
VIVA A LUTA ANTIIMPERIALISTA  DO POVO EGÍPCIO!
VIVA A LUTA DO POVO DO BAHREIM CONTRA A DITADURA !
VIVA A RESISTÊNCIA LIBANESA !
VIVA A PALESTINA LIVRE!
*Maristela R.Santos Pinheiro (militante do PCB-RJ)
http://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2012/05/15-de-maio-de-1948-nakba-tragedia.html

sábado, 12 de maio de 2012

OCUPAÇAO ELIANA SILVA, PRESENTE!

Eu ia escrever um artigo relatando o que ocorreu na desocupaçao Eliana Silva, a partir do olhar de quem esteve la desde as 4 horas da manha. O belissimo artigo do Frei Gilvander  abaixo,  me satisfaz plenamente. Assim, escrevo algo mais pessoal.  
Provavelmente, voces nunca viram 350 familias lutarem pelo direito minimo de um ser humano: ter onde morar. A ausencia deste direito, retira nossa dignidade, nossa referencia, nosso chao. Sem isto, sem endereço nao se encontra trabalho.  Nao se consegue identidade. Nao existe. Em apenas 21 dias de ocupaçao, vivenciamos a mudança de comportamento das pessoas: solidarias, seguras de seus direitos, constroem um coletivo. Se sentiam como GENTE com direitos e deveres. Sao estas pequenas vitorias que mostram como os povo trabalhador ao conseguir pela luta seus direitos, se transformam. Nao ficam esperando doaçoes de caridade ou do Estado. A maioria das familias ficaram anos na fila de programas de moradia. Agora ja sabem que um pais que dedica 45% de seu orçamento para pagar o sistema financeiro e apenas 2,9% para educaçao, 3,9% saude (dados de 2010), nao é um pais serio.
E, de outro lado, estamos vendo o Brasil se transformar na 6ª economia do mundo. E, divulgar que tem um dos homens mais rico do mundo que, a partir de 2011mais cinco homens brasileiros passam a compor o rol dos 500 mais ricos do mundo. Nao é preciso ir longe para ver mansoes, carros luxuosos com motoristas. Este seguramente, nao é o país de nossos sonhos.
 E, fico com uma tristeza imensa quando vejo a maior parte dos antigos companheiros de luta, que acreditavam em um mundo diferente,  assumirem a ordem capitalista, destruindo o que estas familias construiram, jogando-as nas ruas. Esquecem suas historias quando nos anos 60, 70, 80 e 90 faziam estas mesmas lutas. Se esquecem que varios petistas atuais, moram em ocupaçoes conquistadas naquela epoca. A tristeza de ver do outro lado da barricada, bancando a inflexibilidade do estado, apoiando as forças policiais pessoas que ja acreditaram no movimento social.
Outra questao chocante, é a noticia de que nao houve violencia.  O que é a violencia? É a morte, a lesao fisica?
Eu vi  violencias inimaginaveis. Depois de ter convivido com estas familias durante o periodo de construçao dos barracos, vi como se desenvolvia ali novas relacoes embasada pela solidariedade. Vivenciamos o desenvolvimento de uma comunidade. Isto é que foi destruido. Esta é uma violencia inimaginavel.
Mas, vi outras violencias: um casal de 79 anos que tinha ali colocado sua esperança de ter uma casinha sua, sendo colocado ao relento. Varias jovens maes, com bebes no colo, enfrentando a policia. Vi uma mulher que indignada quando levaram o botijao e o fogao da cozinha coletiva, correu atras e tomou o botijao e, so nao foi espancada mais porque todos entraram no meio. Vi os apoiadores da comunidade Camilo Torres e de outros movimentos sociais, fazerem uma manifestaçao e serem agredidos, recebendo  spray de pimenta nos olhos atingindo inclusive varias crianças que estavam pertos.
A violencia de ficar durante todo um dia e a noite,  cercada por todos os lados com a policia a cavalo, batalhao de choque, Gate (Grupamento de açoes taticas especiais), helicoptero equipado para a açao e dando voos razantes. Cercaram toda a comunidade. Nao podia entrar nem sair. Assim, até o direito burgues de ir e vir, foi cerceado. Foi procurando valer este direito que vivenciei dois atos de violencia fisica.
O primeiro, em torno de 9horas quando o companheiro pataxo Jean Carlos Pereira e eu retornavamos à Comunidade Eliana Silva, de onde tinhamos saido as 7 horas da manha e onde era o nosso lugar. Ao insistirmos em entrar algemaram e prenderam o indio Jean. Como eu estava junto, entrei no meio e perguntei porque o prendiam. Resposta: desacato a autoridade. Mas, era a mesma situaçao minha? Entrei na frente, tomei os dados do Jean, argumentei mas, o levaram. Prisao provocada pela discriminaçao: indio, negro e pobre neste pais nao tem vez.
O segundo, quando dezenas de apoiadores que estavam de fora, resolveram buscar um caminho alternativo para entrar na comunidade. A policia percebeu o movimento, foi e barrou. Porem,  4 de nos conseguimos passar. Ao chegarmos por tras, os policiais que estavam dentro da comunidade, nos cercaram. Como insistiamos em ficar, 2 policiais me jogaram no chao, subiram em cima de mim, forçando minha cabeça no chao e com as maos para tras, para colocar a algema. Imediatamente, todos que estavam la, incluindo os advogados, parlamentares e o Frei Gilvander entraram e conseguiram me resgatar. Fiquei com o corpo todo doendo, com os braços arranhados, a roupa imunda e o oculos quebrado.
ISTO NAO TUDO NAO É VIOLENCIA?

Mais do que nunca precisamos fortalecer a rede de solidariedade, pois derrubaram as barracas mas nao retiraram a vontade de luta. As pessoas permanecem no local. 
TODO APOIO AO MLB, MOVIMENTO QUE COORDENA A OCUPAÇAO

VIVA A LUTA DO POVO QUE RESISTE!!!

VIVA A OCUPAÇÃO ELIANA SILVA!!!




Em Belo Horizonte, caveirão para os pobres que lutam.
Cerca de 300 famílias jogadas ao relento sob uma noite fria.
Gilvander Luís Moreira[1]

Ai daqueles que pisam nos pobres, que tripudiam sobre a dignidade de crianças recém-nascidas, de idosos, de deficientes e indefesos, todos pobres!

Eu vi e nunca esquecerei. Vi e dou testemunho.
Vi os pobres se organizarem durante meses buscando se libertar da cruz do aluguel, que come no prato do pobre, que é veneno para quem ganha só salário-mínimo.
Vi os cansados da humilhação de sobreviver de aluguel dar um grito de liberdade: Pátria Livre! Venceremos!
Vi na madrugada do dia 21 de abril de 2012 cerca de 350 famílias sem-terra e sem-teto ocuparem um terreno que estava abandonado há mais de 40 anos.
Vi as cerca de 1.500 pessoas resistirem bravamente e não serem despejadas já no primeiro dia.
Via o MLB – Movimento de Libertação nos Bairros, Vilas e Favelas – coordenar a Ocupação Eliana Silva[2] com idoneidade, com participação ativa e paixão pelo próximo.
Vi durante três semanas, quase todos os dias, o povo, melhor dizendo, a comunidade que estava se formando na Ocupação Eliana Silva, grande lutadora da Ocupação Corumbiara, em Belo Horizonte.
Vi a sensatez da Dra. Moema, juíza de plantão, negar dia 21/04/2012, a reintegração de posse à prefeitura de Belo Horizonte, porque a área ocupada não tem registro, nem matrícula e nem está averbada. Até 1992 era terra devoluta do Estado de Minas Gerais.
Vi com tristeza da juíza Luzia – que deveria gerar luz, mas gerou trevas –, da 6ª Vara de Fazenda Pública Municipal, cancelar a decisão da juíza de plantão e, mesmo sem a prefeitura de Belo Horizonte comprovar ser a legítima proprietária e ter posse do terreno, em uma decisão ilegal mandou reintegrar a prefeitura na Posse do terreno, autorizando a polícia a usar a força, sem oferecer uma alternativa digna para as 350 famílias. A juíza se sensibilizou ao ouvir que a prefeitura tem a intenção de formar ali um Parque Municipal, mas não sabe ela que na região há um parque municipal que está abandonado.
Vi, acreditando na sensibilidade da juíza Luzia, ela pedir o cadastro das famílias e prometer fazer Audiência de Conciliação, mas não cumpria a promessa de buscar a conciliação. Sem deliberar sobre Embargos de Declaração, exigiu que o despejo fosse feito com urgência. Lá não havia coisas, mas seres humanos que precisam ser respeitados na sua dignidade.
Não vi, mas ouvi que o prefeito de BH, sr. Márcio Lacerda e seu procurador Geral, sr. Marco Antônio, pressionaram fortemente a juíza e desembargadores para que o despejo covarde fosse feito sem piedade.
Vi, às 01:20h da madrugada quando um oficial militar ligou no meu celular e, dizendo que não podia se identificar me disse: “Frei Gilvander, sou oficial militar.Estou chorando, não consigo dormir. Por um dever de consciência estou ligando para lhe informar que um fortíssimo aparato repressivo da PM cumprirá reintegração de posse e despejará a Ocupação Eliana Silva, do Barreiro, hoje cedo. Estou temendo que possa haver derramamento de sangue.”
Vi, após passar toda a madrugada em claro, às 07:00h da manhã do dia 11/05/2012, a polícia militar chegar e congelar toda a área no entorno da Ocupação Eliana Silva. Durante o dia inteiro quem saísse era proibido de voltar e quem vinha para se fazer solidário era proibido de entrar.
Vi chegar mais de 400 policiais da polícia militar e tropa de choque de MG.
Vi chegar ao lado da Ocupação Eliana Silva um Caveirão – um tanque de guerra -, que eu só tinha visto, via televisão, fazendo incursões em comunidades pobres do Rio de Janeiro.
Vi centenas de policiais armadas até os dentes, com gás lacrimogêneo, cães, cavalaria. Muita truculência e prepotência.
Vi e ouvi policiais dizendo que sem-terra e sem-casa devem ser moídos no cacete.
Vi, após 2 horas de tentativa de negociação, a tropa de choque atropelar algumas pessoas: mães com crianças; o Paulo, que levou uma cacetada na cabeça; a Dirlene Marques (economista da UFMG), que foi agredida por policiais ao tentar entrar na Ocupação simplesmente para ser solidária.
Vi, aliás, centenas de pessoas que vieram de longe para ser solidárias com as 350 famílias da Ocupação Eliana Silva serem barradas durante o dia inteiro sem poder ter acesso ao epicentro da operação de guerra que se desenvolvia.
Vi por várias vezes o helicóptero da PM fazendo vôos rasantes sobre a Ocupação com metralhadoras apontadas para o povo. Vi centenas de crianças chorarem e se abraçarem às mães com pavor daquele “pássaro” que ameaçava atirar nelas.
Vi muitas mães serem barradas pela polícia ao pedir para entrar na ocupação para pegar remédios para dar seus filhos que padeciam alguma doença.
Vi o povo da Ocupação Eliana Silva, sob a liderança do MLB, resistir bravamente de forma pacífica. Sentados todos diziam e repetiram o dia inteiro: “Daqui não sairemos. Só se for presos e algemados.”
Vi, com uma punhada no meu coração, policiais, garis e funcionários da prefeitura de BH quebrarem 350 barracas de lona preta que era a única casinha que as famílias tinham construído com muito carinho. Ao serem questionados, alegavam constrangidos: “Tenho que cumprir ordens, pois senão serei desempregado.”
Vi, com os olhos do meu coração, o prefeito de BH, sr. Márcio Lacerda, o Governador de Minas, sr. Anastásia, a PM de Minas, a juíza Luiza, o TJMG e muitos comparsas pisarem, tripudiarem, cuspirem no rosto dos pobres que têm a ousadia de não ser só força de trabalho para as classes média e dominante, mas lutarem, de forma organizada, para viverem com dignidade.
Vi vários veículos de a grande imprensa ouvirem só a versão da polícia que, com a maior desfaçatez diz: “Está tudo na normalidade. Estamos simplesmente cumprindo ordem. O povo vai ser levado para um lugar digno...” Isso é querer tapar o sol com a peneira. Pisar na dignidade dos pobres é normalidade? Tão bom seria se os pobres parassem de trabalhar para seus opressores! Cumprem ordem, sim, mas ordem injusta, imoral. Levar para “abrigos”, que na prática são campos de concentração, é levar para lugar digno? Por que os 2 mil irmãos em situação de rua em BH preferem sobreviver nas ruas do que ir para os abrigos da prefeitura?
Não vi, mas penso, nessa segunda madrugada sem dormir, que os que autorizaram o covarde despejo da Ocupação Eliana Silva, sem alternativa digna, devem estar dormindo tranqüilos em quartos e mansões confortáveis, enquanto cerca de 300 famílias que não se vergaram estão passando essa noite fria ao relento no meio dos escombros de onde por 21 dias estavam vivendo felizes, em comunidade, com muita ajuda mútua, solidariedade e espírito fraterno de luta.
Vi também a luz e a força de tanta gente que se fez solidário.
Vi, sob uma noite fria, o povo como ossos ressequidos clamando por ressurreição.
Vi que fizeram uma grande sexta-feira da paixão dia 11/05/2012 aqui em Belo Horizonte com a Ocupação-comunidade Eliana Silva, mas sei que o amor é mais forte que egoísmo e, por isso, um domingo de ressurreição será gestado.
Vi o “presente” que as mães da Ocupação Eliana Silva receberam: repressão. Aliás, há 15 dias uma Comissão na Ocupação já estava planejando fazer um almoço especial para as mamães da Ocupação Eliana Silva. Mas poderosos ofereceram fel às mães da Ocupação Eliana Silva.
Vi clamores que interpelam nossa consciência e os registrei em nove entrevistas que, em vídeos, estão em www.gilvander.org.br (Galeria de vídeos). A quem não viu sugiro ver essas entrevistas. Eu sugeri à juíza Luzia que as visse, mas ...
Vi muita coisa que me marcou indelevelmente, inclusive, caveirão para os pobres de Belo Horizonte.
Vi e verei sempre que a luta por libertação integral e pela conquistas de direitos humanos- e ecológicos - continuará sempre até depois da vitória.

Belo Horizonte, às 01:10h madrugada do dia 12/05/2012, véspera do dia das mamães, expressão infinita do amor infinito.



[1] Frei e padre carmelita; mestre em Exegese Bíblica; professor do Evangelho de Lucas e Atos dos Apóstolos, no Instituto Santo Tomás de Aquino – ISTA -, em Belo Horizonte – e no Seminário da Arquidiocese de Mariana, MG; assessor da CPT, CEBI, SAB e Via Campesina; e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.brwww.gilvander.org.brwww.twitter.com/gilvanderluis - facebook: gilvander.moreira

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Semana da Ciência da Tecnologia do ICEx e Calourada

Os dias 15, 16 e 17 de maio vai ter a Semana da Ciência e Tecnologia do ICEx, promovida pelo DAICEx - UFMG. As informações estão abaixo e a entrada é franca, sendo que não é necessário inscrição:


Dia 15/05, terça feira, às 17:30h
Crise da Licenciatura

Palestra sobre a crise que se desenvolveu na licenciatura, suas implicações e
causas.
Palestrante: Doutor Pablo Lima - FAE UFMG - Licenciatura indígena

Dia 16/05, quarta feira, às 17:30h
Software Livre

Palestra sobre a teoria e alguns exemplos.
Palestrante: Doutor Loic Cerf - DCC UFMG - Mineração de Dados

Dia 17/05, quinta feira, às 14:00h
As Contradições do Pré - Sal

Palestrante: Doutor Ildo Sauer - Instituto de Eletrotécnica e Energia - USP, ex Diretor
Executivo da Petrobrás, responsável pela Área de Negócios de Gás e Energia

Local: Instituto de Ciências Exatas da Universidade Federal de Minas Gerais.
Todas as atividades serão no auditório 3.
Realização: Diretório Acadêmico Francisco de Assis Magalhães - DAICEx
Apoio: DA Compsi

Mais informações, consulte: http://daicex.com.br/?p=116


Sábado, dia 19 de maio, no Music Hall, vai ter a Calourada Unificada, DAICEx - DA ICB, sendo que os ingressos custarão 10 reais (até o dia 18 de maio, os preços no dia 19 no Music Hall serão mais caros). Mais informações, consulte: http://daicex.com.br/?p=110



Entrevista - JOSE RENATO sobre a COLÔMBIA

Portal do PCB entrevista Jose Renato André Rodrigues, membro do Comitê Central do PCB que esteve presente na Marcha Patriótica, na Colômbia. Nessa conversa, José Renato explica as reivindicações da Marcha e fala um pouco sobre a realidade colombiana.
- Qual sua percepção sobre esses dias na Colômbia? Como se desenvolve a luta de classes no país, pelo que você pode observar?
Pude ver muita mobilização e ação das forças anticapitalistas da cidade e do campo, além do movimento estudantil.
- A violência estatal se faz presente nas cidades?
Sim.Há muitos policiais nas ruas, me parece que a polícia é subordinada ao Exército e funciona como uma Guarda Nacional. Talvez por isso os camaradas colombianos tenham tido muito cuidado com nossa segurança, os estrangeiros que ali estávamos, principalmente com os europeus. Nós brasileiros, e outros latino-americanos, nos confundíamos com os colombianos. O Estado colombiano é um estado militarizado, e as burguesias o olham como modelo de segurança publica.
- A Marcha Patriótica abarcou que setores da sociedade?
Indígenas, afrodescendentes, mulheres, estudantes, camponeses e outros. Nas cidades ocorre o problema da criminalização e perseguição das lideranças sindicais, além da cooptação de parte do movimento sindical urbano. A CUT, central unitária dos trabalhadores, está cooptada pelo governo, o atual vice-presidente foi do movimento sindical. As medidas de impacto, que prometem emprego, habitação e consumo, conseguem confundir uma parcela das classes trabalhadoras urbanas.
- Quais as principais reivindicações da Marcha? E os encaminhamentos por ela tirados?
A Marcha aponta para a solução dos reais problemas econômicos das grandes massas trabalhadoras colombinas, a ampliação de direitos sociais, o fim da política privatista como a expansão do ensino privado e a demarcação das terras indígenas. Além disso, pede o fim das discriminações de todo tipo, liberdade para os presos políticos, respeito aos Direitos Humanos, a construção de habitações populares e a remoção de famílias das regiões de risco, além da ampliação dos serviços médicos, de transportes, o crédito ao pequeno agricultor.
Há ainda a cobrança de uma solução política para o conflito colombiano e o reconhecimento das FARC-EP como força beligerante. Somado a tudo isso o pedido de retirada das bases dos Estados Unidos e o fim dos acordos militares da Colômbia com o imperialismo.
- De que forma o capitalismo brasileiro está presente na Colômbia?
Através de um acordo militar, o Brasil vem fornecendo armas como os aviões Tucano às Forças Armadas colombianas, que utilizam o equipamento para assassinar trabalhadores. Há ainda acordos e troca de informações nas áreas de segurança, como entre o Estados do Rio de Janeiro e as cidades de Medellín e Bogotá.
Basta ver a proliferação das milícias no Grande Rio, e grupos de extermínio na Baixada Fluminense. São exemplos desta mesma "política" de segurança que é aplicadas lá. Não há ausência e sim conivência do Estado com estes grupos, tanto lá quanto aqui.
Pelas informações divulgadas na imprensa, podemos saber ainda de contratos com empresas brasileiras e muitos acordos entre os empresários dos dois países para expandir os interesses comuns e fortalecer ambas as burguesias.
- Houve algum tipo de repressão ou represália? E intimidações de forças paramilitares?
Sim. Enquanto estivemos lá um dirigente da Marcha Patriótica desapareceu, e pelo que sei continua desaparecido. Além disso, assassinaram um dos seguranças do camarada do Partido Comunista Colombiano, o Carlos Lozano.
- De que forma o PCB pode contribuir para a luta por paz com justiça social na Colômbia?
O PCB possui um longa tradição internacionalista. Roberto Morena,David Capistrano, Dinarco Reis e outros saíram do Brasil para lutar na Guerra Civil Espanhola contra os fascistas. De lá lutaram na Resistência Francesa. O nosso partido esteve na linha de frente contra o envio dos soldados brasileiros à Guerra da Coréia. Temos ainda nossa participação na solidariedade ao Vietnã, Cuba e Nicarágua.
Agora, na questão colombiana, não podíamos estar de fora, mesmo que custe a imprensa burguesa nos acusar por conta de nossa solidariedade ao povo colombiano, como acontece muitas vezes. Estamos construindo com outros segmentos a Agenda Colômbia-Brasil, estamos lutando para articular os diversos segmentos para sensibilizar a opinião publica a buscar uma solução política para o conflito colombiano, estamos de corpo e alma com a nossa militância na solidariedade internacionalista ao povo colombiano.

domingo, 6 de maio de 2012

REUNIÃO DA FRENTE
PSOL, PCB, PCR E MOVIMENTOS
 
Companheiros e companheiras,
 
Realizamos a nossa primeira reunião dia 24 de abril e agora conforme combinado daremos mais um passo em nossa organização para nossa boa participação das eleições.
 
Será no dia 09 de maio, quarta-feira, pois na terça teremos uma importante reunião sobre as ocupações de Belo Horizonte e é essencial que participemos.
 
Na quarta estamos propondo a seguinte pauta:
- Primeiros passos na formação do COMITÊ DE CAMPANHA
- Formação dos grupos de trabalho que cuidarão do nosso programa. Neste ponto pretendemos iniciar pelos temas EDUCAÇÃO, MOBILIDADE URBANA/TRANSPORTE, DIREITOS FUNDAMENTAIS, ETC.
- Organização do setor de COMUNICAÇÃO.
- Organização do setor de FINANÇAS.
 
Além dos temas acima discutiremos também a política, como essência da nossa PARTICIPAÇÃO nas eleições.
 
LOCAL DA REUNIÃO
SINDSEP-MG – Rua Curitiba, 689 – 12 andar – 18:30 HORAS
 
 

Programas Futebol e Política do Canal do Jornal O Poder Popular.

Programas Futebol e Política do Canal do Jornal O Poder Popular.  Camaradas; Segue os links dos Programas Futebol e Política do Can...