Camarada Sandra Starling, bom dia!
Li seu artigo no jornal "O TEMPO" de hoje, 20/06, achei muito interessante e inspirador ver que algumas pessoas com conhecimento político acreditem que temos de voltar ao tempo de que votos não se compram, que campanha política não pode ser "apoiada" por empresas, onde essas traduzam realmente a ideologia de um partido e de um projeto realmente voltado ao interesse popular.
Gostaria que lesse nossa apresentação abaixo, assim verá que nossa campanha será mais ousada que a do candidato do PSOL à prefeitura do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, mesmo sendo uma campanha diferente dos moldes capitalistas ainda sim diferirá muito da nossa, pois o PSOL ainda sim tem representantes políticos nas mais diversas esferas e federações, já o PCB... Acredito que você saiba a realidade de nosso partido.
Faremos uma campanha totalmente independente, onde não faremos coloigações, pois aqui em Ipatinga somos o único partido de esquerda dessa cidade, assim vamos encarar esse desafio de cabeça erguida, sem aceitar dinheiro de nenhuma empresa e de nenhum político, onde nossa campanha tratará de assuntos políticos como qualquer candidatura, porém usaremos o tempo de rádio e tv para divulgarmos nossas ideías e ideologias, usaremos esse espaço para denunciar as malezas do município, onde um município muito rico financeiramente ainda necessita de ações básicas devido a falta de boa vontade dos representantes políticos locais.
Espero que assim como a senhora disse em seu artigo que acompanhará a campanha de Marcelo Freixo, acompanhe a nossa também, pois Ipatinga é também uma das cidades referências para o Brasil, principalmente no setor industrial, onde a classe trabalhadora não tem um sindicato que defenda aos interesses da classe, defende descaradamente a Usiminas, burguesia e empresas prestadoras de serviço relacionadas à indústria.
Nossa campanha custará no máximo R$ 2 mil, isso mesmo, dois mil reais, onde os outros candidatos gastarão de R$ 5 à 10 milhões. Faremos campanha principalmente nas portarias da Usiminas, nas portas das escolas secundaristas e faculdades, barzinhos, pontos de ônibus, rodando de bicicleta pela cidade, visto que temos a nosso favor as dimenões geográficas e relevo, enfim, a velha e correta forma de buscar pelo voto de confiança, dado de coração, sem nenhum favor em troca, pelo simples fato de apresentarmos um projeto para a cidade e a busca real pelo Poder Popular.
Sei que temos muito ainda que aprender, principalmente no que tange às teorias Marxistas, mas o principal já temos que é a vontade e a coragem de fazer sem ter de vender nossas almas e sermos enquadrados como apenas mais outros oportunistas.
Finalizo aqui nosso pequeno relato de como será nosso desafio, espero que tenha aguçado sua curiosidade, caso queira, poderá saber um pouco mais mais sobre nós, nossas atividades, temos nosso BLOG em que sempre postamos textos, comentários, críticas, enfim, uma arma em como meio de auxiliar a fazer o povo pensar criticamente. Abaixo um breve relato sobre minha pessoas e o que nos levou a optarmos pelo PCB e termos candidatura própria à prefeitura de Ipatinga em outubro. Saudações Comunistas!
Me chamo Daniel Cristiano Souza, tenho 37 anos, morador da cidade de Ipatinga/MG, casado, graduado em Administração de Empresas e pós-graduado(MBA) em Gestão de Projetos pela FGV. Desde a adolescência, atuava no esporte em Ipatinga, principalmente no vôlei, onde comecei como jogador de clubes da região e depois cheguei a atuar no Minas Tênis Clube em BH e também na seleção mineira de vôlei. Depois dessa experiência como jogador, voltei pra região do Vale do Aço e atuei como instrutor dos principais clubes e empresas da região, como seleção da Usiminas e Cenibra.
Depois que comecei a estudar Administração de Empresas, desliguei-me do curso de Educação Física e passei a atuar mais na área de gestão, onde fui eleito conselheiro tutelar por duas vezes, presidente desse conselho e também nessa época(2004) filiei-me ao PT, onde saí candidato a vereador em Ipatinga depois de muita luta interna dentro desse partido, visto que os "cabeças" não me queriam por perto, pois viram que eu possuia capacidade de fazer coisas novas, oxigenar e inovar. Resultado, consegui sair candidato faltando apenas 14 dias para as eleições, onde fazia campanha principalmente de bicicleta, parando nos ponto de ônibus quando ia ou voltava da faculdade, corpo a corpo e conversas ao pé de ouvido, sem recursos e não podendo contar com o apoio do PT, mesmo assim consegui quase 300 votos. Assim que passou as eleições, desfiliei-me desse partido, pois vi claramente que aquele não era mais um partido dos trabalhadores, que já não tinha nada mais a ver com o sonho de um partido de esquerda, ético e coerente, pois já era um partido grande e que já tinha aqui também seus caciques que cresceram mais que essa legenda.
Fiquei um bom tempo sem entrar em nenhum partido, porém não distante dos movimentos políticos da região, principalmente de Ipatinga.
Em 2008 após um convite de um amigo de faculdade, Rair Anício, o qual estava estava "militando" no PCdoB, convidou-me a ajudá-lo na campanha desse partido, o qual tinha apenas uma candidata ao legislativo e que estava na coligação com o executivo do PT, portanto, confiando nesse amigo, mais uma vez fui eu ajudar os petistas, resultado, o PT(Chico Ferramenta) foi eleito, porém não tomou posse, devido o mesmo estar impedido juridicamente, assim como o povo de Ipatinga, tanto eu quanto esse amigo Rair Anício fomos enganados, porém como gostamos de política e odiamos a politicagem, saímos desse pleito decididos a não sair da luta, porém deveríamos buscar algo novo, que não seríamos subordinados a nenhum dos caciques que comandam os partidos aqui já existentes.
Ainda em 2008, começamos contato com o PCB de BH, pois buscávamos um partido que fosse independente e que não servisse a nenhuma força aqui existente e contudo um partido que tivesse uma ideologia, uma história e não apenas mais uma sigla partidária, assim sem nenhuma dúvida, nossa única opção seria realmente o "Partidão". Após vários meses de contatos telefônicos, começamos a ter conversas aqui em Ipatinga e em BH, cursos de formação e buscarmos conhecer cada vez mais a ideologia e história do PCB, onde os camaradas da capital mineira nos sabatinavam pra ver se éramos apenas mais alguns oportunistas ou se tínhamos realmente "culhão" pra encarar o desafio pra trazer de volta o PCB a Ipatinga, o qual estava fora desde o começo dos anos 90, quando o partido foi extinto por falta de representantes, pois os que nele estavam, preferiram ir para os partidos que começavam a despontar, como o PT e o próprio PPS, onde o inconsequente e mercenário Roberto Freire tinha saído do PCB e criado o PPS pra atender a burguesia.
Após 9 meses, reunimos um grupo de 7 amigos, os quais inconformados com a situação política local, conseguimos registrar a comissão provisória do PCB, onde nossa primeira atuação foi as eleições extemporâneas de outubro de 2009, onde o PCB não poderia entrar na disputa nesse pleito por estar registrado a menos de um ano nessa cidade, porém não ficamos fora do movimento, como entendemos que nenhuma das candidaturas apresentariam nenhuma novidade e nenhum projeto realmente voltado ao povo, só e simplesmente a disputa pelo poder, independentemente de quem saísse votorioso, assim fizemos a campanha do "VOTO NULO", explicando ao povo que essa nunca foi a postura do PCB, porém como não estávamos aptos juridicamente a nos apresentarmos como candidatos, que essa era a melhor opção para aquele momento, explicando também que o voto nulo não era uma forma de desmerecer aquele pleito, menos ainda de querer tumultuar e sim contribuir de forma a fazer o povo vir a pensar criticamente sobre não ter nenhuma opção real de mudança. As eleições não aconteceram em 2009, foram prorrogadas para maio de 2010, ainda sim não tínhamos um ano de registro, continuamos com a campanha do "VOTO NULO", onde o atual prefeito, hoje PPS, mas que em 1991 era do PCB, foi eleito numa coligação com mais de 15 partidos, em segundo lugar ficou a candidata do PT, esposa do ex-candidato eleito em 2008 porém não empossado, em terceiro lugar ficou o "VOTO NULO", com quase 8 mil votos, em quarto ficou o voto branco, quase 4 mil e em quinto o candidato do PRTB, hoje presidente do PSOL e sempre laranja de um certo Coronel do PMDB. Tivemos também quase 32 mil abstenções, assim, ficou explícito que 1/4 da população(160 mil eleitores) disse "não" a nenhum desses candidatos que se apresentaram.
Em 2010, o PCB nos deu a missão de sairmos como candidatos, eu a deputado estadual e o camarada Rair Anício como suplente a senador, onde obtive quase 2 mil votos e o Rair Anício conseguiu quase 600 votos para nossa candidatura ao senado, com uma campanha que nos custou R$ 507,85 onde constatamos que tivemos uma vitória política, obviamente não eleitoral.
Agora em 2012, estou como pré-candidato a prefeito e o Rair Anício como vice, teremos também 2 candidatos a vereador. Vamos mais uma vez mostrar que é possível fazermos uma campanha limpa, honesta e barata, onde não somos ou estamos nos enganando na ideía de sermos eleitos, principalmente numa disputa que não é nada democrática, principalmente nos moldes como temos vistos no Brasil, onde a disputa pelo poder se dá da forma mais podre e desonesta, porém caso aconteça uma reviravolta e o povo resolva optar por uma candidatura alternativa, sem nenhum caráter capitalista, estamos preparados para assumir o executivo ou uma vaga ao legislativo.
Daniel Cristiano 031 8811-2121 Secretário Político do PCB 21 Ipatingadanielcristiano2010@hotmail.com
Rair Anício
Júnior 031 8880-2100 Secretário de Finanças do PCB 21 Ipatinga
Fiquei muito honrada recebendo o e-mail de vocês com a história não apenas desta, mas das outras candidaturas - e da verdadeira saga de vocês - em prol de uma política praticada com respeito a princípios e ao interesse público. Bem que Ipatinga merece! Conheço bem a história dessa cidade, desde o massacre de Ipatinga, passando pelo ano em que fui candidata ao governo pelo PT e no qual, na porta da Usiminas, os operários mal erguiam os olhos para receber nossos panfletos, com medo dos patrões.
Depois estive aí inúmeras vezes, quando o PT foi fundado na cidade, na primeira campanha vitoriosa do Chico, em inúmeras tentativas de conquistar o sindicato das mãos dos pelegos, nos idos do final dos anos 80. Depois fui acompanhando de longe o que acabou com o PT daí: a mesma história que vai aos poucos acabando com o PT país afora, com o mandonismo das lideranças, a começar do próprio Lula.
Hoje me afastei completamente da vida pública, deixei o partido e só faço meus artigos como tributo ao nosso povo que não merecia estar sendo vítima de tamanhos descalabros.
Vou torcer para que o idealismo de vocês não se perca no tal pragmatismo que virou verdadeira praga em nosso país. Grande abraço e sucesso na empreitada, que é gigantesca!
Sandra Starling
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