
Presente na marcha unificada das centrais sindicais em Brasília, Jairo Nogueira Filho, secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores de Minas Gerais (CUT/MG), diz que haverá uma homenagem a Chávez durante a marcha. “Foi uma grande perda para todo que acredita no socialismo, num mundo melhor para todos no planeta. O Chávez representava isso, e continua representando, porque a esperança não vai acabar com sua morte”, defende.
Joaquin Piñero, do setor de relações internacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), concorda com a dimensão da perda. “Foi uma perda irreparável para todos nós dos movimentos sociais da América, que viemos nesse processo de resistência ao modelo neoliberal. A liderança de Chávez e a luta do povo venezuelano no final dos anos 80 e início dos anos 90 trouxeram uma luz importante para as lutas que foram acontecendo em outros países. A figura de Chávez cumpriu um papel importantíssimo, porque, aliado a Cuba e aos governos que foram sendo eleitos no continente, formou uma espécie de barreira contra as políticas imperialistas na região”, aponta.
Joaquin acredita que há várias possibilidades de continuidade do governo Chávez. “Quem viveu na Venezuela, quem convive com pessoas de lá, quem tem acompanhado mais de perto a transformação do país, sabe que, ao contrário dos que muitos pensam, existe um processo construído. Chávez teve um papel formador importantíssimo, e foi muito hábil ao utilizar os meios de comunicação para fazer a intermediação entre as propostas de seu governo com o povo”, afirma. Além da formação e politização do povo venezuelano, Joaquin aponta que foram constituídas novas lideranças no país, e cita Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional, com bom trânsito nos setores militares; Jorge Rodríguez, que modernizou o sistema de votos no país; Juan Carlos Loyo, ministro da Agricultura e Terras; o ministro da economia Jorge Giordano, e o atual vice-presidente Nicolás Maduro, quadro do setor sindical, que teve importante papel nos processos de integração regional.
“São quadros que estão à frente das mudanças na Venezuela. Aliado ao processo de formação do povo, a luta segue. Mas é importante que nós dos movimentos sociais fiquemos muito atentos à possibilidade de um processo desestabilizador, porque a direita golpista não dá ponto sem nó. Conhecemos o modus operandi deles, precisamos ficar alertas e prestar toda solidariedade ao povo venezuelano e ao governo provisório, para que a revolução bolivariana siga em frente”, diz.
João Pedro Stedile, do MST e da Via Campesina, declarou, em nota: “Chávez nos fará falta! Mas com a intensidade de um líder verdadeiro, colocou as bases fundamentais na sociedade venezuelana para que o projeto tenha continuidade. Seu exemplo e lucidez servirão de ânimo para toda militância social da América Latina, para todas as forças populares e para os governos progressistas para que se possa seguir construindo processos de verdadeira libertação popular. Processos de verdadeira integração continental”. Leia a nota completa aqui.
O Consulado da República Bolivariana da Venezuela em São Paulo vai realizar hoje, às 17h, um ato ecumênico em homenagem a Hugo Chávez.
Manifestações
A Articulação Continental de Movimentos Sociais da Alba lançou nota de pesar, em que afirma: “Nesses momentos de tristeza, os movimentos sociais e populares de Nossa América acompanhamos o povo venezuelano nessa dor infinita, que é também nossa, e reafirmamos nosso compromisso solidário e ativo com a Revolução Bolivariana, que já é, a essa altura do caminho percorrido por um novo paradigma da integração continental, a revolução dos povos da América, a Revolução Latinoamericana. (....). Hugo Chávez foi uma pessoa excepcional. Dedicou toda sua vida a cultivar as sementes de uma Pátria Grande, livre e soberana. Hoje, milhões de pessoas em todo o mundo, em particular no nosso continente, rendemos a única homenagem possível nesse momento: redobrar nosso compromisso de continuar a luta de forma firme e não trair jamais as bandeiras do socialismo”.
O Partido Comunista Brasileiro (PCB), por meio de seu comitê central, também manifestou “profundo pesar pelo falecimento do comandante da revolução bolivariana”. “O Partido Comunista Brasileiro reafirma sua confiança de que os trabalhadores e o povo venezuelanos saberão construir a unidade, ampliar a organização, derrotar as forças conservadoras e defender de maneira firme e combativa o processo de transformações que vem ocorrendo atualmente no País e avançar no sentido da construção do socialismo”, consta trecho da nota. “Desde o Brasil, os comunistas sabem que a melhor maneira de honrar a memória de Chavez é construir em cada País as condições para o avanço da luta popular e do processo revolucionário na América Latina”, conclui a nota.
O Partido dos Trabalhadores (PT) também lamentou a morte do presidente e destacou o que Lula disse a Chávez em 2012: “tua luta é nossa luta, tua vitória será nossa vitória”. “Hoje, neste momento de tristeza e dor, abraçamos os familiares, amigos, colegas de farda e camaradas de crença de Chávez, e dizemos: contem conosco, contem com o Partido dos Trabalhadores, para dar prosseguimento às grandes conquistas políticas e sociais iniciadas pelo governo de Hugo Chávez.”
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