(Nota Política do PCB)
O governo brasileiro segue em sua política de entregar patrimônio
público, como aeroportos, portos e o sistema de saúde, e riquezas
estratégicas nacionais para o capital privado: está marcada para os dias
14 e 15 de maio a 11ª rodada de leilões de áreas para a exploração de
petróleo no Brasil. Estão inscritas 64 empresas, numa lista encabeçada
pela OGX (do grupo que acaba de ser “socorrido” com dinheiro público do
BNDES) e composta, em sua maioria, por grandes empresas estrangeiras. A
Agência Nacional do Petróleo - ANP - oferece 289 blocos, dos quais 166
estão no mar (94 em águas profundas).
As estimativas são de que cerca de 30 bilhões de barris estão
disponíveis para extração nesses blocos, o que equivale ao dobro das
reservas provadas da Petrobrás, sem o pré-sal. Com as novas descobertas
na camada pré-sal, o Brasil pode contar com 60 anos de auto-suficiência,
o que demonstra que o leilão é desnecessário. Até hoje, nas dez rodadas
já realizadas, a ANP já privatizou 280 blocos, beneficiando 75 empresas
privadas, metade delas empresas multinacionais.
O petróleo é uma das bases do desenvolvimento capitalista nos últimos
100 anos, como matéria prima para várias indústrias e como a principal
fonte de energia, juntamente com o carvão, combustíveis fósseis não
renováveis. O cenário, no entanto, aponta num horizonte não muito
distante para o esgotamento do petróleo no mundo, caso as atuais
tendências de consumo e produção não se alterem. Já foi consumida mais
da metade das reservas mundiais, e as previsões mais otimistas falam em
80 anos de sobrevida para a produção petrolífera; os mais pessimistas,
em 30, mesmo levando-se em conta novas descobertas possíveis. Além da
alta nos preços internacionais, a tendência à escassez da oferta do
produto tem motivado movimentações militares em países produtores, por
parte dos países capitalistas desenvolvidos, para a garantia de seu
suprimento futuro. As agressões imperialistas ao Iraque e à Líbia são
evidências desse fato, assim como a recente reativação da IV Frota
norte-americana para operar no Atlântico Sul.
O leilão de reservas brasileiras, além de representar entreguismo
descarado em favor das multinacionais, tem motivações políticas claras:
fortalece a posição do Brasil como espaço privilegiado para a reprodução
dos capitais privados (e a ANP age como representante e mediadora
desses interesses), cria uma renda que pode ser usada pelo Governo para
manter o pagamento de juros ao setor financeiro – que consome metade do
orçamento federal –, constrói uma imagem de progresso pela promoção
publicitária da auto-suficiência brasileira em petróleo. No entanto, a
exploração privada, por sua natureza, tende a acelerar o ritmo da
extração no curto prazo, por conta dos preços elevados do produto no
mercado internacional, apontando para o esgotamento precoce das
reservas. Mais ainda, a receita esperada para a arrecadação gerada pelo
leilão não ultrapassa a casa dos 3,5 bilhões de dólares, uma quantia
irrisória para o porte da Petrobrás. O leilão é uma entrega, não é
sequer uma venda a preços de mercado.
No plano interno, o governo acena com a chantagem demagógica dos
royalties, que representam, de fato, menos de 15% da receita total e
têm, como finalidade inicial, a prevenção e o combate a danos
ambientais. A disputa pelos royalties, entre os estados, desvia a
atenção da população das possibilidades de investimento da renda gerada
no setor petrolífero para a resolução das necessidades da maioria dos
brasileiros, dos trabalhadores.
Exigimos que os leilões sejam suspensos, para que o conjunto da
sociedade organizada possa elaborar uma estratégia racional para a
exploração do petróleo, que permita o alongamento da duração das
reservas, o reinvestimento das receitas na pesquisa e produção de fontes
alternativas de energia e na solução das graves desigualdades sociais
do Brasil. Queremos que os resultados da produção de petróleo no Brasil
se revertam para a classe trabalhadora e não para a burguesia.
Para que esse cenário se realize, defendemos a Petrobrás 100%
estatal, com a posse do produto pelo Estado brasileiro e a participação
da classe trabalhadora e dos movimentos populares no controle social da
exploração e da distribuição dessa riqueza, para que ela seja utilizada
em prol do atendimento às necessidades prementes da população e não em
favor dos interesses das empresas capitalistas e do imperialismo.
Pela suspensão imediata da 11ª rodada de leilões de petróleo!
Pelo fim dos leilões de petróleo!
Pela Petrobrás 100% estatal, sob controle dos trabalhadores!
TODOS AO ATO PÚBLICO DO DIA 14, TERÇA-FEIRA, ÀS 9 HORAS, EM FRENTE AO
HOTEL ROYAL (ANTIGO HOTEL NACIONAL), EM SÃO CONRADO (RJ), ONDE
PRETENDEM REALIZAR O LEILÃO, E EM TODOS OS ATOS E MANIFESTAÇÕES QUE SE
REALIZARÃO EM OUTROS ESTADOS.
PCB - Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional
Maio de 2013
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