sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Nem presos comuns, nem presos políticos

(Nota Política do PCB)
Existem no Brasil cerca de 500 mil presos, o que corresponde à quarta população carcerária do mundo, ficando atrás dos EUA, China e Rússia. A maior parte destes presos encontra-se em presídios superlotados (no Brasil estima-se que a ocupação estaria 66% acima da capacidade dos presídios) e com péssimas condições, o que leva a inúmeras enfermidades e, muitas vezes, à morte.
A Lei de Execuções Penais estabelece que cada preso ocupe seis metros quadrados, mas o que ocorre é que este espaço acaba se tornando algo em torno de 70 cm2 apenas! A população carcerária também é formada por pessoas que aguardam julgamento encarceradas, muitas das quais continuam presas mesmo depois de concluídas suas penas, além de carecerem até de acompanhamento jurídico básico.
Nós do PCB sabemos que isto é o resultado de uma política de segurança pública que se guia pelo rigor penal e pelo encarceramento, que ignora as verdadeiras raízes do fenômeno da criminalidade, consequência direta das profundas desigualdades sociais, do grau absurdo de concentração da riqueza e das precárias condições de vida de grande parte da população.
Soma-se a isso a crescente mercantilização da vida em todas as esferas, o que transforma o crime, também, numa empresa monopolista cujos chefões se escondem nos estratos da elite econômica e política, arregimentando, junto às camadas proletárias, os varejistas contratados para gerir e operar seus negócios milionários.
A situação dos réus da Ação Penal 470 é profundamente distinta. Primeiro porque, por interesse dos próprios réus, foi avocado o privilégio do Foro Especial para que fossem julgados no Supremo Tribunal Federal, onde tiveram ampla possibilidade de impetrar recursos para se defenderem, o que contrasta de forma brutal com a situação da maioria daqueles que caem nas malhas do sistema judiciário brasileiro. Confiava-se que este espaço lhes seria mais favorável por dois motivos essenciais. Primeiro, porque Lula foi o presidente que mais indicou ministros para o STF – no total de oito indicações, inclusive a de Joaquim Barbosa. Junto com Dilma, o ex-presidente da República indicou a maioria dos onze componentes do tribunal que acabou julgando a Ação 470. Segundo, porque acreditavam que as práticas realizadas, ainda que não licitas, sejam comuns no presidencialismo de coalizão que sempre reinou na república brasileira, práticas estas que foram fartamente utilizadas por todas as forças políticas que os antecederam.
O resultado desfavorável comprova que houve uso político do julgamento, forçando os limites da lei para resultar em condenações desproporcionais, mas simbólicas, a serem utilizadas como arma nas disputas políticas entre os dois grandes partidos do bloco conservador no Brasil: o PT e o PSDB.
Isto, no entanto, não os transforma em presos políticos. Ainda que não sejam simples presos, até pelos privilégios que gozaram no julgamento e no cumprimento das penas, não são presos políticos. Não foram envolvidos em uma ação penal quando organizavam a luta dissidente contra a ordem do capital e o domínio político burguês, a exemplo daqueles que combateram os regimes ditatoriais implantados em nosso país e foram perseguidos por se colocarem na oposição aos ditadores de plantão, que atuavam a mando da classe dominante. Presos políticos são os ativistas presos por se manifestarem abertamente contra a ordem burguesa.
Os réus da Ação Penal 470, pelo contrário, foram julgados pelo envolvimento em um enorme esquema de desvio de dinheiro público para operar a governabilidade pela via do favorecimento dos partidos aliados (mensalmente ou não é um mero detalhe), que resultou na aprovação da Reforma da Previdência (contra os interesses dos trabalhadores), na aprovação dos transgênicos, do Código Florestal e de tantas outras iniciativas que nem de perto atacam a ordem burguesa, pelo contrário, a favorecem e fortalecem.
Além de Romeu Queiroz (PTB), que já está na Penitenciária da Papuda (hoje um anexo do Congresso Nacional), há vários outros já condenados no mesmo processo que serão presos em breve, como o delator do esquema, Roberto Jefferson (também do PTB), e mais cinco parlamentares de outras legendas, como os atuais PP e PR, todos da eclética fauna política que dá sustentação ao governo.
Pergunta-se: estes também serão considerados presos políticos pelo PT? Haverá solidariedade a esses aliados comprados a peso de ouro?
Da mesma forma que o PT acredita na neutralidade do Estado, acreditou na neutralidade da justiça e está pagando o preço por isso e pela forma como optou por sustentar sua governabilidade. O PT acreditou que, por operar da mesma forma que os governos anteriores, isto o protegeria, e agora só lhe resta lamentar que outros esquemas igualmente corruptos e ilegais como os do PSDB não tenham sido apurados. Entretanto, o próprio governo petista fez a sua parte ao não denunciar as irregularidades do governo anterior, jogando para debaixo do tapete toda a sujeira do período FHC, como os escândalos da compra de votos para a aprovação da reeleição, as privatizações das telecomunicações e da Vale do Rio Doce. Beneficiou-se, enfim, dos mesmos métodos usados para buscar governabilidade no seio de uma aliança conservadora com os partidos que expressam o que há de pior na política brasileira.
Desta maneira, o PCB reafirma a certeza de que vivemos em um país no qual se opera uma justiça de classe contra os oprimidos, no quadro de um Estado Burguês que não hesita em torcer os limites do legal para adequar a ordem jurídica aos seus interesses, como fica cotidianamente comprovado nas favelas e bairros pobres deste país, de onde vem a esmagadora maioria daqueles que vão parar no sistema carcerário.
Reiteramos nossa solidariedade para com todos os presos políticos existentes hoje no Brasil, que não são os réus da Ação Penal 470, mas os militantes e ativistas presos (alguns mortos pelo aparato repressor como Amarildo) durante e depois das manifestações de massa deste ano, sequestrados em suas casas ou nas ruas e acusados de formação de quadrilha, enquadrados na Lei de Segurança Nacional ou na  Lei das Organizações Criminosas, quando exerciam seu direito legítimo e inquestionável de protestar contra a ordem do capital. Da mesma forma que empenhamos nossa solidariedade para com as vítimas e familiares daqueles que todos os dias são perseguidos, atacados e assassinados nas periferias das grandes cidades, na luta pela terra ou em defesa dos povos indígenas, quilombolas e outros grupos sociais.
Partido Comunista Brasileiro (PCB)
Comitê Central – novembro de 2013

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Contra a criminalização dos movimentos sociais. Todo apoio às lutas da juventude e do proletariado. Pelo Poder Popular!

(Nota Política do PCB)
 As lutas sociais vêm se intensificando de maneira expressiva no Brasil após as extraordinárias jornadas que se iniciaram em junho. Como o governo não atendeu as reivindicações populares e como a população, especialmente a juventude, perdeu o medo de se manifestar, o conflito social tem se tornado cada vez mais explosivo em várias cidades do País, especialmente no Rio de Janeiro e São Paulo. Todo dia em alguma cidade brasileira a população proletarizada e a juventude saem às ruas para protestar contra alguma arbitrariedade do governo e do capital, fecham rodovias, paralisam a circulação de mercadorias, enfrentam as forças policiais, sendo reprimidos violentamente. Enquanto isso, o governo federal e os governos estaduais, numa santa aliança do grande capital, afiam seus instrumentos políticos, militares e de inteligência para reprimir os movimentos sociais. A esta estratégia se juntam os meios de comunicação de massas desenvolvendo uma grande campanha de manipulação no sentido de caracterizar as manifestações de massas como atos de vandalismo, depredações e caos. Para tanto, procuram criar bodes expiatórios, para esconder o descontentamento da população, justificar a violência policial contra os manifestantes e afastar a população das ruas. No entanto, cada vez fica mais claro para o povo que a origem da violência são as dramáticas condições de vida da população brasileira,que enfrenta cotidianamente um transporte coletivo caótico e caro, a saúde e a educação indignas, a habitação precária e a violência policial nos bairros populares. Em vez de resolver esses problemas concretos do povo, o estado burguês, como sempre, trata a questão social como caso de polícia. Dessa forma, amplia a repressão contra a justa luta da população e da juventude por seus direitos sociais básicos e contra os desmandos policiais nos bairros das grandes cidades e até chamam o Exército e a Força Nacional para reprimir as greves e manifestações, como ocorreu recentemente nos protestos contra a entrega do petróleo ao capital. Essa é a tradição das classes dominantes brasileiras, que foram viciadas historicamente na impunidade e na violência contra o proletariado e atualmente vêm realizando uma verdadeira guerra aberta conta o povo. Isso pode ser sintetizado em recente entrevista do governador de São Paulo, após o massacre de jovens pela polícia. Arrogante, ele disse:“quem não reagiu está vivo”, numa autorização à barbárie. Nessa guerra, a polícia utiliza armas letais, carros blindados, balas de borracha, gás lacrimogêneo e de pimenta, bombas de efeito moral e todo um aparato bélico para enfrentar a população e os manifestantes, além do fato de que ainda infiltra agentes provocadores nas manifestações para justificar a repressão. Todos são testemunhas das prisões em massas nos recentes protestos, dos assassinatos e da violência, sobretudo contra jovens pobres e negros,vítimas principais da polícia, sem direito de defesa e mais ainda a “embargos infringentes”. Alguns exemplos concretos podem ilustrar a barbárie contra a população e a juventude. Recentemente, o ajudante de pedreiro Amarildo foi torturado até a morte numa Unidade de Polícia “pacificadora” do Rio de Janeiro. Em São Paulo, um policial matou com um tiro no peito jovem Douglas Rodrigues numa batida policial, sem nenhum motivo. “Por que o senhor atirou em mim?” foram as últimas palavras do jovem antes de morrer. Durante as manifestações de junho a polícia atirou com balas de borracha e cegou dois manifestantes, um estudante e um fotógrafo. Portanto, essa é a verdadeira violência, a violência institucionalizada, a violência do Estado e do capital. O que é mais desumano? Quebrar algumas agências de banco, lojas comerciais e bater num policial que estava provocando os manifestantes ou a tortura até a morte do ajudante de pedreiro Amarildo, o assassinato do jovem Douglas Rodrigues ou furar os olhos de dois jovens? Portanto, a violência da população não é nada mais nada menos que a resposta às atrocidades de que cotidianamente são vítimas o proletariado e a juventude nos bairros populares. Essa conjuntura é que provocou o surgimento de diversos grupos e táticas que identificamos como anticapitalistas, incluindo os chamados Black Blocs, que vêm dando resposta violenta à violência da polícia, expressando a indignação da juventude contra a repressão permanente ao povo, contra as humilhações cotidianas das batidas policiais nos bairros e as precárias condições de vida da população. Os jovens e os proletários não querem mais ver seus irmãos, amigos e conhecidos serem assassinados nesta escalada da criminalização da pobreza. Esses grupos combativos de jovens são um fenômeno social e não podem ser tratados como marginais, nem criminosos. São jovens indignados com a violência do capital, que imaginam estar contribuindo para o enfraquecimento do capitalismo com ações espetaculares, de pequenos grupos ousados. Os jovens comunistas, nas manifestações populares, perfilam lado a lado com esses grupos na autodefesa contra a violência policial. O Partido Comunista Brasileiro (PCB) tem longa experiência de luta contra o capital. Sabemos que só as lutas que envolvam grandes massas, com protagonismo da classe operária e dos trabalhadores em geral, são capazes de derrubar o capitalismo. Por isso, procuramos organizar os trabalhadores, a juventude e o povo pobres dos bairros para derrotar o sistema capitalista. Entendemos que os Black Blocs, anarquistas e outros grupos que se formam em função da resistência à violência policial não são nossos inimigos, como alguns setores da esquerda institucionalizada procuram fazer crer. São companheiros que utilizam uma tática diferente da nossa, mas merecem respeito e solidariedade e temos a obrigação de dialogar com esses segmentos e procurar trazê-los para a luta organizada de massas. Entendemos que a luta de classes mudou de patamar no País e tende a se acirrar à medida em que a crise econômica mundial avança e que a crise social se intensifica no Brasil. É bom que a esquerda institucionalizada vá se acostumando com a resposta das massas à violência do Estado. As jornadas de junho foram apenas o começo de um processo que será longo, violento e tenso, como toda a luta de classes. Como organização revolucionária, nós estaremos sem vacilações na linha de frente das lutas sociais e políticas no Brasil, procurando contribuir para a organização e autodefesa do povo e construção do poder popular, no rumo da sociedade socialista. Contra a criminalização dos movimentos sociais! Toda solidariedade aos que estão na luta anticapitalista! Pela libertação dos presos políticos e o fim dos processos judiciais! Pelo Poder Popular! 
 PCB (Partido Comunista Brasileiro) 
Comissão Política Nacional (novembro de 2013)

Todo apoio e solidariedade às ocupações urbanas!


Governador de MG se compromete em receber Ocupações da Região do Isidoro.

O povo das Ocupações Rosa Leão (1.500 famílias), Esperança (2 mil famílias), Vitória (4.500 famílias) e Ocupação Zilah Sposito/Helena Greco (160 famílias) levantou cedo hoje, dia 04 de novembro de 2013 – 44 anos do assassinato de Carlos Marighela -  e a partir das 7:00h da manhã marchou das Ocupações na Região do Isidoro, zona Norte de Belo Horizonte, cerca de 15 Kms até a Cidade Administrativa. Com muita animação e determinação na luta mais de 1.500 pessoas marcharam, com gritos de luta, oração do Pai Nosso e atrapalhando o trânsito. Um medíocre que gritou a partir de uma loja que o povo que marchava era vagabundo acabou passando um susto quando viu uns 10 jovens aparecerem subitamente para mostrar a ele que essa calúnia é inadmissível.
O povo interrompeu a Linha Verde (autopista que dá acesso à Cidade Administrativa e ao aeroporto de Confins) por duas vezes, durante uns 30 minutos e, driblando a tropa de choque, o povo conseguiu chegar ao saguão da Cidade Administrativa. Sei que um grupo de 400 Sem Terrinhas do MST conseguiram chegar à Cidade Administrativa para cobrar do Governador de MG Reforma agrária e Educação do Campo. Parece que, hoje, foi a 2ª vez que o povo organizado conseguiu chegar e acampar na Cidade Administrativa e lutar até conquistar compromissos importantes do Governo de MG.
Assim, as Ocupações, acima referidas, colocaram no colo do Governador de MG, Antônio Anastasia, o problema social que envolve mais de 8 mil famílias. O povo das quatro ocupações, citadas acima, determinados na luta, jamais vá aceitar ser despejado. Mais de 8 mil famílias dessas quatro ocupações clamam por negociação, por diálogo, por saídas justas que não passem por despejos.
Após muita pressão e uma séria de reuniões e conversas com o Secretário Wander Borges, secretário de Estado Extraordinário de Regularização Fundiária, e com alguns outros assessores do Governador de MG, conquistamos os seguintes compromissos gravados em vídeo e escrito e assinado pelo Secretário Wander Borges na seguinte Declaração:
“De acordo com as reivindicações das Ocupações “Rosa Leão”, “Esperança” e “Vitória”,localizadas na região do Isidoro (Belo Horizonte, MG), com a representação que esteve presente na Cidade Administrativa nesta manhã, a Secretaria de Estado Extraordinária de Regularização Fundiária (SEERF) e o Instituto de Terras do Estado de Minas Gerais (ITER-MG) informam que:
(a)           Fica definido o compromisso de agenda como Governo do Estado de Minas Gerais para a Próxima quarta-feira, 13 de novembro de 2013, às 15:00h, com a presença de representantes das ocupações, acompanhados do assessor da Comissão Pastoral da Terra – CPT, frei Gilvander Luís Moreira, o secretário de Estado Extraordinário de Regularização Fundiária, deputado estadual Wander Borges, o secretário de Estado de Desenvolvimento Social, deputado estadual Cássio Antônio Ferreira Soares e o Secretário de Estado de Defesa Social, Dr. Rômulo de Carvalho Ferraz, para articulação junto aos atores do processo em uma MESA DE NEGOCIAÇÃO, BUSCANDO ALTERNATIVAS JUSTAS, QUE IMPOSSIBILITEM A REINTEGRAÇÃO IMEDIATA.
(b)            Fica acordada agenda como governador do Estado para o mês de dezembro, com representantes das ocupações em questão.

Belo Horizonte, 04 de novembro de 2013.

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Deputado Estadual Wander Borges
Secretário de Estado Extraordinário de Regularização Fundiária.


domingo, 3 de novembro de 2013

NOTA PÚBLICA: AMEAÇA DE DESPEJO DAS TRÊS OCUPAÇÕES DA REGIÃO DO ISIDORO/ GRANJA WERNECK, EM BELO HORIZONTE, MG. BH, 03/11/2013.

NOTA PÚBLICA:
AMEAÇA DE DESPEJO DAS TRÊS OCUPAÇÕES DA REGIÃO DO ISIDORO/ GRANJA WERNECK, EM BELO HORIZONTE, MG.

Ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória – 8 mil famílias sem-teto – não aceitarão o despejo e exigem Abertura de Mesa de Negociação.

Belo Horizonte, 03 de novembro de 2013.

O Governo do Estado de Minas Gerais e a Prefeitura de Belo Horizonte continuam se recusando a construir uma solução justa e negociada com as ocupações Rosa Leão (1.500 famílias), Esperança (2.000 famílias) e Vitória (4.500 famílias), localizadas na Região do Isidoro/Granja Werneck (região norte de Belo Horizonte). O Governo do Estado de MG, até agora, somente aceita conversar sobre a forma do despejo e rejeita qualquer possibilidade de construir alternativas para as famílias sem-teto que hoje somam mais de 8 mil nas três ocupações. Estamos diante de um gravíssimo problema social que jamais se resolverá de forma justa com polícia e repressão. A história demonstra que despejos agravam em muito o problema.
Tal posição autoritária e inconseqüente por parte do Governador Anastasia (PSDB) e do Prefeito Márcio Lacerda (PSB), que no lugar de procurar resolver o conflito fundiário, acaba por alimentá-lo. A utilização da força policial não é e nunca foi uma postura razoável quando se trata de lidar com problemas sociais. Efetuar o despejo forçado é antes de tudo uma forma de fazer com que o conflito social se transforme em violência, colocando em risco a vida de trabalhadoras e trabalhadores, crianças, mulheres grávidas, idosos, etc. O despejo não é uma alternativa, é um massacre, uma violação de direitos humanos, além de tudo uma covardia sem limites. O povo não agüenta mais sobreviver sob a cruz do aluguel, que é veneno que come no prato dos pobres diariamente. Não toleram mais a humilhação que é sobreviver de favor, sendo peso nas costas de parentes e viver sem liberdade. Se os poderes públicos não constroem moradias para o povo viver com dignidade, a saída é ocupar os terrenos abandonados e luta até depois da conquista da moradia digna, um direito constitucional e sagrado.
As ocupações possuem propostas concretas para resolver o problema fundiário na Região do Isidoro/Granja Werneck. Tal região possui todas as condições para abrigar todas as famílias que lá habitam e ainda abrir a possibilidade de construção para milhares de famílias que hoje necessitam da casa própria. Para isso basta que a Prefeitura de BH e o Governo do Estado de Minas aceite NEGOCIAR com as ocupações e com maturidade e diálogo procure soluções dignas e justas.
Lamentamos também a decisão injusta, insensível e inconstitucional da juíza da 6ª Vara de Fazenda Municipal, Dra. Luzia Divina, que, sem ouvir as famílias, sem visitar o local das ocupações, não ouvindo a Defensoria Pública do Estado de Minas e o Ministério Público, expediu Liminares de reintegração de posse autorizando, assim, judicialmente a polícia a despejar 8.000 famílias. Essa decisão é temerária, pois pode ocasionar massacres e agravar muitas vezes mais o já grave problema social. Pedimos encarecidamente que a juíza Dra. Luzia Divina reveja sua decisão.
Cumpre recordar que a Ocupação Rosa Leão está no Acordo firmado pelo prefeito de BH com as Sete Ocupações. Pelo acordo o prefeito de BH se comprometeu com várias coisas, entre elas, suspender os despejos das ocupações que estão em áreas públicas. Mais: A Ocupação Rosa Leão retirou, a pedido da PBH, 99 famílias que estavam na área ambiental ao lado da Av. Atanásio Jardins. Logo, estamos cumprindo o Acordo e construindo um bairro, uma comunidade: um lugar bom de viver e conviver.
As famílias das ocupações Rosa Leão, Esperança e Vitória esperam um ato de grandeza e maturidade dos governantes em relação a esta situação. As famílias, cerca de 8.000, informam ainda que não aceitarão o despejo como única alternativa, e, se preciso for, resistirão.

Diante disto propomos:

1)    Suspensão imediata das ordens de reintegração de posse das três ocupações localizadas na Região do Isidoro/Granja Werneck.

2)    Abertura de uma Mesa de Negociação com a participação de representantes das ocupações, Ministério públicos estadual e Federal, Comissão de Direitos Humanos da Câmara e da Assembleia Legislativa, governos municipal e estadual, Defensoria Pública de Minas, área de direitos humanos e representantes dos movimentos sociais populares que acompanham as ocupações.

3)    Fim imediato das agressões policiais (físicas e psicológicas) contra os moradores e moradoras das ocupações.

NEGOCIAÇÃO, SIM! DESPEJO E MASSACRE, NÃO!

 Assinam esta Nota Pública:

Coordenação da Ocupação Rosa Leão – www.ocupacaorosaleao.blogspot.com.br
Coordenação da Ocupação Esperança - www.ocupacaoesperanca.blogspot.com.br
Coordenação da Ocupação Vitória - www.ocupacaovitoria.blogspot.com.br
Movimento de Luta pela Moradia (MLPM)
Brigadas Populares – www.brigadaspopulares.org
Comissão Pastoral da Terra (CPT) – www.cptmg.org.br
Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas  - MLB
Grupo de arquitetos da UFMG e PUCMINAS que trabalham juntos às ocupações.
Rede de Apoio

Urgente! Polícia Militar de Minas Gerais Massacra Milhares de Pessoas em Contagem! Divulgue! Compartilhe!


A ocupação Willian Rosa, que nasceu no dia 11 de outubro de 2013, na cidade de Contagem, agrega aproximadamente 3 mil e novecentas famílias que buscam um único sonho: ter um lugar onde descansar e abrigar seus filhos.
Numa luta intensa por moradia e contra a especulação, heroicamente resistem há semanas sob péssimas condições, em barracos de lona frágeis, sem infra-estrutura básica.
A prefeitura da cidade de Contagem (município da Grande BH), governada pelo prefeito Carlin, do PC do B, parece não sensibilizar-se com o clamor dos trabalhadores que querem apensa ter onde morar; faz-se de surda.
Tentando superar a paralisia do poder público, as famílias fizeram no dia de hoje, 01 de novembro, uma manifestação até a prefeitura e, após terem negado o pedido de serem recebidos, desesperadas, bloquearam a rodovia BR040, contra o despejo iminente.
A resposta do poder público foi aplicada pelo braço repressor do estado: Neste exato momento, uma chuva de bombas de gás lacrimogêneo sufoca crianças, mulheres e idosos. Lançadas pelos policiais – que agora invadem o acampamento atirando com balas de borracha em famílias pobres e vulneráveis. Ateiam fogo aos barracos, pondo em risco as vidas que lá estão a gritar por socorro. Socorro de quem, se é o próprio estado que sob os coturnos da violência esmaga a esperança dos pobres?
Precisamos de ajuda, precisamos de solidariedade, precisamos que se divulgue mais esta imensurável injustiça a que nos acostumamos ver em um país riquíssimo chamado Brasil.
A área pertence ao governos federal (PT); a prefeitura é dirigida por Carlin (PCdoB) e o governo estadual de Minas, conduzido por Anastasia (PSDB). Neste momento, todos são responsáveis por espancar, sufocar, atingir, violar os direitos de milhares de trabalhadores e trabalhadoras pobres.
Não destruirão, no entanto, nossa luta, nossa busca por justiça, nossa esperança por um mundo livre onde não sejamos massacrados pelo fato de não possuirmos bens, dinheiro, propriedades ou sobrenome nobre.
Não destruirão a Ocupação Willian Rosa, que seguirá firme, dentro ou fora deste terreno a incomodar os que dizem que não há problemas na vida dos que tudo produzem e nada tem.
Não destruirão a Luta Popular, que seguirá se organizando onde houverem pessoas com coragem de gritar aos poderosos que o mundo não pertence a eles e que não somos uma mercadoria à venda nas agências de emprego.
Aos que puderem deslocar-se para o local do acampamento, estamos em frente ao CEASA Minas, em Contagem, no bairro Laguna.
Aos que possuírem contatos que possam amenizar a barbárie que foi instalada pelo estado naquela ocupação, pedimos que ajudem.
Aos que se solidarizam que divulguem mais este absurdo cometido contra a vida.
 
Movimento Luta Popular

Programas Futebol e Política do Canal do Jornal O Poder Popular.

Programas Futebol e Política do Canal do Jornal O Poder Popular.  Camaradas; Segue os links dos Programas Futebol e Política do Can...