sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Paraíba

A CASSAÇÃO DO MANDATO DO GOVERNADOR DA PARAÍBA!
Em sessão realizada na última terça-feira (17 de fevereiro), o TSE confirmou a cassação do Governador da Paraíba, num processo que aqui resumimos:
1 - por iniciativa do Comitê Regional do PCB na Paraíba, em agosto de 2007 o TRE desse Estado cassou o mandato do Governador Cássio Cunha Lima (PSDB) por crime eleitoral (abuso de poder econômico e político) e determinou a posse do segundo colocado, o Senador José Maranhão (PMDB);
2 - em seguida, o Comitê Central do PCB entrou com recurso no TRE contra a posse do segundo colocado, requerendo a anulação de todo o processo eleitoral e a convocação de novas eleições gerais no Estado para Governador, Senador, Deputado Federal e Estadual;
3 – a argumentação do PCB era de que o abuso de poder contaminou todo o processo eleitoral no Estado, já que as campanhas para Governador puxam politicamente e muitas vezes financiam as campanhas para os demais cargos;
4 - o TRE da Paraíba ignorou o recurso do PCB; o Governador e seu partido recorreram da cassação ao TSE, que confirmou a decisão do TRE-PB, rejeitou a tese do PCB e determinou a posse do segundo colocado, Senador José Maranhão, já empossado Governador do Estado anteontem;
5 – O PCB reconhece e respeita a decisão do TSE, mas continua considerando que o correto teria sido a convocação de novas eleições gerais na Paraíba.
6 – Finalmente, deixamos claro que o PCB não terá qualquer participação no novo governo do Estado da Paraíba, com relação ao qual guardaremos total independência política.
Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 2009
SECRETARIADO NACIONAL DO PCB

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

CRI$E



Em Minas, manifestantes saem às ruas contra demissões

O Estado de Minas é um dos mais atingidos pelas demissões, que chegam a 200 mil. Dentre os setores mais atingidos estão os de mineração e siderurgia, que somam aproximadamente 35 mil desempregados.

13/02/2009

Marco Tulio

De Belo Horizonte, MG


Cerca de duzentos trabalhadores e trabalhadoras se reuniram ontem (12), em Belo Horizonte para denunciar os efeitos da crise econômica e manifestar contra as demissões, que já atingem milhões de trabalhadores no Brasil.
Dados divulgados pelo governo sobre o desemprego no final do ano passado estimam que cerca de 1,5 milhões de trabalhadores tenham sido demitidos em todo o país. O Estado de Minas Gerais, no entanto, foi onde proporcionalmente ocorreram mais demissões, cerca de 200.000. Dentre os setores mais atingidos estão os de mineração e siderurgia, que somam aproximadamente 35 mil demissões no Estado. A região metropolitana de Belo Horizonte já é conhecida como a capital nacional do desemprego.
Segundo os manifestantes, esse é o primeiro ato realizado na capital, parte de uma série de mobilizações necessárias para garantir os direitos dos trabalhadores. Nas palavras de Fabinho, da Intersindical: "Para cada empresa que fechar ou demitir massivamente, faremos um ato de solidariedade.".
Entre as pautas de reivindicação dos manifestantes estão: estabilidade nos empregos, manutenção dos direitos trabalhistas e redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais sem redução de salários. Também denunciam a saída para a crise proposta pelos patrões que, após atingirem recordes de lucro com a exploração dos trabalhadores, com os primeiros sinais da crise acenaram com demissões e retirada de direitos. Um exemplo é a Vale, que obteve 25 bilhões de dólares de lucro em 2008 e contabiliza 15 bilhões em caixa.
Enquanto pretende remunerar seus acionistas (61% deles estrangeiros) com 2,5 bilhões de dólares, a companhia propõe para seus funcionários uma "licença remunerada" que reduz pela metade seus salários.
A manifestação passou pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Prefeitura, Praça Sete de Setembro e Tribunal Regional do Trabalho. Ela aponta que a única saída viável para os trabalhadores frente à crise é a unidade e a luta e acena para a possibilidade de uma greve geral no país pela manutenção dos empregos e direitos trabalhistas.
A manifestação faz parte de uma mobilização nacional, que promoveu um ato unificado na quarta, (11) no Rio de Janeiro e hoje em outras partes do país.
Estavam presentes também membros de sindicatos e centrais sindicais, servidores públicos, trabalhadores da educação e saúde, representantes do movimento estudantil, dos movimentos sociais populares e de partidos de esquerda.


Fonte: Jornal Brasil de Fato

Bolívia

Viva a nova Carta Magna Boliviana
por Marcos Domich*
É inegável que, na Bolívia, neste dia 25 de janeiro se produziu uma vitória popular, e não há argumentos válidos para negá-la ou a invalidar. Qualquer que seja a distribuição geográfica, a estrutura social da votação ou as orientações ideológicas e políticas que conformaram as cifras finais, a Nova Constituição Política do Estado deixou de ser um projeto para converter-se na nova Carta Magna que rege o rumo e aponta os destinos da Bolívia. Em qualquer parte do mundo 61,43% é uma aprovação inapelável. É óbvio que os resultados requerem uma leitura cuidadosa, que não seja produto nem de atitudes eufóricas nem de desânimos imotivados. Um plano de ações políticas necessárias deve sair de uma análise adequada, de modo a refletir, de fato, o que agora tem um respaldo popular com força constitucional. O importante é que a nova constituição não seja algo que se possa meter no bolso, nem apenas uma elegante edição para pavonear-se com ela por aí. Ainda que se tenha ganhado a maioria para a aprovação da Nova Constituição Política do Estado, esta ainda tem que ser assumida pelas massas como algo que lhe pertence, sobretudo pelos trabalhadores do campo e da cidade, pela intelectualidade avançada e pela juventude. Os que votaram contra (38%) em sua grande maioria o fizeram, estamos seguros, sob a influência das poderosas baterias propagandísticas da direita. A estas pessoas é preciso lhes ajudar a assimilar todo o conteúdo positivo da nova Carta Magna, contribuir na superação dos preconceitos e, sobretudo, retirar de suas mentes as falsidades e os temores que lhes venderam. É preciso derrotar a campanha perversa de certos padres e seus meios que, apelando aos sinceros sentimentos religiosos das pessoas pouco informadas, querem reduzir o valor da nova Carta Magna, que é pluralista e respeitosa dos credos. É difícil resumir a essência e o valor da Nova Constituição Política do Estado, por isso nos limitamos a assinalar que é um importante passo à frente em muitas matérias para o desenvolvimento histórico nacional: reafirma e consolida o domínio do povo e do Estado bolivianos sobre seus recursos naturais e suas empresas estratégicas; busca liquidar o latifúndio e suas odiosas consequências sociais; defende os direitos dos trabalhadores e, no plano internacional, assume uma política de paz, de integração latino-americana e de plena soberania. Em suma, busca fazer da Bolívia um país de iguais, democrático e solidário, e busca o bem-estar geral. Não é perfeita, mas pode ser melhorada. Não é socialista, mas é uma boa plataforma para a libertação nacional. Que ela queira tomar casas, bens, a guarda dos filhos, proibir as religiões, etc. são imensos disparates. A essência do assunto está em como efetivá-la na vida social. Para isso, o carro-chefe que conduz o processo deve superar todos os obstáculos. Os inimigos aproveitarão qualquer resquício, qualquer fissura, qualquer debilidade e até qualquer fato ou acontecimento ocasional para impedi-lo.
* Marcos Domich é membro da Comissão Política do Partido Comunista Boliviano (PCB).
(tradução de Rodrigo Oliveira Fonseca)

Antônio Carlos Mazzeo


O vôo de Minervaa construção da política, do igualitarismo e da democracia no ocidente antigo

Antonio Carlos Mazzeo
O significado geopolítico conferido ao termo Ocidente pela ideologia dominante diz respeito a um complexo cultural que parece ter nascido pronto, enquanto o Oriente é algo que existe apenas como o seu contrário. Em O vôo de Minerva, Antonio Carlos Mazzeo defende a hipótese de que o "Ocidente Antigo" é resultado de um longo processo de mediterranização da cultura oriental, ou seja, da absorção da cultura oriental pelo Ocidente. O título do livro sugere assim, não só o termo-chave de sua investigação, como a perspectiva crítica em que ela está inserida. O autor procura demonstrar quais são os pontos de partida da diferenciação da base econômica das sociedades ocidentais e orientais, sendo que a questão do comércio oferece apenas um começo de explicação da diferença ocidental, já que no Oriente também se comerciava. Para João Quartim de Moraes, autor do prefácio do livro, sua maior ambição teórica é comprovar uma forte conexão entre o afloramento da propriedade privada e a invenção da democracia. O vôo de Minerva é fruto da tese apresentada por Antonio Carlos Mazzeo ao Departamento de Ciências Políticas e Econômicas da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp, como parte das exigências para a obtenção do título de livre-docente em Ciências Políticas. É o segundo livro do autor publicado pela Boitempo.

Sobre o autor:Antonio Carlos Mazzeo é livre-docente em Teoria Política pela Faculdade de Filosofia e Ciência da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Marília, onde leciona. Mestre em Sociologia e doutor em História Econômica pela Universidade de São Paulo (USP), fez pós-doutorado em Filosofia Política pela Università di Roma e atualmente preside o Instituto Caio Prado Jr. Publicou, entre outros, os livros Estado e burguesia no Brasil – origens da autocracia burguesa (Cortez, 1997), Sinfonia inacabada – a política dos comunistas no Brasil (Boitempo, 1999) e organizou Corações vermelhos – os comunistas brasileiros no século XX (Cortez, 2003).
Ficha técnicaTítulo: O vôo de MinervaSubtítulo: a construção da política, do igualitarismo e da democracia no ocidente antigoAutor: Antonio Carlos Mazzeo

Prefácio: João Quartim de Moraes

ISBN: 978-85-7559-130-7

176 páginas

Preço: R$ 32,00

sábado, 14 de fevereiro de 2009

CRI$E

Karl Marx manda lembranças

(por César Benjamin)

O que vemos não é erro; mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas.

AS ECONOMIAS modernas criaram um novo conceito de riqueza. Não se trata mais de dispor de valores de uso, mas de ampliar abstrações numéricas. Busca-se obter mais quantidade do mesmo, indefinidamente. A isso os economistas chamam "comportamento racional". Dizem coisas complicadas, pois a defesa de uma estupidez exige alguma sofisticação.
Quem refletiu mais profundamente sobre essa grande transformação foi Karl Marx. Em meados do século 19, ele destacou três tendências da sociedade que então desabrochava: (a) ela seria compelida a aumentar incessantemente a massa de mercadorias, fosse pela maior capacidade de produzi-las, fosse pela transformação de mais bens, materiais ou simbólicos, em mercadoria; no limite, tudo seria transformado em mercadoria; (b) ela seria compelida a ampliar o espaço geográfico inserido no circuito mercantil, de modo que mais riquezas e mais populações dele participassem; no limite, esse espaço seria todo o planeta; (c) ela seria compelida a inventar sempre novos bens e novas necessidades; como as "necessidades do estômago" são poucas, esses novos bens e necessidades seriam, cada vez mais, bens e necessidades voltados à fantasia, que é ilimitada.
Para aumentar a potência produtiva e expandir o espaço da acumulação, essa sociedade realizaria uma revolução técnica incessante. Para incluir o máximo de populações no processo mercantil, formaria um sistema-mundo. Para criar o homem portador daquelas novas necessidades em expansão, alteraria profundamente a cultura e as formas de sociabilidade. Nenhum obstáculo externo a deteria.
Havia, porém, obstáculos internos, que seriam, sucessivamente, superados e repostos. Pois, para valorizar-se, o capital precisa abandonar a sua forma preferencial, de riqueza abstrata, e passar pela produção, organizando o trabalho e encarnando-se transitoriamente em coisas e valores de uso. Só assim pode ressurgir ampliado, fechando o circuito. É um processo demorado e cheio de riscos. Muito melhor é acumular capital sem retirá-lo da condição de riqueza abstrata, fazendo o próprio dinheiro render mais dinheiro. Marx denominou D - D" essa forma de acumulação e viu que ela teria peso crescente. À medida que passasse a predominar, a instabilidade seria maior, pois a valorização sem trabalho é fictícia. E o potencial civilizatório do sistema começaria a esgotar-se: ao repudiar o trabalho e a atividade produtiva, ao afastar-se do mundo-da-vida, o impulso à acumulação não mais seria um agente organizador da sociedade.
Se não conseguisse se libertar dessa engrenagem, a humanidade correria sérios riscos, pois sua potência técnica estaria muito mais desenvolvida, mas desconectada de fins humanos. Dependendo de quais forças sociais predominassem, essa potência técnica expandida poderia ser colocada a serviço da civilização (abolindo-se os trabalhos cansativos, mecânicos e alienados, difundindo-se as atividades da cultura e do espírito) ou da barbárie (com o desemprego e a intensificação de conflitos). Maior o poder criativo, maior o poder destrutivo.
O que estamos vendo não é erro nem acidente. Ao vencer os adversários, o sistema pôde buscar a sua forma mais pura, mais plena e mais essencial, com ampla predominância da acumulação D - D". Abandonou as mediações de que necessitava no período anterior, quando contestações, internas e externas, o amarravam. Libertou-se. Floresceu. Os resultados estão aí. Mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas.

* Fonte: César Benjamin - CMI Brasil - Centro de Mídia Independente. César Benjamin é editor da Editora Contraponto.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

CRI$E

ATO ESTADUAL EM DEFESA DO EMPREGO E DOS DIREITOS

Data: 12/02/2009
Concentração - Av. Afonso Pena esquina com Av. getúlio Vargas

MANIFESTO

TODOS AO ATO ESTADUAL EM DEFESA DO EMPREGO E DOS DIREITOS

O mundo vive sob uma grave crise econômica. No início, governos e economistas famosos insistiram que se tratava de uma crise no mercado imobiliário norte-americano. Porém, com a falência de bancos e de grandes empresas, queda das bolsas de vários países, a recessão nos Estados Unidos, Europa e Japão, não há como negar a profundidade da crise e de que sua duração será de longo prazo.
Diante desta crise os governos do mundo inteiro têm utilizado o dinheiro público para socorrer os donos dos bancos e das grandes empresas. Parece até que os banqueiros e os grandes empresários são pessoas miseráveis e que se não receberem esses bilhões dos governos vão morrer de fome ou pedir esmolas nas ruas.
Por outro lado, cresce o número de desempregados no mundo e em particular no Brasil (foram mais de 1,5 milhão até janeiro). Os empresários receberam dinheiro público e o utilizaram para demitir. Esse dinheiro público vai faltar na saúde, educação, Reforma Agrária, e moradia, neste sentido já houve o corte de 37 bilhões de reais pelo governo Lula.

A CRI$E CHEGA FORTE EM MINAS GERAIS

Capital Nacional do Desemprego. Este é o título dado à região metropolitana de Belo Horizonte pela grande imprensa, comentando as 64.246 demissões ocorridas em Dezembro, o que em termos relativos é a maior do país. Descontando as contratações, BH perdeu 21.059 postos de trabalho, ou 1,64% do total. (O Estado de SP, 25/01)
Em Minas Gerais a queda da produção industrial e o rebaixamento dos índices de crescimento econômico são fatos inegáveis. O aumento das taxas de desemprego e as medidas propostas pelas grandes empresas e indústrias de redução de salários e direitos atormentam a vida dos trabalhadores e do povo em geral. Esta crise não tem limites, ou seja, não é de curta duração e não se restringe a setores específicos da economia.
No estado a situação é grave. Cerca de 200.000 trabalhadores foram demitidos somente em Dezembro, totalizando uma perda de 88.062 postos de trabalho. As empresas siderúrgicas, metalúrgicas e mineradoras são as que mais estão demitindo e a indústria mineira já teve uma retração de 25% de seu PIB.
Ou seja, na época das "vacas gordas", os empresários tiveram lucros recordes, sem que isso se revertesse em benefícios para os seus trabalhadores. Agora com a crise, querem fazer com que os trabalhadores paguem a conta, através de suspensão de contrato de trabalho, redução de salários e de direitos, banco de horas e etc, com a desculpa de amenizar o volume de demissões.
A Vale, por exemplo, segunda maior mineradora do mundo, que lucrou 25 bilhões de dólares em 2008 e tem 15 bilhões de dólares em caixa, está demitindo, cancelando contratos com terceirizadas e agora propõe uma "licença remunerada" que vai reduzir pela metade o salário de seus funcionários, enquanto quer remunerar seus acionistas (61% deles estrangeiros) em 2,5 bilhões de dólares! (Fonte: www.vale.com. br)
A FIAT de Betim, maior unidade industrial de Minas, já demitiu cerca de 8 mil trabalhadores diretos e em suas empresas terceirizadas, gerando uma crise em todo o setor de autopeças.
A Belgo Bekaert, do grupo Arcelor-Mittal, uma gigante do setor siderúrgico, demitiu 200 e aprovou a suspensão do contrato de trabalho de 1.300 funcionários por 1 ano, pagando 55% do salário, enquanto o governo federal injeta dinheiro para cobrir o restante.

CONTRA A CRI$E, O CAMINHO É A UNIDADE NA LUTA!

Não podemos aceitar que esta situação continue. É preciso que o governo federal, estadual e as prefeituras tomem medidas no sentido de garantir os empregos e os direitos dos trabalhadores.
Acreditamos que apenas uma luta forte, tenaz e unificada pode fazer ouvir e valer os nossos direitos. Vamos apoiar e dar continuidade à luta dos trabalhadores da Vale de Itabira e Congonhas; dos metalúrgicos do ABC e de São José dos Campos; de todos os trabalhadores que lutam contra as demissões e em defesa de seus direitos.
Por isso, chamamos todos os trabalhadores de Minas Gerais, a sociedade civil organizada, entidades e lideranças políticas, sindicais e comunitárias, igrejas, associações de moradores e movimentos sociais a juntar-se a nós na luta por:

1. Nenhuma demissão. Reintegração de todos os trabalhadores demitidos;
2. Pela manutenção dos direitos conquistados pelos trabalhadores em décadas de luta;
3. Redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais, sem redução de salário, para que todos possam trabalhar;
4. Que os governos federal, estadual e as prefeituras tomem medidas que garantam a estabilidade no emprego por 2 anos; Mudança do modelo econômico neoliberal.
5. Isenção de tarifas da CEMIG, COPASA e passe livre para os desempregados;
6. Extensão do seguro desemprego para 2 anos;
7. Pela reestatização da Vale e estatização das empresas que demitirem massivamente;
8. Nenhum corte no Orçamento Público de Minas e dos Municípios em 2009;


CONLUTAS, INTERSINDICAL, MLC, MST, Via Campesina Minas Gerais, FSDMMG, BRIGADAS POPULARES, MLB, Ocupação Camilo Torres, SJPMG – Sindicato dos Jornalistas, SINDIFISPMG, SINDEESS, STIGMG, SINDREDE-BH, SINTAPPIMG, SINDUTE-Subsede Contagem, DCE UFMG, AMES-BH, UJC, UJR, PSTU, PCB, PSOL, PCR

Conferência Estadual

TESE DE CONJUNTURA INTERNACIONAL PARA A CONFERÊNCIA DE MG.

1- As profundas transformações econômicas e sociais ocorridas nos últimos tempos, em nível mundial, impuseram um novo padrão de acumulação de capital, que induziram a significativas alterações no mundo do trabalho e em todas as relações sociais. A base deste novo padrão é a introdução cada vez mais intensa de novas tecnologias na produção, que se dá em ritmos diferentes, em cada setor. O último ciclo incorporou os avanços da chamada terceira revolução industrial, levando para fábrica a computação, a microeletrônica, os dispositivos de automação e controle, em diversas aplicações, em grande escala.
2- A crise que envolve o conjunto do sistema capitalista mundial, especialmente os países centrais traz consigo a quebra do sistema financeiro internacional, a recessão mundial, o desemprego e grandes tensões sociais no centro e na periferia do capitalismo, além de uma ofensiva contra os salários, direitos e garantias dos trabalhadores. Por suas dimensões econômicas e financeiras, é uma crise maior que a de 1929.
3- Essa crise ao contrário do que se avalia, não é uma crise financeira, mas uma crise sistémica na ordem da produção capitalista mundial. É uma crise de super- acumulação capitalista, motivada por diversos fatores de acumulação de capitais. Esse cenário pode ser apresentado nos pontos a seguir.
4- O desenvolvimento das relações capitalistas de produção ampliou sua contradição interna entre o processo de socialização da produção e o caráter privado da apropriação em esfera mundial.
5- A produção nos últimos 50 anos, socializou-se cada vez mais em escala mundial, pela forma de expansão do capital internacionalizado, pela constituição das redes internacionais de produção e pela internacionalização dos processos produtivos.
6- Esse processo desestruturou por sua vez as cadeias produtivas dos países subdesenvolvidos (onde havia), centralizava o capital e precarizava profundamente a reprodução da força de trabalho.
7- Parcela da população integrada ao mercado capitalista mundial encontrou-se atendida em suas “necessidades” de meios de consumo duráveis e não duráveis, enquanto centenas de milhares de seres humanos ficavam à margem do processo de inclusão no mercado.
8- A integração de maiores parcelas da população ao mercado de bens capitalistas de consumo implicaria, em primeiro lugar, na necessidade de redistribuição da mais-valia. Isso deprimiria ainda mais a taxa de lucro aguçando a contradição decorrente da própria dinâmica da acumulação.
9- A enorme valorização dos títulos nas bolsas americanas, foi constituída pelo excesso de capital monetário no sistema financeiro mundial e realimentado constantemente pelas transferências dos países subdesenvolvidos para os Estados Unidos.
10- Associado às essas transferências, expandiu-se o capital fictício1, não só nos Estados Unidos como no resto do mundo, como uma das formas de remuneração do próprio capital fictício em verdadeiras bolhas de especulação financiadas por taxas de juros mantidas pelos bancos Centrais dos principais centros industrializados.
11- As últimas décadas do século XX testemunharam um vigoroso desenvolvimento científico-tecnológico e de novas formas de organização da produção industrial e de gestão do trabalho. Esse desenvolvimento das forças produtivas permitiu, em grande parte da produção industrial, superar os limites de produção da mais valia fundada nos procedimentos fordistas/tayloristas.
12- Iniciado no Japão essas novas formas espalharam-se de maneira desigual tanto entre os países quanto nos diferentes ramos da produção, concentrando-se principalmente nos países desenvolvidos e nos setores de ponta da economia. Elas permitiram o acelerado crescimento da economia japonesa nos anos setenta e oitenta e a retomada da hegemonia americana nos anos noventa. Entretanto, o seu desenvolvimento desigual aumentou a diferença relativa entre os países desenvolvidos e subdesenvolvidos.
13- Vários destes países encontraram-se face à necessidade de uma reestruturação produtiva que destruiu parte do tecido industrial, que foi intensificado pela adoção das políticas neoliberais e pelas privatizações.
Esse processo se constituiu através de conjunto de técnicas sobre formas de organização do processo produtivo, juntamente com a introdução de novos equipamentos com controle numérico, que acelerou o ritmo de produção e aumentou a produtividade. Isso significou por sua vez, que ocorreu uma intensificação da exploração do trabalho, elevando a taxa de mais valia e proporcionando um lucro extraordinário para os capitalistas.
14- Com isso, ocorreu uma mudança na estrutura do emprego e do mercado de trabalho gerando um aumento na taxa de desemprego que se tornou extremamente grave, principalmente na Europa e nos países subdesenvolvidos. A introdução de equipamentos informatizados mudou significativamente o perfil da força de trabalho demandada com a contínua desqualificação dessa força de trabalho.
15- Assim, o desenvolvimento científico-tecnológico produziu um aumento na taxa de exploração da força de trabalho, aumento do desemprego e precarização dos empregos e dos trabalhadores. Do ponto de vista do capital, acelerou o processo de substituição do trabalho vivo pelo trabalho morto, estimulando o sonho do capital de reproduzir-se sem a necessidade do trabalho.
16- Com a mundialização do capital, os países desenvolvidos, principalmente os Estados Unidos, conseguiram transferir uma boa parte do desemprego para o resto do mundo. Esse desenvolvimento científico-tecnológico e o excepcional ciclo expansiva da economia americana forneceu, pelo menos aparentemente, as bases para a ideologia da “nova ordem economica”, no final dos anos noventa.
17- Eis algumas características dessa ordem de produção capitalista internacionalizada:
a) Primeira, é uma economia de forte crescimento pelos mercados emergentes;
b) segunda, repousa ao mesmo tempo sobre a produção e difusão das novas tecnologias de informação e comunicação;
c) terceira, repousa sobre a expansão dos empregos no setor de serviços;
d) quarta, exige um elevado nível de flexibilidade do trabalho e do mercado de trabalho;
e) quinta, é uma economia de mercados concorrenciais de capitais privados liberados dos entraves da regulação estatal;
f) sexta, exige um novo modo de gestão das empresas, colocando ou recolocando os proprietários do capital, os acionistas, nos postos de controle das performances, da organização e da estratégia.
18- Essas características mostram que essa “nova economia” não constitui a realidade do capitalismo em todo o mundo e não parece ser uma tendência, salvo, talvez, nos Estados Unidos. Entretanto, a crise americana de 2001-2002 já colocou em xeque a primeira característica. A segunda, pelo próprio controle do desenvolvimento científico-tecnológico em poder dos países desenvolvidos, jamais poderá ser disseminada para o mundo todo.
19- Com isso, deverá ampliar ainda mais a assimetria entre os países e aumentar o peso dos pagamentos de uso das técnicas, marcas e patentes dos países que se vêem obrigados a importar essas tecnologias. A terceira é apenas uma tendência decorrente do crescimento da produtividade industrial, mas também se desenvolve de forma diferenciada entre os países.
20- Porém, nem o desenvolvimento científico-tecnológico dos anos setenta e oitenta aguçaram ainda mais as contradições capital-trabalho devido à flexibilização e precarização dos empregos, que associados à uma redução do rendimento do trabalho, exigiram mais tempo de trabalho dos trabalhadores.
21- Quais são as conseqüências mais importantes destas transformações no processo de produção e como elas afetam o mundo do trabalho? Podemos, de modo indicativo, mencionar as mais importantes:
a) diminuição do operariado manual, fabril, concentrado, típico do fordismo e da fase de expansão daquilo que se chamou de regulação social-democrática;
b) aumento acentuado das inúmeras formas de subproletarização do trabalho parcial, temporário, sub-contratado, terceirizado, e que tem se intensificado em escala mundial, tanto nos países do Terceiro Mundo, como, também nos países centrais;
c) aumento expressivo do trabalho feminino no interior da classe trabalhadora, em escala mundial, aumento este que tem suprido principalmente o espaço do trabalho precarizado, subcontratado, terceirizado, part-time etc.;
d) enorme expansão dos assalariados médios, especialmente no "setor de serviços", que inicialmente aumentaram em ampla escala mas que vem presenciando também níveis de desemprego tecnológico;
e) exclusão dos trabalhadores jovens e dos trabalhadores "velhos" (em torno de 45 anos) do mercado de trabalho dos países centrais;
f) intensificação e superexploração do trabalho, com a utilização brutalizada do trabalho dos imigrantes, e expansão dos níveis de trabalho infantil, sob condições criminosas, em tantas partes do mundo, como Ásia, América Latina, entre outros;
22) Há, em níveis explosivos, um processo de desemprego estrutural que, junto com o trabalho precarizado, atinge cerca de 1 bilhão de trabalhadores, algo em torno de um terço da força humana mundial que trabalha;
23) A classe trabalhadora fragmentou-se e complexificou-se ainda mais. Tornou-se mais qualificada em vários setores, como na siderurgia, na qual houve uma relativa intelectualização do trabalho, mas desqualificou-se e precarizou-se em diversos ramos, como na indústria automobilística dos gráficos, dos mineiros, dos portuários, dos trabalhadores da construção naval etc. Criou-se, de um lado, em escala minoritária, o trabalhador "polivalente e muntifuncional", capaz de operar com máquinas com controle numérico e, de outro, uma massa precarizada, sem qualificação, que hoje está presenciando o desemprego estrutural.
24) A reestruturação produtiva e a desregulamentação e flexibilização dos mercados de trabalho, nos países capitalistas, atingiu fortemente os sindicatos que perderam a maior parte de suas antigas bases operárias, tanto nos países desenvolvidos quanto nos países subdesenvolvidos.
25) Assim, a reorientação conservadora e conciliacionista de alguns partidos que atuavam no mundo do trabalho e a redução do peso do movimento sindical constituíram-se em fatores que permitiram o enorme avanço do ideário burguês no meio operário.
26) Desse modo, no interior das sociedades capitalistas consolidou-se a hegemonia da burguesia, instituiu-se o neoliberalismo como pensamento único e as receitas econômicas neoliberais como política econômica, que por sua vez aprofundaram a desigualdade, ampliaram a miséria social e a dependência das economias chamadas emergentes da dominação econômica das grandes transnacionais.
27) A crise atual tem como centro a perda de dinamismos das economias americana, japonesa e da União Européia, tendo sua face mais visível na turbulência dos mercados financeiros. O crescimento chinês e indiano, a recuperação da Rússia e a ascensão de regimes social-democratas e nacionalistas na América Latina traz novos atores no mercado internacional. Empresas dos chamados BRICs – Brasil, Rússia, Índia e China – se internacionalizam, em um movimento de dentro para fora. O peso desses países aumenta nos organismos internacionais, como a OMC. Irã, Venezuela, África do Sul se credenciam a assumir um papel mais ativo na política e na economia internacional. Este fenômeno surge da exportação de capitais e pela incorporação das massas no sistema produtor de mercadorias.

Programas Futebol e Política do Canal do Jornal O Poder Popular.

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