
Em Minas, manifestantes saem às ruas contra demissões
O Estado de Minas é um dos mais atingidos pelas demissões, que chegam a 200 mil. Dentre os setores mais atingidos estão os de mineração e siderurgia, que somam aproximadamente 35 mil desempregados.
13/02/2009
O Estado de Minas é um dos mais atingidos pelas demissões, que chegam a 200 mil. Dentre os setores mais atingidos estão os de mineração e siderurgia, que somam aproximadamente 35 mil desempregados.
13/02/2009
Marco Tulio
De Belo Horizonte, MG
Cerca de duzentos trabalhadores e trabalhadoras se reuniram ontem (12), em Belo Horizonte para denunciar os efeitos da crise econômica e manifestar contra as demissões, que já atingem milhões de trabalhadores no Brasil.
Dados divulgados pelo governo sobre o desemprego no final do ano passado estimam que cerca de 1,5 milhões de trabalhadores tenham sido demitidos em todo o país. O Estado de Minas Gerais, no entanto, foi onde proporcionalmente ocorreram mais demissões, cerca de 200.000. Dentre os setores mais atingidos estão os de mineração e siderurgia, que somam aproximadamente 35 mil demissões no Estado. A região metropolitana de Belo Horizonte já é conhecida como a capital nacional do desemprego.
Segundo os manifestantes, esse é o primeiro ato realizado na capital, parte de uma série de mobilizações necessárias para garantir os direitos dos trabalhadores. Nas palavras de Fabinho, da Intersindical: "Para cada empresa que fechar ou demitir massivamente, faremos um ato de solidariedade.".
Entre as pautas de reivindicação dos manifestantes estão: estabilidade nos empregos, manutenção dos direitos trabalhistas e redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais sem redução de salários. Também denunciam a saída para a crise proposta pelos patrões que, após atingirem recordes de lucro com a exploração dos trabalhadores, com os primeiros sinais da crise acenaram com demissões e retirada de direitos. Um exemplo é a Vale, que obteve 25 bilhões de dólares de lucro em 2008 e contabiliza 15 bilhões em caixa.
Enquanto pretende remunerar seus acionistas (61% deles estrangeiros) com 2,5 bilhões de dólares, a companhia propõe para seus funcionários uma "licença remunerada" que reduz pela metade seus salários.
A manifestação passou pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Prefeitura, Praça Sete de Setembro e Tribunal Regional do Trabalho. Ela aponta que a única saída viável para os trabalhadores frente à crise é a unidade e a luta e acena para a possibilidade de uma greve geral no país pela manutenção dos empregos e direitos trabalhistas.
A manifestação faz parte de uma mobilização nacional, que promoveu um ato unificado na quarta, (11) no Rio de Janeiro e hoje em outras partes do país.
Estavam presentes também membros de sindicatos e centrais sindicais, servidores públicos, trabalhadores da educação e saúde, representantes do movimento estudantil, dos movimentos sociais populares e de partidos de esquerda.
Fonte: Jornal Brasil de Fato
Nenhum comentário:
Postar um comentário