O Partido Comunista Chileno comemora a eleição de três deputados ao parlamento nacional do Chile. A eleição dos deputados comunistas combinada com a expressiva votação de Jorge Arrate marcam a retomada da esquerda chilena, construindo novos caminhos. O Partido Comunista elegeu três deputado: Hugo Gutiérrez (27492 votos) , Lautaro Carmona (16852 votos) e Guilhermo Tellier (48886 votos). Desde a ditadura militar (1973-1990), a mais sangrenta da América Latina, o sistema político chileno favorece a votação binominal (dos dois principais blocos políticos), na escolha dos representantes para o parlamento e ao senado.
A estratégia eleitoral dos comunistas chilenos foi a seguinte: construiram com outras correntes socialistas e revolucionárias o agrupamento (coligação) Junto Podemos Más lançando a candidatura presidencial de Jorge Arrate (Líder da esquerda socialista chilena) reunindo em torno deste projeto extraparlamentar várias organizações populares, socialistas e revolucionárias e no tocante a tática eleitoral fizeram um acordo político com setores do campo político Concertação (que envolve principalmente o Partido Socialista e o Partido Democrata Cristão) o que viabilizou a eleição dos deputados do Partido Comunista Chileno evitando a exclusão da esquerda chilena do parlamento uma das várias trincheiras de lutas dos comunistas.
Para o segundo turno (segulta volta) os comunistas junto com seus aliados do Junto Podemos Más apresetaram um programa para o candidato da centro esquerda Eduardo Frei, evitando a idéia da adesão automática a candidatura social-liberal de Frei e sinalizando a importância da derrota da candidatura liberal-conservadora do bilionário Piñera.
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Duas considerações importantes sobre as eleições no Chile, que podem servir de exemplo para a esquerda no Brasil:
I - Não podemos cair na falsa discussão da polarização entre os dois blocos liberais - de um lado um bloco social liberal ou seja um governo liberal com um verniz social e de outro um bloco conservador.
A apresentação de uma candidatura que seja expressão política do programa de uma frente anti-capitalista e anti-imperialista no primeiro turno é fundamental.
A priori seria um erro substituir o debate programático pela discussão covarde "do menos pior" ou inverter o debate programático pelo debate personalista, como fazem algumas correntes da esquerda socialista.
II - A eleição de parlamentares comunistas é fundamental.
Os comunistas sabem que não vai ser pela via democracia liberal burguesa que iremos trilhar o caminho "brasileiro" para o socialismo.
As eleições de 2010 podem alterar a correlação de forças, favorecer a retomada das mobilizações sociais e populares, possibilitar um crescimento qualitativo e quantitativo da esquerda e criar elementos político para a formação de um pólo alternativo de forças políticas e sociais na perspectiva história da construção de um Bloco Proletário e Popular.
Parlamentares comunistas farão diferença na luta dos trabalhadores e da juventude pelo socialismo.
Professor Túlio Lopes
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