MST ocupa mais um latifúndio em Minas Gerais
Alexandre Xandão
Emiliano
08/07/2010
Seguindo a Jornada de Lutas pela Reforma Agrária, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), de Minas Gerais, rompe a cerca de mais um latifúndio.
Foi na manhã desta quinta-feira (08/07); que aproximadamente 97 famílias ocuparam a Fazenda Lagoa do belo (940 hectares), na região do Vale do Rio Doce; aumentando o número de famílias novas do ano de 2010 para 547 famílias e completando nesse mesmo ano a oitava ocupação de terras no estado e a terceira na região.
As famílias do MST reivindicam que o governo federal: priorize a agricultura camponesa e familiar; a aceleração deste e de tantos outros processos semelhantes no estado de Minas Gerais e em todo Brasil, visando atender à crescente demanda pela democratização do acesso a terra e pela garantia do cumprimento de sua função social, assegurada pela Constituição Federal vigente.
Essa ocupação realizada juntamente com a Via Campesina vem marcar a unificação que os movimentos sociais do Campo e Cidade vem realizando naquela região, unificação que marca o descontentamento que as políticas governamentais direcionadas a classes pobres tanto do campo quanto da cidade não vem atende os anseios populares.
Essa aliança também tem o intuito de denunciar que, no país ainda não resolveu os problemas dos pobres do campo, que continuam sendo alvo da violência dos fazendeiros e da impunidade da justiça. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foram assassinados 1.546 trabalhadores rurais entre 1985 e 2009. Em 2009, foram 25 mortos pelo latifúndio. Do total de conflitos, só 85 foram julgadas até hoje, tendo sido condenados 71 executores dos crimes e absolvidos 49 e condenados somente 19 mandantes, dos quais nenhum se encontra preso.
Além de exigir a desapropriação da área que já foi constatada pelo laudo agronômico do INCRA que este é um grande imóvel rural improdutivo, as 97 famílias que ocupam o latifúndio, também denunciam a generalizada criminalização da luta dos movimentos sociais e da população pobre organizada brasileira sem fundamento algum por parte do Estado.
Pelo coletivo de Direitos Humanos do MST-MG
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