
(Pronunciamento do PCB – Partido Comunista Brasileiro, no Encontro do Foro de São Paulo, 30/07 a 04/08/2013)
O futuro da América Latina está sendo jogado na Colômbia e na Venezuela
A ofensiva imperialista na América Latina recrudesceu na presente
década, diante do avanço do processo heterogêneo de mudanças que
experimenta nossa região. Depois da reativação da IV Frota e da
instalação de mais bases militares na Colômbia, o imperialismo, em
conluio com as oligarquias locais, já derrubou governos progressistas em
Honduras e no Paraguai, através de “golpes institucionais”.
A constituição da Aliança do Pacífico é parte dessa ofensiva,
destinada a fragilizar as alianças regionais progressistas, como a ALBA,
a CELAC, a UNASUL. A mafiosa Sociedade Interamericana de Imprensa
impulsiona campanha contra a democratização e o controle social da
mídia. Denúncias recentes mostram que a espionagem estadunidense em
nossos países é mais profunda e descarada do que imaginávamos. A empáfia
colonial chega ao ponto de desrespeitar a soberania boliviana e atentar
contra a vida de Evo Morales, emblemático exemplo da resistência dos
povos originários.
Além da necessidade de reforçar nossa solidariedade à Revolução
Cubana, aos processos na Bolívia e no Equador e à resistência dos povos,
a ação dos internacionalistas latino-americanos deve estar concentrada
hoje na luta de classes que se desenvolve na Colômbia e na Venezuela.
O futuro da América Latina está sendo jogado nesses dois países de
povos irmãos. A derrota do povo venezuelano para a oligarquia e o
imperialismo impactaria negativamente a Mesa de Diálogos de Havana. Da
mesma forma, a frustração desses diálogos, além de fragilizar e ameaçar o
vigoroso e unitário movimento de massas colombiano, também influiria
negativamente na Venezuela. Em ambos cenários, a correlação de forças se
tornaria desfavorável.
Na Venezuela, segue a ofensiva da direita, valendo-se do
desaparecimento físico do Comandante Hugo Chávez e do resultado modesto
na vitória legítima de Nicolas Maduro. A simbiose entre as questões
colombiana e venezuelana é tão forte que é exatamente neste momento de
afirmação de Maduro que Santos recebe o candidato derrotado na Venezuela
e ameaça com a integração da Colômbia à OTAN.
É preciso reforçar nossa firme solidariedade ao Presidente Maduro, ao
Grande Polo Patriótico Simon Bolivar, em especial ao Partido Comunista
de Venezuela, e ao proletariado venezuelano, cujo protagonismo será
decisivo para garantir o destravamento do processo bolivariano e seu
necessário avanço ao socialismo.
O êxito da Mesa de Diálogos de Havana não é apenas um problema dos
colombianos, mas de todos os povos da América Latina e do mundo. Para o
desenvolvimento das lutas populares em nosso continente, é preciso
radicalizar a revolução bolivariana e desmontar o plano imperialista de
atribuir à Colômbia o papel que joga Israel no Oriente Médio.
A oligarquia colombiana quer uma paz dos cemitérios, rápida, sem
custos, para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento capitalista.
Tenta desestabilizar a Venezuela para impor um acordo rebaixado à
insurgência. Não nos iludamos com o “pacifismo” da oligarquia e do
imperialismo que a dirige. Só recorreram ao diálogo porque fracassou sua
guerra contra a insurgência, apesar de todos os imensos recursos
militares e financeiros investidos no Plano Colômbia, dos paramilitares,
das bases estadunidenses, da assessoria da CIA e da Mossad.
Já os interesses do povo colombiano e das insurgências, que se fundem
na mesa de diálogo, são de uma solução política com justiça social e
econômica, consolidada através de uma Assembléia Constituinte soberana,
com ampla participação popular.
Há dois fatores decisivos para a viabilidade dos entendimentos. Um
deles, sem o qual talvez o diálogo não tivesse sequer começado, é o
avanço do maior movimento de massas das últimas décadas na América
Latina, plural e unitário, congregando milhares de organizações
políticas e sociais, que têm na Marcha Patriótica sua maior expressão.
O segundo é a solidariedade internacional a todas as expressões
políticas e sociais colombianas progressistas e revolucionárias,
nomeadamente à Delegação das Farc em Havana. Mas é preciso respeitar as
decisões e o tempo do movimento de massas e da insurgência e combater a
ansiedade dos reformistas em pressionar as guerrilhas a se
desmilitarizarem, a pretexto de que está atrapalhando a governabilidade e
a integração latino-americana. Nossa pressão tem que ser no sentido da
ampliação do diálogo e por um necessário cessar fogo bilateral.
Nenhum comentário:
Postar um comentário