sexta-feira, 12 de agosto de 2016
Nenhum direito a menos! Fora Temer!
A manipulação das Olimpíadas pela grande mídia vem criando uma cortina de fumaça em torno dos reais problemas e desafios enfrentados pelos trabalhadores brasileiros. A mídia produz artificialmente um clima de estabilidade e otimismo através da divulgação de “boas notícias”: real mais valorizado, sinais de novos investimentos imobiliários, recuperação da Petrobrás, mais “confiança” dos investidores no mercado. A verdade é que os maiores beneficiários das Olimpíadas foram os grandes empresários, principalmente os donos das empreiteiras, ao passo que populações residentes nas proximidades dos locais dos Jogos foram despejadas de suas moradias. Os capitalistas revenderão com lucros os apartamentos da Vila Olímpica, explorarão as novas linhas do Metrô do Rio, se apropriarão dos ganhos dos hotéis, enquanto, para a maioria da população, o legado continuará sendo os péssimos serviços prestados pelos governantes e os ataques aos direitos dos trabalhadores. A pretensa estabilidade é uma farsa: o país está em recessão, cerca de 12 milhões de trabalhadores estão desempregados, os aposentados e os que irão se aposentar estão ameaçados em seus direitos, os servidores públicos, professores e outras categorias estão sofrendo um arrocho salarial brutal. O grande capital deu a Temer a tarefa de flexibilizar ainda mais os direitos trabalhistas, generalizar a terceirização, privatizar o que resta de público e aprofundar os cortes nos programas sociais. O chamado “ajuste fiscal”, iniciado antes por Dilma, vem com toda a força para garantir a recuperação das taxas de lucro dos grandes monopólios, ao preço de mais repressão aos movimentos populares. Para tal, o governo ilegítimo não precisará criar novas leis, pois basta aplicar a famigerada lei “antiterrorismo”, uma das heranças dos governos petistas. Ao mesmo tempo, Temer e sua camarilha, composta por políticos envolvidos em escândalos de corrupção e adeptos do pensamento de direita, estimulam a onda conservadora na sociedade, algo que, em alguns momentos, beira ao fascismo, como a proposta da “Escola sem Partido”, voltada a banir das escolas o pensamento crítico. Além dos projetos que circulam no Congresso para desfigurar a legislação social e trabalhista e das campanhas da mídia pela privatização das universidades públicas, há os ataques sistemáticos aos direitos das mulheres, dos negros, dos índios e da comunidade LGBTT, acompanhados de discursos carregados de preconceitos. Não é hora de alimentar ilusões reformistas, como as propostas que circulam na esquerda de novas eleições, reforma política ou constituinte. Essas alternativas institucionais serão a tábua de salvação para a burguesia, que tentará eleger um “novo” governo do capital legitimado pela “vontade popular”, para seguir com sua ofensiva contra os trabalhadores. Seja qual for o governo de turno (a volta de Dilma, a permanência de Temer ou um novo presidente eleito) estão dadas as condições para o desenvolvimento de um novo ciclo de protestos e mobilizações, com o crescimento das lutas por terra, teto, trabalho, direitos civis, saúde, educação e transportes públicos, contra as discriminações de qualquer tipo. Os comunistas e as forças anticapitalistas têm o dever de fazer avançar a unidade de ação nessas lutas. É preciso criar as condições para a construção de um BLOCO DE LUTAS ANTICAPITALISTAS e realizar, no primeiro semestre de 2017, um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora e dos Movimentos Populares, dando amplitude nacional ao movimento de resistência às ofensivas do capital.
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