A União da Juventude Comunista – UJC participou ativamente da fundação da União Nacional dos Estudantes em 1937 e, de lá para cá, vem participando dos congressos e fóruns da UNE e da União Estadual dos Estudantes. Responsável por importantes vitórias para os estudantes e os trabalhadores brasileiros a UNE vivenciou ao longo de sua história momentos de avanços e de recuos na luta dos estudantes universitário brasileiros em defesa da universidade pública e contra a mercantilização da educação. Nas lutas gerais em defesa dos recursos naturais destacou-se a campanha nacional O PETRÓLEO É NOSSO! na qual os jovens comunistas tiveram papel de destaque. No enfrentamento à ditadura militar a UNE se destacou pelas importantes mobilizações de ruas, com destaque para a passeata dos 100 mil. Nos anos 80, a UNE fez parte da campanha pelas Diretas já! e protagonizou importantes manifestações contra a corrupção e o neoliberalismo nos anos 90.
O passado de lutas não se reflete na atualidade da entidade. A UNE se encontra hoje amoldada a ordem dominante, uma vez que as tendências majoritárias dessas organizações isolaram os poucos focos de resistência, limitando-lhes o espaço a meras proclamações formais, sem capacidade de reverter a inflexão realizada. Esta situação se explica em parte pela cooptação das direções e em parte pelo amoldamento de uma burocracia que encontra um ponto de existência e privilégio no qual se acomodar, seja na própria estrutura burocrática estudantil, seja nos espaços nas burocracias partidárias, mandatos parlamentares ou no próprio Estado. A UEE-MG não foge da regra encontra-se hoje direcionada para a disputa no parlamento estadual sendo mera base de apoio a mandatos parlamentares do PT e PCdoB. Embora tenha sido aprovado em seu último Oposição em relação ao Governo Aécio, pouco ou nada se fez, em relação aos estudantes das universidades estaduais que sofrem diretamente com o descaso do Governo Tucano com a Educação. A presença de setores ligados ao Governo Tucano contribuiu para que a UEE-MG se aproximasse da Secretaria Estadual de Juventude do Governo Aécio/Anastásia.
Devemos resgatar as entidades históricas da juventude para o terreno da combatividade e contribuir para a intensificação da luta estudantil, não apenas como forma de resistência contra o processo de mercantilização do ensino, mas também para dotar o movimento estudantil de uma ação solidária junto à luta dos trabalhadores e dos movimentos sociais e populares.
O papel dos jovens comunistas é a reconstrução do movimento estudantil brasileiro pela base e por suas entidades representativas, para que retomem sua independência e legitimidade. Esta ação não se dará através da mera disputa pelos aparelhos e cargos nas organizações estudantis, mas por intermédio de incisiva atuação dos comunistas nas entidades de base, nas faculdades e universidades, particulares e públicas, para que o movimento estudantil retome sua ação protagonista nas lutas pela educação pública emancipadora e pela formação de uma universidade popular, capaz de produzir conhecimento a serviço da classe trabalhadora e contribuir na luta contra-hegemônica.
No tocante a disputa no movimento estudantil brasileiro a UJC busca intensificar, qualificar e potencializar sua atuação no conjunto do movimento, buscando através da participação nas entidades de base, dos DCE´s e dos fóruns das entidades estudantis estaduais e nacionais levar a cabo a luta contra-hegêmonica no interior do movimento estudantil. No lugar da manutenção das normas de cunho burocrático e liberal nas entidades estudantis, devemos lutar por formas de organização que aprofundem processos de construção democrática, onde o poder possa ser exercido pelas bases.
A diretoria da UEE-MG e da UNE hoje, infelizmente, optou por interditar os debates que visavam à crítica permanente ao sistema educacional e a formulação de propostas alternativas e autônomas do movimento universitário. Neste mesmo sentido, as ações da entidade se deram de forma descolada de práticas cotidianas junto à base dos estudantes universitários brasileiros, fato que tem como conseqüência um imobilismo permanente, que vai desde a organização de seus fóruns de debate e deliberação até a efetivação (ou não efetivação) de suas resoluções.
Ao mesmo tempo, pensamos que essa constatação não deve levar a uma conclusão simplista de que o problema da UEE-MG e da UNE passa exclusivamente por uma “crise de direção”. Essa análise tem levado muitos setores combativos a adotarem medidas exclusivamente táticas descoladas do conjunto das contradições objetivas da sociedade brasileira. Assim, o problema do movimento estudantil se resumiria apenas a vontades, posturas e práticas de um determinado grupo dirigente, que deveria ser trocado por outro “honesto, combativo e de esquerda” – seja na disputa interna da entidade ou na criação de novas estruturas que, no fundo, refletem análises muito próximas. Na verdade, os problemas do movimento estudantil perpassam o seu todo - desde as entidades de base até as entidades gerais - o que, em nossa avaliação,possui suas raízes principalmente na ausência de desenvolvimento de um projeto educacional alternativo ao vigente, ou de iniciativas que apontem para esse projeto.
Desse modo, embora reconheçamos o esforço feito por diversos setores que atuam dentro ou fora da UNE em reorganizar o ME, acreditamos que essas disputas permanecerão inócuas se não avançarem para a compreensão da importância do debate estratégico em nosso meio: a necessidade de romper completamente com o projeto educacional da ordem atual construindo na luta a Universidade Popular.
União da Juventude Comunista – MG
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